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Invertendo tendência
Na última hora de negócios de ontem, o dólar comercial inverteu a tendência de queda que apresentava desde o início do dia e passou a subir. Fechou com alta de 0,13%, vendido a R$ 2,292, enquanto o risco-país caía 1,06%, para 276 pontos. Segundo analistas, as incertezas a respeito do rumo dos juros nos EUA ainda deixam os investidores cautelosos e impedem uma recuperação firme.
A Bovespa também perdeu o fôlego e, pouco antes do encerramento do pregão, caía 0,76%, para 36.216 pontos.

Estresse
''Acredito que um estresse tão forte como aquele visto ontem (segunda-feira) não deve se repetir'', afirmou Miriam Tavares, diretora de câmbio da corretora AGK. ''A não ser que haja uma nova sinalização contundente de alta maior do que a esperada dos juros americanos.''

Atenção
Por esse motivo, os indicadores econômicos são acompanhados com máxima atenção, e espera-se ansiosamente a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, em 31 de maio. Se houver indicações de que a taxa de juros tende a subir mais, o mercado pode se acomodar neste nível mais baixo. Ao contrário, se sinalizar uma pausa no ciclo de elevações, o bom humor de antes pode até ser retomado.

Efeito Fed
O clima negativo começou no último dia 10 de maio, quando o Fed decidiu aumentar em 0,25 ponto percentual, para 5% ao ano, a taxa básica de juros dos EUA. Essa medida era amplamente aguardada, mas a expectativa do mercado era de que houvesse uma sinalização de interrupção do ciclo de altas - a última foi a 16 consecutiva. Entretanto, o Fed disse, em nota, que outras elevações ainda podem ser feitas dependendo do comportamento dos indicadores econômicos.

Treasuries
Quando os juros nos EUA sobem, os grandes investidores internacionais abandonam suas aplicações em mercados emergentes, como o brasileiro, em busca de ativos de menor risco - dos quais os treasuries (títulos do tesouro norte-americano) são o melhor exemplo. O rendimento dos treasuries de 10 anos subiam para 5,06% ao ano ontem.

Segurança
Esse é o movimento que tem sido observado nos últimos dias, uma realocação de portfólios buscando mais segurança em tempos de crescimento da inflação e dos juros nas economias centrais, com um desaquecimento global. ''No final do dia, a liquidez do mercado de câmbio também diminuiu um pouco, o que ajuda a explicar a inversão do rumo do dólar'', disse Adilson Góes, diretor-adjunto da corretora Levycam. Na opinião dos analistas, a moeda deve variar entre R$ 2,25 e R$ 2,30 no curto prazo. Ontem, o dólar paralelo subiu 0,82%, para R$ 2,44, e o turismo teve queda de 1,66%, para R$ 2,36.

Petróleo
O petróleo fechou em alta diante dos riscos de uma temporada ativa de furacões nos Estados Unidos, que pode afetar novamente a infra-estrutura de petróleo na região do Golfo do México, ainda danificada pelos furacões do verão passado. Em Nova York, o barril de ''light sweet'' para entrega em julho subiu 1,80 dólar, fechando a US$ 71,76 depois de ter caído segunda-feira durante a sessão a US$ 67,42, seu nível mais baixo desde 7 de abril.


China
O crescimento da economia da China deve se manter próximo 10% até 2007, mas os produtos chineses correm o risco de serem atingidos por maior protecionismo nos mercados externos e de superaquecimento em alguns setores, informou ontem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). ''Com políticas orçamentária e monetária próximas da neutralidade e uma moeda cuja valorização deverá ser modesta, o crescimento (econômico da China) deve manter-se em um ritmo sustentado, perto dos 10%'', segundo a organização.

'Modesta'
A China deve registrar neste ano um crescimento de 9,7% (contra uma previsão inicial de 9,4%, divulgada em novembro do ano passado) e de 9,5% em 2007 (sem alteração em relação à previsão anterior). A valorização ''modesta'' do yuan (moeda corrente chinesa) terá um impacto moderado sobre a economia chinesa e trará alguma desaceleração à atividade econômica, informou a OCDE.

Riscos
De acordo com a organização, o modelo de crescimento chinês -impulsionado por exportações e investimentos- apresenta riscos para o país, entre eles o de que o país possa enfrentar um ''crescente protecionismo, no momento em que o país surge como segundo maior exportador mundial''. O setor imobiliário na China também pode apresentar um risco para a economia chinesa, informou a OCDE. ''A abundância de liquidez no âmbito interno gera o risco de uma expansão exagerada no setor imobiliário.'' A China não é um membro da OCDE - grupo que reúne 30 países ricos.

Prêmio
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, recebeu na noite de segunda-feira das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prêmio ABDI de Política Industrial. O prêmio é concedido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) às personalidades que se destacaram na implementação da política industrial brasileira. A homenagem foi durante a abertura do Seminário Internacional Celso Furtado de Política Industrial, realizado no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, promovido em parceria pela ABDI e a Comissão Econômica da ONU para América Latina e Caribe (Cepal).

Das agências Estado, Folhapress e AFP

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