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Efeito Bernanke
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 3,17% ontem e fechou com 36.739 pontos, com o mercado preocupado com a trajetória da inflação e dos juros nos Estados Unidos. O presidente do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano), Ben Bernanke, disse que a economia norte-americana está começando a desacelerar mas que a inflação ainda preocupa - essa era justamente a principal preocupação dos investidores, manifestada desde o início dos negócios.
Wall Street
As Bolsas de Nova Iorque também reagiram ao discurso de Bernanke e fecharam em forte queda: o índice Dow Jones perdeu 1,77% e o Nasdaq recuou 2,24%.
Desaquecimento
Reforçando a percepção de que o momento no mercado financeiro é de incertezas e contradições, o outro motivo que explica o mau humor de ontem é justamente o medo contrário: de desaquecimento da maior economia do mundo, que afetaria o crescimento global. Os investidores ainda estão desanimados com os indicadores sobre o mercado de trabalho divulgados na última sexta-feira: em maio, foram criados apenas nos EUA 75 mil novos postos de trabalho, quando se esperava 170 mil vagas.
Transição
O mercado já estava preocupado com os dois fatores quando Bernanke afirmou ontem, em uma conferência, que a economia norte-americana ''está entrando em um período de transição''. Para ele, a moderação no ritmo de crescimento ''está no caminho certo''. Entretanto, em mais um de seus discursos ambíguos, Bernanke afirmou que o Fed ''será vigilante para garantir que as recentes elevações no núcleo de inflação não sejam sustentadas''.
Estagflação
O cenário de estagflação -baixo crescimento da economia com inflação- é o pior dos mundos para os investidores. Justamente por não trazer muitas novidades, o discurso de Bernanke contribui para mais volatilidade, a qual deve continuar até que os rumos da taxa de juros norte-americana e o ritmo de crescimento da maior economia mundial fiquem mais claros.
Estrangeiros
Em maio, a Bovespa teve saldo negativo de aplicações de estrangeiros de R$ 1,515 bilhão; no ano, ainda há superávit de R$ 1,709 bilhão. Os grandes investidores internacionais fogem de mercados como o brasileiro quando há sinais de aumento de juros nos EUA - eles preferem aplicar seus recursos em ativos mais seguros, como os treasuries (títulos do Tesouro norte-americano).
No mês passado, a Bolsa brasileira teve perdas de 9,5%.
Câmbio
O dólar comercial caiu 1,18% ontem, para R$ 2,251, acompanhando a queda do risco Brasil. No final da tarde, o indicador estava em 263 pontos, com baixa de 4,4%. A forte baixa do risco-país, que durante o dia chegou a mais de 5%, se explica pela notícia de que o Tesouro Nacional vai dar mais um passo no seu programa de melhora do perfil da dívida externa.
Endividamento
O Tesouro, que no início do ano já havia anunciado um programa de recompra de títulos com vencimento até 2010, agora pretende resgatar antecipadamente bônus em dólares e euros com vencimento até 2030. Sua intenção é reduzir o endividamento e alongar prazos de pagamento, reduzindo assim a percepção de risco do país. Segundo analistas, ontem houve um grande fluxo de entrada de dólares no mercado, o que também ajudou a baixar as cotações.
IPCA para 2006
As expectativas de mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2006 tiveram ligeira queda, de 4,32% para 4,31% na pesquisa do Banco Central (BC) divulgada ontem. Para 2007, o mercado manteve a projeção de 4,50% pela 42 semana seguida. O IPCA é o índice adotado pelo governo para medir a inflação oficial do País.
Estabilidade
As expectativas para o IPCA de 2006 segundo as instituições do Top 5 no cenário de médio prazo se mantiveram estáveis em 4,27%. Para os próximos 12 meses, a mediana das projeções suavizadas do mercado teve ligeira alta, passando de 4,20% para 4,12%.
Administrados
O mercado manteve inalteradas as projeções para alta dos preços administrados em 2006 e 2007, ambas em 4,50%. A revisão mais forte ocorrida nos índices de inflação ao consumidor foi no IPC-Fipe para 2006, cuja a mediana das estimativas recuou de 3,58% para 3,48%. Para 2007, a medida para este índice caiu de 4,40% para 4,33%.
Na Europa
As ações fecharam em queda na maior parte dos mercados europeus, com a apreciação do petróleo prejudicando os negócios. A queda das ações em Wall Street também ajudou a pressionar os mercados europeus. A bolsa de valores de Londres fechou em baixa de apenas 0,04%, enquanto Frankfurt caiu 1,16% e Paris recuou 0,88%. Na bolsa de Madri, o índice IBEX-35 fechou em queda de 0,64%. Em Milão, o índice Mib30 caiu 0,10%. Na bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 fechou em queda de 0,07%.
Petróleo
Os preços do petróleo subiram ontem em Nova Iorque, mas nem tanto como se podia imaginar, porque o mercado acabou amenizando a ameaça do Irã de suspender suas exportações do produto pelo Golfo Pérsico em caso de movimento errado dos Estados Unidos contra seu programa nuclear. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em julho ganhou 27 centavos, fechando a US$ 72,60.





