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Dia de cautela
A cautela voltou a ditar o rumo dos negócios no mercado financeiro brasileiro ontem. O dólar abriu com leve baixa, mas inverteu a direção em seguida e fechou com alta de 1,28%, a R$ 2,290 na venda. No horário do fechamento do câmbio, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ampliava a queda para 4,27%, mínima do dia por enquanto. Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova Iorque, recuava 0,84%. A Bolsa eletrônica Nasdaq tinha baixa de 1,88%.

Índices
O mercado aguarda a divulgação de indicadores sobre a economia dos Estados Unidos, como o PPI (índice de preços ao produtor), que sai hoje, e o CPI (índice de preços ao consumidor), amanhã. Na quinta-feira, é a vez da produção industrial de maio.

Focus
O mercado financeiro espera que os juros tenham nova queda na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de julho e alcancem 14,75% ao ano. A previsão faz parte do boletim Focus, divulgado semanalmente pelo BC a partir de consultas a mais de uma centena de instituições financeiras.

Sem susto
Se confirmada, seria uma queda de 0,5 ponto percentual - os juros estão atualmente em 15,25%. O BC manteria o ritmo atual de queda, já que em sua última reunião já havia reduzido o corte para 0,5 ponto, após três reduções de 0,75 ponto. A previsão mostra que atual turbulência nos mercados internacionais devido à expectativa de novas altas de juros nos Estados Unidos não assustou os investidores brasileiros.

Temporária
Na quinta-feira, o Copom revelou, na ata de sua última reunião, que também considera a turbulência temporária. Os diretores do BC, entretanto, deixaram claro, em caso de piora no cenário internacional, a estratégia do banco será ''prontamente adequada'', o que significaria até mesmo a interrupção nos cortes de juros.

Longo prazo
Até o momento a turbulência só afetou as expectativas de longo prazo. O mercado, que esperava que os juros encerrassem este ano em 14,25%, agora já acredita em uma taxa de 14,5% em dezembro.

Inflação
O mercado acredita que os juros continuarão em queda devido às expectativas de que a inflação se mantenha sob controle nos próximos meses. Os dados divulgados até o início de junho são bastante favoráveis e mostram que a queda do dólar tem conseguido impedir aumentos de preços devido à concorrência com importados.

Pressões
Com pressões apenas pontuais, o mercado acredita que o IPCA (principal índice de inflação do País) encerre este ano em apenas 4,22% - o centro da meta de inflação é de 4,5%. Foi a segunda semana seguida que as instituições financeiras reduziram suas expectativas de inflação - na semana anterior a estimativa era de 4,31%.

PIB & outros
O boletim Focus também traz previsões para o crescimento do PIB (3,6% neste ano), produção industrial (alta de 4,28%) e balança comercial (US$ superávit de US$ 40 bilhões).

Superávit
O governo conseguiu manter o superávit primário crescente em 2002 e 2003 graças à adoção das metas inflacionárias e à vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal. A trajetória foi iniciada na década de 90 e, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa chegou a 2,26% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2002 e 3,5% em 2003.

Finanças
A pesquisa do IBGE sobre as finanças públicas do País mostra que, em 2002, o aumento de R$ 12,3 bilhões no superávit primário foi obtido principalmente com a elevação da arrecadação de tributos pagos pelas empresas privadas e pessoas físicas. Em 2003, o resultado foi consequência de um ajuste nas despesas do governo.

Balança
O saldo da balança comercial na segunda semana de junho registrou superávit de US$ 790 milhões. As exportações no período somaram US$ 2,772 bilhões (média diária de US$ 554,4 milhões), e as importações foram de US$ 1,982 bilhão (média diária de US$ 396,4 milhões). No mês, o superávit acumulado é de US$ 1,311 bilhão, e no ano, US$ 16,775 bilhões.



Petróleo
O petróleo operava em leve alta ontem em Nova Iorque, devido aos temores relacionados à crise nuclear iraniana e ao surgimento da primeira tempestade tropical da temporada, Alberto, no Golfo do México. No meio da tarde, o barril de ''light sweet'' para entrega em julho subia 12 centavos, a US$ 71,75.


Das agências Estado, Folhapress e France Presse

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