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Dia tenso
O mau humor dos investidores cresceu ontem enquanto eles aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a taxa básica de juros brasileira e da divulgação da ata da última reunião do Fed, hoje. No exterior, o clima também foi de pessimismo. A expectativa da maioria dos especialistas é de um corte de 0,5 ponto percentual da taxa Selic. Na ata do Fed, espera-se encontrar alguma indicação mais clara sobre o rumo dos juros. No dia 10, ocorreu a 16 elevação consecutiva da taxa, de 0,25 ponto percentual, para 5% ao ano.

Indicadores
O dólar comercial, que pela manhã chegou a subir até R$ 2,37, diminuiu o ritmo de alta e encerrou a terça-feira com elevação de 1,58%, vendido a R$ 2,31. No final do dia, o risco-país avançava 1,44%, para 281 pontos e a Bolsa de Valores de São Paulo, recuava 3,9%.

Câmbio
A moeda norte-americana desacelerou um pouco depois que o Banco Central anunciou uma operação para tentar segurar as cotações -neste mês, a elevação acumulada é de 10,63%. O BC realizou uma oferta, para instituições financeiras credenciadas, de contratos de swap cambial, o que não fazia desde 2004.

Operação
Foram vendidos todos os 8 mil contratos, com volume financeiro de US$ 399 milhões. Pela operação, o BC dá a variação da taxa de câmbio no período e recebe juros, o que na prática equivale a uma venda de dólares pelo BC no mercado futuro. Dessa forma, quem tem medo de que as cotações subam muito fica protegido e o BC consegue evitar maiores valorizações da moeda norte-americana.

Surpresa
A medida pegou de surpresa os analistas, os quais entendem que a intenção do BC é impedir que a elevação do dólar pressione a inflação. Hoje será feita outra operação do gênero, das 12h às 13h, com a oferta de mais 8 mil contratos.

Inflação
O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) fechou o mês de maio com alta de 0,38%, depois de ter registrado queda de 0,42% em abril. A elevação foi influenciada pelo aumento dos preços no atacado, especialmente dos combustíveis e lubrificantes para a produção, conforme divulgou ontem a Fundação Getúlio Vargas.

Referência
Usado como referência para o reajuste das tarifas de energia elétrica e de aluguéis, o IGP-M acumula no ano alta de 0,65%, mas nos 12 meses encerrados em abril a variação ficou negativa, em -0,33%. O IGP-M é composto por três indicadores: Índice de Preços no Atacado (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e pelo Índice Nacional de Custos da Construção (INCC).

Atacado
Em maio, o IPA, que responde por 60% do IGP-M, subiu 0,43%, depois de queda de 0,77% registrada no mês anterior. Além dos combustíveis, os produtos agrícolas também tiveram alta significativa nos preços. O reajuste foi de 1,16%, enquanto em abril a taxa havia ficado negativa (-3,25%).

Varejo
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor, que pesa 30% na composição do IGP-M, subiu 0,07%, menos do que a taxa de 0,22% registrada em abril. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o recuo foi puxado pela redução nos preços do álcool combustível, da gasolina e de produtos como arroz, feijão, hortaliças, legumes, frutas e adoçantes.

Construção
O custo da construção também ficou maior, com alta nos preços de materiais, mão-de-obra e serviços. O Índice Nacional de Custo da Construção, que pesa 10% na composição do IGP-M, passou de 0,21% em abril, para 0,81% em maio.

Otimismo
Os tempos atuais podem parecer bicudos por causa das incertezas que rondam os mercados mundiais mas as perspectivas econômicas do Brasil são promissoras para os próximos 15 anos. Essa é a avaliação de um estudo especial sobre o País elaborado pelo departamento de pesquisa do Deutsche Bank. O cenário mais provável elaborado pelo Deutsche prevê uma aceleração da atividade econômica do País, com média de 3,3% de crescimento anual do PIB ao longo dos próximos 15 anos. Caso as reformas nas áreas fiscal, tributária, regulatória e trabalhista - avancem em um ritmo muito mais veloz do que o previsto, o crescimento econômico poderia subir para 4%. No cenário mais negativo para o Brasil, considerado mais improvável no estudo, prevê um crescimento próximo da média dos últimos 15 anos, de 2,2%.


Petróleo
O petróleo fechou em alta nesta terça-feira com a volta dos temores geopolíticos pela crise iraniana e a publicação dos dados que confirmam o peso da demanda chinesa. No New York Mercantile Exchange, o barril de ''light sweet'' para entrega em julho subiu 66 centavos, fechando a US$ 72,03.

Das agências Estado, Folhapress e France Presse

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