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Mais efeitos
Pelo segundo dia consecutivo, o mercado financeiro sofreu com as declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Ben Bernanke, de que a economia dos Estados Unidos está desacelerando e é preciso continuar combatendo a inflação. Na segunda-feira, o dólar comercial chegou a cair devido à notícia de que o Tesouro Nacional abriu uma operação para recomprar títulos e melhorar o perfil da dívida externa, mas ontem não resistiu ao pessimismo. A moeda norte-americana terminou o dia em alta de 0,31%, vendido a R$ 2,258 - na máxima do dia, chegou a R$ 2,283 - enquanto o risco Brasil no final da tarde subia 1,52%, para 266 pontos. A Bovespa recuava 0,89%, para 36.412 pontos.

Wall Street
O clima ficou negativo também no exterior. As bolsas de Nova York fecharam em baixa com o índice Dow Jones perdendo 0,43% e o Nasdaq 0,30%.


Na Europa
Os mercados europeus de ações também fecharam em queda forte, em reação às declarações de Bernanke sobre a inflação dos EUA. O índice FT-100, da Bolsa de Londres recuou 1,60%; o CAC-40 da Bolsa de Paris caiu 2,40%; o Xetra-DAX de Frankfurt fechou em queda de 2,11%; o S&P-Mib recuou 1,85%. Na Bolsa de Madri, o índice Ibex-35 fechou em queda de 1,56%; e na Bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 fechou em baixa de 0,24%.

Tóquio
As preocupações com a perspectiva de novas altas nas taxas de juro nos EUA e especialmente do provável impacto sobre a economia norte-americana projetaram as ações em queda em Tóquio, onde o índice Nikkei fechou no menor nível em quatro meses e meio. Os temores de que uma eventual desaceleração da economia norte-americana deva prejudicar as economias emergentes atingiram as ações de companhias relacionadas ao setor de commodities e de maquinários. Muitas destas companhias têm grande parte de suas receitas calçadas em vendas para o Oriente Médio e para os demais países da Ásia. No fim do dia, o índice Nikkei registrava perdas de 1,8%, em 15.384,86 pontos, o nível mais baixo desde 23 de janeiro.

Preocupação
Se a inflação nos EUA subir mais, o Fed deve seguir elevando os juros, que estão em 5% ao ano. Depois da última reunião da autoridade monetária, em 10 de maio, quando houve um aumento de 0,25 ponto percentual, os investidores esperavam uma sinalização do fim do ciclo de altas - que não veio.

Incertezas
Desde então, os indicadores econômicos divulgados, por contraditórios, não permitem enxergar com mais clareza para onde vão os juros e nem se a maior economia do planeta está de fato ficando desaquecida, o que, é claro, contaminaria os outros países também.

Nervosismo
Essa incerteza está no centro das preocupações do mercado e é o principal motivo para o forte nervosismo observado recentemente. Quando os juros nos EUA sobem, os grandes investidores internacionais abandonam suas aplicações em mercados como o brasileiro para buscar menores riscos - os treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) estão entre os destinos preferenciais desses recursos.

Indústria
A produção industrial em abril ficou estável em relação a março, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou perto do piso das estimativas, que iam de -0,10% a 0,90%, e abaixo da mediana, que era de 0,25%. Em relação a abril de 2005 a produção caiu 1,9%, resultado também perto do piso das projeções, que iam de -2% a 0,50%, e abaixo da mediana, que era de -1%.


Influência
Segundo o IBGE, esta queda foi influenciada pelo menor número de dias úteis em abril deste ano ante abril do ano passadio. No quarto mês deste ano, houve menos dois dias úteis ante igual mês de 2005. De janeiro a abril de 2006, a produção industrial acumula alta de 2,9%. Até abril deste ano, a produção registra elevação de 2,6% no acumulado dos últimos doze meses.


Automóveis
A indústria automotiva bateu recorde histórico de produção e exportação no acumulado do ano até maio, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O mês passado foi também o melhor maio da história em termos de veículos produzidos e vendas externas. Além disso, foi o segundo melhor maio da história em vendas internas, atrás apenas de maio de 1997.

Números
O número de veículos produzidos no acumulado do ano atingiu 1,08 milhão, e foi 6,1% superior ao recorde anterior de janeiro a maio de 2005. As exportações somaram US$ 4,63 bilhões, e superaram em 8,6% o resultado do mesmo período do ano. Já as vendas internas somaram 651 mil unidades, com alta de 9,4% na mesma base de comparação.

Impulsos
O presidente da Anfavea, Rogelio Golfarb, afirmou que maio foi um mês forte, inclusive pelo número de dias úteis, num total de 22, em relação a 18 dias úteis de abril. De acordo com ele, a tendência de queda nos juros e o crescimento econômico são fatores que impulsionam as vendas domésticas. Em maio, o numero de veículos licenciados somou 164 mil unidades, e foi 25% maior do que em abril, e 14,8% superior a maio de 2005. Porém ficou abaixo dos 175 mil vendidos em maio de 1997.

Das agências Estado, Folhapress e France Presse

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