MERCADO FINANCEIRO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de maio de 2006
Das agências Estado, Folhapress e AFP 
Câmbio
Acompanhando o risco-país, que no final da tarde recuava 3,6%, para 241 pontos, o dólar comercial terminou o dia em baixa de 2,33%, vendido a R$ 2,135. A tranquilidade no cenário externo explica a desvalorização de ontem -depois de três dias de pessimismo, o mercado realizou um movimento de correção dos exageros dos últimos dias. Se vai continuar, depende dos indicadores econômicos a serem divulgados. O Banco Central voltou a realizar um leilão de compra de divisas ontem. O dólar paralelo recuou 1,27%, para R$ 2,32, e o turismo teve baixa de 1,76%, a R$ 2,23. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com alta de 0,37%.
Preços no atacado
Ontem saiu o PPI (índice de preços no atacado) dos EUA. O índice ficou em 0,9% em abril, ligeiramente acima das projeções dos economistas, de 0,8%, mas o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, ficou em 0,1%, quando se esperava 0,2%. Hohe sai o CPI (índice de preços ao consumidor) referente ao mês passado. Esses números vão alimentando a discussão a respeito dos rumos dos juros norte-americanos -que na semana passada foram aumentados em 0,25 ponto percentual, para 5% ao ano- e devem ditar o humor dos investidores.
Petróleo
Os preços do petróleo subiram levemente mas se mantiveram abaixo dos US$ 70, e os rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) caíram para 5,1% ao ano.
Petrobras
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, admitiu ontem, durante
audiência pública na Comissão de Relações Exteriores no Senado, a possibilidade de a estatal deixar de atuar na atividade de refino na Bolívia. Além de não realizar mais investimentos na Bolívia, a Petrobras cogita também reduzir parte das atividades realizadas e já possui um plano de contingenciamento em caso de problemas com o fornecimento de gás do país vizinho.
Possibilidades
''A depender das negociações, podemos até analisar a possibilidade de estarmos ausente do refino boliviano, se não nos interessar enquanto empresa'', disse Gabrielli, ao comentar que serão analisadas também as condições sociais e ambientais e o nível de qualidade na atuação das refinarias após a transferência do controle para a estatal boliviana YPFB.
Indenização
O presidente da Petrobras disse que a nacionalização é legal e legítima, mas destacou que a própria Constituição boliviana estabelece que a transferência de ações deve ser feita mediante ''indenização prévia e justa''. Segundo ele, a Bolívia reconhece a necessidade de uma indenização para aquisição do controle das refinarias, mas além da questão econômica será analisada também aspectos operacionais, como relações de trabalho nas refinarias, políticas de segurança e meio ambiente, entre outras questões.
Postura
O presidente da Petrobras destacou que a empresa mantém uma postura aberta a negociações, mas que pretende defender os seus interesses. Ele reafirmou que a estatal brasileira não fará novos investimentos na Bolívia.
Fornecimento
Apesar de acreditar que não há risco de interrupção do fornecimento de gás da Bolívia para o Brasil, Gabrielli informou que a Petrobras possui um plano de contingência. Neste plano, está prevista a redução do uso de gás pela própria Petrobras, a substituição por óleo combustível e GLP (gás liquefeito de petróleo), a aceleração da produção nacional de gás natural, o uso mais intenso de biocombustíveis e estudos para regaseificação do GNL (gás natural liquefeito).
Transtorno
Alertou, no entanto, que a interrupção do fornecimento do gás representaria um transtorno muito maior para os próprios bolivianos. Isso porque as refinarias do país produzem derivados (gasolina, diesel, entre outros) a partir do condensado de petróleo que, por sua vez, é produzido associado ao gás natural. Se não houver mercado para o gás, a produção deste condensado, e consequentemente dos derivados, ficaria comprometida.
Wal-Mart
A Wal-Mart Stores, maior rede varejista do mundo, anunciou ontem um lucro de US$ 2,615 bilhões no primeiro trimestre deste ano, em alta de 6,3% na comparação com o ano anterior. O lucro chegou a 63 centavos de dólar por ação, dois centavos acima das previsões do Wall Street. Os dividendos aumentaram 12%, ficando em US$ 8,47 bilhões, superando também as estimativas dos analistas.
Metas
''Estamos muito satisfeitos com o começo deste ano fiscal. Continuamos registrando recordes de vendas e ganhos, e o desempenho de nossas atividades foi o melhor de muitos trimestre'', comentou Lee Scott, presidente da Wal-Mart. Segundo ele, o sucesso do trimestre resultou da prioridade do grupo em três metas fundamentais: orientar as vendas, reduzir os custos e melhorar a administração das atividades.
Mittal e Arcelor
As autoridades dos mercados financeiros de três países europeus deram sinal verde ontem a uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) do gigante do aço Mittal sobre a Arcelor, mas a operação continua sendo incerta. As Bolsas de Luxemburgo, França e Bélgica aprovaram as modalidades da proposta da Mittal, que será reapresentada entre 18 de maio e 29 de junho, anunciaram em comunicado.


