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Copom
Como já era esperado, as incertezas nos mercados financeiros fizeram com que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzisse a taxa básica de juros da economia em apenas meio ponto percentual, para 15,25% ao ano. A magnitude do corte é menor que os três anteriores (0,75 ponto). A instabilidade que tomou conta dos mercados financeiros desde a última semana colaboraram para essa decisão. Além disso, na ata da última reunião, realizada em abril, o comitê já havia alertado que agiria com maior ''parcimônia''.

Fed
Antes do anúncio do Copom, foi divulgada a ata da reunião do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano), que no último dia 10 aumentou de 4,75% ao ano para 5% ano a taxa de juros nos EUA - a 16 elevação consecutiva. O motivo da espera era saber se esse processo de ajuste terá prosseguimento.

Incertezas
De acordo com o documento do Fed, ainda há incerteza sobre a necessidade de um maior aperto monetário. Isso porque os mercados emergentes, como o do Brasil, são afetados quando os juros dos EUA sobem. Os grandes investidores preferem investir em títulos do tesouro norte-americano - considerados mais seguros.

Mais baixa
Apesar do corte menor na reunião de ontem, essa é a menor Selic em mais de cinco anos e também é a menor taxa nesse formato. A taxa de 15,25% foi praticada pela última vez na reunião de fevereiro de 2001. Desde o início do processo de redução dos juros, a Selic já caiu 4,5 pontos percentuais desde setembro do ano passado. Ao todo, foram oito cortes.

Perspectiva
Daqui para frente, o que irá determinar a continuidade desse processo é o comportamento da inflação. E a cotação do dólar tem influência sobre isso, já que os preços dos produtos, principalmente no atacado, são influenciados pela cotação da moeda norte-americana.

IPCA
A meta de inflação oficial é de 4,5% de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - com uma margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo. No último levantamento feito pela autoridade monetária, o mercado financeiro esperava uma inflação de 4,32%.

PIB
O crescimento de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano também foi levado em conta na decisão de ontem - o melhor desempenho desde o terceiro trimestre de 2004. Isso porque um crescimento acima do esperado pode provocar pressão nos preços internos.

Bem recebida
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro aumentou 1,4% no primeiro trimestre deste ano em relação aos últimos três meses de 2005. A taxa, levemente abaixo das expectativas dos economistas, significa um crescimento anualizado de 5,7%, e foi bem recebida pelo mercado.

Dólar
O dólar comercial iniciou a quarta-feira em queda mas mudou de tendência à tarde e fechou a R$ 2,324, com alta de 0,6%. A moeda norte-americana, que teve ontem a terceira alta consecutiva, acumula valorização de 11,3% em maio. Às 17h10, o risco Brasil caía 0,24%, a 268 pontos, e a Bovespa tinha alta de 0,75%, aos 36.688 pontos.

Banco Central
A atuação do Banco Central no câmbio pouco mexeu com as cotações. O BC realizou das 12h às 13h mais uma venda de contratos de swap cambial para instituições financeiras credenciadas. Pela operação, o BC dá a variação da taxa de câmbio no período e recebe juros, o que na prática equivale a uma venda de dólares pelo BC no mercado futuro. Dessa forma, quem tem medo de que as cotações subam muito fica protegido. Foram vendidos 8 mil contratos, com volume financeiro de US$ 399 milhões, mesmo resultado de ontem, quando a operação voltou a ser realizada depois de dois anos.


Inflação
Analistas dizem que o humor do mercado a partir de agora vai ser ditado pelos indicadores de inflação que saírem, pois o seu comportamento determinará novas elevações ou uma pausa no ciclo de aumentos - o último, de 0,25 ponto percentual, para 5% ao ano, foi o 16º consecutivo.

Exagero
''Ainda há potencial para volatilidade, mas é preciso ressaltar que o recente mau humor foi exagerado'', afirmou Jason Vieira, economista da consultoria GRC Visão. ''Uma correção de preços era natural depois que, no início de maio, a Bovespa se aproximou dos 42 mil pontos e o dólar caiu para o nível de R$ 2,05, porém houve um excesso.''

Consignado
O Conselho Nacional de Previdência Social aprovou ontem o teto de 2,9% para as taxas de juros dos empréstimos consignados a aposentados e pensionistas. Isso representa uma redução de quase 10% em relação à média ponderada das taxas cobradas pelos bancos conveniados com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para oferecer essa modalidade de crédito. O limite foi aprovado com apenas um voto contrário, de um representante dos bancos. Na reunião, também ficou acertado que o teto será revisto pelo conselho nos próximos dois meses.

Petróleo
Às vésperas da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em Caracas (capital da Venezuela) e com as declarações do governo americano, que admite negociar diretamente com o Irã sobre o programa nuclear do país, o preço do petróleo fechou em baixa ontem. O barril do petróleo cru para entrega em julho, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia cotado a US$ 71,29, baixa de 1,03%.

Das agências Estado e Folhapress

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