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Atraídos pelas perspectivas de rendimentos maiores nos Estados Unidos, os investidores estrangeiros retiraram R$ 1,934 bilhão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) entre os dias 11 e 20 de maio. Segundo balanço divulgado ontem pela Bolsa, o saldo dos investimentos neste mês, que estava positivo em R$ 1,027 bilhão até o dia 10, passou a ficar negativo em R$ 907 milhões até o dia 20. As compras de ações somaram R$ 16,54 bilhões e as vendas alcançaram R$ 17,448 bilhões neste mês.
Inversão
A inversão da tendência do fluxo de investimentos aconteceu após o Federal Reserve não sinalizar uma pausa no aumento das taxas de juros nos Estados Unidos em sua reunião no começo deste mês, o que não era esperado pelo mercado. O comunicado do Fed desatou um movimento de migração de recursos investidos em países emergentes, entre eles, o Brasil, para a segurança dos títulos públicos americanos.
Desestímulo
Analistas afirmam que os juros maiores pagos por esses papéis desestimulam os investidores a correr riscos em mercados emergentes, já que as diferenças entre as taxas de remuneração pagas tende a ficar menor. No acumulado do ano, entretanto, o saldo dos investimentos estrangeiros na Bovespa continua positivo e totaliza R$ 2,317 bilhões.
Volatilidade
Ontem, a Bovespa diminuiu o ritmo de queda dos últimos dias com o estresse que afetou o mercado financeiro global: tendo recuado até o patamar mínimo de 34.911 pontos durante o pregão, fechou aos 35.791 pontos, com baixa de 0,88% e giro de R$ 3,376 bilhões. Essa foi sua sexta baixa seguida. Segundo analistas, a volatilidade deve se manter pelo menos até o final do mês, quando o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) divulga a ata da sua última reunião.
Boas oportunidades
O banco Morgan Stanley acredita que o mercado acionário brasileiro deve oferecer oportunidades atraentes depois do final da atual onda de volatilidade. ''A queda nos preços das commodities tem impacto menor no Brasil do que em seus vizinhos'', disse o chefe de pesquisa para América Latina do banco, Gray Newman, em nota para clientes .
Commodities
''Com os produtos não-manufaturados representando 45% do total de suas exportações, o Brasil não está predominantemente concentrado nas commodities, e sua economia está no meio de uma virada''. Segundo ele, as commodities representam 78% da base de exportações da Venezuela; 82%, do Chile; e 80%, do Peru.
Superávit
Newman observou que o superávit em conta corrente do Brasil é de cerca de 2% do PIB, graças, principalmente, à duplicação dos volumes exportados nos últimos anos. ''Enquanto isso, o juro está, agora, em 15,75%, e a inflação está na meta do Banco Central de 4,5%, e seguindo para baixo, acreditamos.''
Venda de ações
O analista disse que é preciso contextualizar o atual movimento de venda de ações. O mercado acionário brasileiro subiu 490% desde janeiro de 2003; o da Argentina, 294%; do México, 220%; e o da Colômbia, 716%. ''Em relação ao risco do crédito, os credit default swaps de cinco anos do Brasil despencaram de 2025 para um piso de 113 há um mês e meio, e mesmo após o movimento de venda, estão em apenas 175 pontos-base.''
Questão-chave
Segundo Gray, é fundamental acompanhar os preços das commodities daqui para frente, ''porque a questão-chave é se o que está acontecendo é simplesmente efeito de alguma pressão especulativa ou o indício de um desaquecimento global relevante''.
Dólar
A corrida dos investidores estrangeiros em busca de menores riscos fez o dólar comercial disparar 4,71% ontem, para R$ 2,40 - maior valor desde 26 de agosto do ano passado, quando estava cotado a R$ 2,403. Foi a quarta elevação consecutiva da moeda norte-americana e a mais alta variação percentual desde setembro de 2002. O risco-país no final da tarde subia 2,17%, para 282 pontos.
Nova Iorque
Na Bolsa de Nova Iorque, a divulgação pelo governo ontem de que os pedidos de bens duráveis desabaram 4,8% em abril, quando se esperava uma queda de 0,5%, fez aumentar as apostas de que o Fed vai interromper o ciclo de altas dos juros -a última foi a 16 consecutiva. O dado ajudou Wall Street a ter um dia menos negativo: o índice Dow Jones subiu 0,17% e o Nasdaq, 0,48%
Petróleo
A cotação do petróleo teve forte queda com a publicação dos dados sobre as reservas de petróleo e derivados nos Estados Unidos, que praticamente eliminaram os temores de escassez de gasolina neste verão no país. Em Nova Iorque, o barril de ''light sweet'' para entrega em julho caiu 1,90 dólar, fechando a US$ 69,86.
Das agências Estado, Folhapress e AFP





