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Efeito EUA
A notícia de que a inflação ao consumidor dos EUA ficou em 0,6% em abril, enquanto os economistas esperavam 0,5%, deixou os investidores bastante pessimistas. No exterior, o clima também ficou negativo. As bolsas européias sofreram sua maior queda dos últimos três anos e meio, segundo o Financial Times (www.ft.com).

Temores
O índice que saiu ontem alimentou os temores de que o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) aumente novamente a taxa de juros dos EUA na sua próxima reunião, em 29 de junho. Na semana passada, os juros foram elevados em 0,25 ponto percentual, para 5% ao ano, e a autoridade monetária alertou que poderia haver novas altas dependendo do comportamento dos indicadores econômicos. Quando os juros nos EUA sobem, os investidores abandonam suas aplicações em mercados como o brasileiro em busca de menores riscos, daí o nervosismo que essa perspectiva provoca.

Bovespa
Na quinta baixa em seis dias, a Bolsa de Valores de São Paulo caiu 2,86% ontem, com giro de R$ 3,033 bilhões. Desde a última quarta-feira, a queda acumulada pela Bolsa é de 8,79%. A Bolsa de Nova York e as principais Bolsas do mundo também recuaram.

Câmbio
O dólar comercial disparou 3,27% e terminou a quarta-feira vendido a R$ 2,205 - maior valor desde 29 de março, quando esteve cotado a R$ 2,214. A moeda norte-americana acompanhou o risco-país, que no final da tarde disparava 5,8%, para 255 pontos, indicando um forte movimento de venda de títulos brasileiros.

Selic
Analistas já dizem que o pessimismo dos últimos dias pode fazer com que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em vez de cortar a Selic (taxa básica de juros da economia) em 0,75 ponto percentual na reunião de 30 e 31 de maio, como esperado, reduza-a em apenas 0,5 ponto percentual, para 15,25% ao ano.


Petróleo
O petróleo manteve a trajetória de queda e fechou abaixo dos US$ 69 ontem. Os investidores primeiro reagiram com desconfiança, devido ao crescimento menor que o esperado nas reservas de petróleo nos EUA, mas entenderam que o aumento de estoques foi uma notícia positiva. O barril do petróleo cru para entrega em junho, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia cotado a US$ 68,69, queda de 1,21%.


Lucro da Caixa
A Caixa Econômica Federal teve lucro recorde de R$ 700 milhões no primeiro trimestre deste ano. Em relação ao ano passado, o lucro da Caixa no primeiro trimestre apresentou crescimento de 47,3%. De acordo com a instituição, as receitas com operações de crédito tiveram expansão de 31% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. O crédito comercial da CEF, por sua vez, apresentou aumento de 37%.

Dívida 1
A dívida pública do governo em títulos públicos caiu R$ 19 bilhões em apenas um mês. Entre março e abril, a queda foi de 1,8% e a dívida mobiliária chegou a R$ 1,002 trilhão. A queda ocorreu mesmo com o resgate líquido - quando os resgates superam as emissões de novos papéis - de R$ 26,9 bilhões, segundo nota conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central. Esses resgates foram bem superiores ao impacto dos juros para o crescimento da dívida -por isso, a dívida diminuiu.

Dívida 2
No mês passado, a parcela da dívida que é atrelada à taxa básica de juros da economia brasileira (Selic), também chamada de pós-fixada, subiu de 49,55% para 49,98% do total. Para dar mais previsibilidade aos pagamentos, é importante para o governo reduzir esse tipo de dívida. Já a parcela da dívida prefixada caiu de 28,75% para 27,61%. Nesse tipo de papel, é possível saber antes o quanto se vai pagar no vencimento dos títulos. Em relação à dívida indexada a índices de preços, o total subiu de 21,23% para 21,94%.

Dívida 3
O montante da dívida atrelado ao dólar agora está negativo em 1,63%, levando em conta as operações de ''swap reverso'' -o governo paga juros e, em troca, recebe a variação do dólar. Com isso, o governo tem créditos a receber em dólar.

Risco AL
O ''risco América Latina'' está de volta. Os investidores e analistas estrangeiros acompanham com preocupação os recentes acontecimentos na região. Desde a crise Argentina, em 2001, a América Latina não havia sido alvo de tantas análises de bancos, de fundos de investimento e de reportagens na mídia mundial. Nem mesmo a derrocada da economia argentina e o pavor causado pela perspectiva da vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 foram vistos, na época, como eventos capazes de causar uma crise sistêmica na região.

Agenda
Mas, dessa vez, os sinais são mais preocupantes. Fazem parte da agenda de preocupações: a crescente influência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez; a nacionalização das reservas de gás na Bolívia; os sinais de que a tendência poderá se alastrar para outros países, como o Equador; a disputa entre a Argentina e o Uruguai em torno de uma fábrica de celulose; e a proximidade de eleições presidenciais importantes, entre elas no Peru, México e Brasil.


Demissões
Vinte e oito pessoas teriam sido demitidas ontem da fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo Gilson Ricardo Santos Batista, coordenador da Comissão Interna dos Funcionários, do último dia 2 até ontem, mais de 50 pessoas já teriam sido demitidas. A informação não foi confirmada à noite pela assessoria de imprensa da montadora. Hoje, sindicato e comissão dos funcionários fariam um protesto na porta da fábrica, a partir das 5h30 da manhã. Recentemente, a montadora anunciou um plano de reestruturação em todo o Brasil e confirmou a demissão de empregados.


Das agências Estado, Folhapress e AFP

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