SOBE
Dólar

DESCE
Petróleo

Bovespa
Na terceira queda consecutiva, a Bovespa recuou ontem 0,19%, com giro de R$ 2,832 bilhões. Na semana, a Bolsa acumula baixa 6,16% e, desde o dia 10, as perdas são de 10,11%. Pela manhã, até houve uma tentativa de recuperação, amplamente aguardada, porém a volatilidade da Bolsa de Nova York impediu que ela se sustentasse.

Temor
O mercado teme uma aceleração da inflação nos EUA e a continuidade do ciclo de alta dos juros norte-americanos - aumentados em 0,25 ponto percentual na semana passada, estão atualmente em 5% ao ano. Quando eles sobem, os investidores internacionais abandonam suas aplicações em mercados emergentes, como o brasileiro, em busca de menores riscos.

Mau humor
Os especialistas ressaltam que o mau humor é devido ao cenário externo -os fundamentos da economia brasileira continuam positivos e o desempenho das empresas, também. No exterior, os preços do petróleo recuaram para o nível de US$ 68 o barril. Os rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) caíram para 5,04% no ano.

Acabou a festa?
A pergunta que vem tirando o sono dos investidores é: Acabou a festa dos emergentes? Após passar cerca de três anos acumulando fortes ganhos na esteira de juros baixos nos países ricos, uma economia global em forte crescimento e preços das commodities quebrando sucessivos recordes de alta, os ativos dos países emergentes registraram ao longo da última semana perdas substanciais embora - importante ressaltar - muito inferiores se comparadas às correções do passado.


Nervosismo
Os mercados esboçam uma recuperação, mas o nervosismo continua nas mesas de operação dos bancos e fundos de investimentos estrangeiros. Muitos adotaram posições defensivas em seus portfólios dedicados aos emergentes. Cautela é a palavra de ordem nos mercados, que estão divididos.

Divergências
Analistas estrangeiros demonstram visões divergentes sobre as perspectivas para os emergentes. Alguns mantêm uma visão razoavelmente otimista, apostando que estamos diante de apenas mais uma correção que será sucedida por uma recuperação dos preços dos ativos. Outros temem que os tempos de bonança podem ter terminado e que a aversão ao risco entre os investidores continuará causando estragos.

Dias intensos
Os últimos dias foram os mais intensos dos últimos tempos para os mercados globais. ''Foram dias malucos'', é o comentário unânime entre os analistas. Temores de um maior aperto monetário nos Estados Unidos, Japão e Europa somou-se ao temor de crescente pressão inflacionária. Os dois aumentaram a aversão ao risco, elevando os spreads dos títulos da dívida emergente e pressionado suas moedas. Brasil, Turquia, México e Indonésia estiveram entre as maiores vítimas da volatilidade.

Trajetória
O dólar norte-americano continuou sua trajetória de queda diante do euro e outras moedas fortes. É consenso entre analistas que essa tendência de reprecificação do dólar ainda está longe de ser encerrada.

Commodities
Os preços das commodities também sofreram perdas, com o cobre e ouro sendo os mais atingidos pela fuga dos investidores. O preço do barril do petróleo caiu da faixa dos US$ 73 por barril para quase US$ 68. Além disso, como observou Jerome Booth, diretor de um dos maiores fundos dedicados a emergentes do mundo, ''a combinação de um dólar mais fraco, juros em alta, e preços de commodities em queda gerou um movimento de venda nos mercados acionários devido ao aumento da aversão ao risco''.

Câmbio
O dólar comercial teve ontem a sexta alta em sete dias. Avançou 1,6%, para R$ 2,21 - maior valor desde 29 de março. Na semana, a alta acumulada é de 3,03%.
O risco Brasil, no final da tarde, avançava 2,34%, para 262 pontos.

Flexibilização
A notícia de que o governo estuda antecipar a flexibilização cambial para tentar conter a queda da moeda norte-americana também ajudou a fazer as cotações avançarem um pouco, enquanto o mercado discute o seu impacto. Para analistas, é o cenário externo que continua ditando o humor dos investidores, mas no médio e no longo prazo as medidas -dentre as quais, o fim da cobertura cambial, ou seja, da obrigação de as empresas exportadoras trazerem para o país as receitas de vendas para outros países- podem ajudar a segurar o dólar no médio e longo prazo.

Oscilações
Nos próximos dias, a moeda norte-americana deve oscilar perto de R$ 2,15, sem força para subir muito acima de R$ 2,20 mas também sem voltar para baixo de R$ 2,10. O dólar paralelo ficou estável a R$ 2,33 e o turismo subiu 0,43%, para R$ 2,29.


Das agências Estado e Folhapress

mockup