Cenário internacional


O cenário internacional voltou a determinar o comportamento do mercado financeiro ontem. Nos Estados Unidos, a preocupação com a inflação cresceu ainda mais depois de o Departamento do Trabalho informar que os preços das importações norte-americanas subiram 2,1% no mês passado. Os economistas previam alta de 1,2%.


Inflação pressiona juros

A preocupação com a inflação, mais uma vez, pressionou os juros pagos pelos títulos do Tesouro norte-americano e derrubou as bolsas em Wall Street. o juro do T-Note 10 anos disparou para fechar a 5,189%, na comparação com os 5,156% do dia 11.


Risco Brasil dispara

Como na próxima terça-feira (16) haverá discurso do presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), Ben Bernanke, e será anunciado o índice de inflação ao produtor norte-americano (PPI) e, na Quarta-feira (17), sairá o índice de inflação ao consumidor (CPI), a perspectiva é de que as taxas de juros dos títulos continue voláteis, influenciando os demais mercados. Ontem, o risco Brasil disparou 12 pontos, sendo cotado a 234 pontos.


IGP-M acima das expectativas

Além do cenário externo mais volátil, o mercado brasileiro acabou surpreendido pela primeira prévia do IGP-M, que ficou acima das estimativas dos analistas.
Internamente, a divulgação da primeira prévia do IGP-M de maio também não trouxe alívio. O índice registrou alta de 0,21%, e ficou acima do teto das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado.
Na semana que vem, está prevista a divulgação do IPC-S, na Terça-feira (16), pela FGV; do IPC-Fipe de maio, na quinta (18)); e, por fim, na sexta (19), do IGP-10.


Dólar valorizado

Pelo segundo dia consecutivo, o dólar registrou forte valorização. Nos contratos de DI, os juros futuros subiram mais um pouco. E a Bovespa, que voltou a fechar em baixa, encerrou a semana em queda de 2,91% no período.


Câmbio

O dólar pronto voltou a acompanhar a escalada dos juros dos Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano), que afetou negativamente as bolsas, o mercado de moedas no globo e o risco Brasil. Internamente, a recente agressividade do Banco Central na compra de dólar também justificou a continuidade do forte ajuste de posições em câmbio futuro por hedge funds estrangeiros, entre outros investidores. O dólar pronto fechou com alta de 2%, cotado a R$ 2,143 na roda da BM&F, e a R$ 2,144 (+2,05%) no balcão. Nos últimos dois dias, o dólar acumulou uma valorização de 4,03% na roda da BM&F e de 4,08% no balcão. No mês, a alta é de 2,73% e, no ano, a queda reduziu-se a -7,78%.


Giro

O giro do mercado futuro aumentou 39%, para US$ 18,63 bilhões, com 363.186 contratos negociados. Os dez vencimentos de dólar futuro projetaram expressivas altas: para 1º de junho/06, +2,26%, a R$ 2,156; e para 1º de março/07, +1,58%, a R$ 2,285. No leilão de ontem, em que aceitou apenas uma proposta à menor taxa pedida pelos dealers, o BC não deve ter adquirido menos de US$ 5 milhões, estimou um operador.Neste momento, os estrangeiros estão assumindo posições compradas em câmbio, seguindo os passos do BC, observou um operador. Mas, por trás desse movimento, afirma, há a perspectiva de que o Copom poderá reduzir o ritmo de corte do juro na reunião do fim deste mês, nos dias 30 e 31/5.


Juros

As taxas de juros futuras subiram, pressionadas pelo cenário internacional. Na BM&F, o DI com vencimento em janeiro/08 fechou com taxa de 14,92% (14,77% ontem); DI janeiro/07, 14,81% (14,78% ontem); e DI janeiro/09, 15,16% (14,95%).


Conta-gotas

''Quando o mercado melhora, é a conta-gotas; quando piora, é de uma vez'', definiu um operador. Outro preferiu dizer que ocorreu ''uma piora em todos os mercados emergentes, e aqui não foi diferente''.


Bolsa

A Bovespa voltou a cair. O motivo permaneceu o mesmo da última quinta-feira: a instabilidade do mercado internacional.


Bovespa fecha em baixa

O Índice Bovespa fechou em baixa de 1,55%, com 40.211 pontos. Operou entre a máxima de 40.862 pontos (+0,04%), e a mínima de 39.862 pontos (-2,41%). O volume financeiro desta sexta-feira foi de R$ 2,726 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou perdas de 2,91%. No mês, a queda é de 0,37%. No ano, porém, o resultado ainda é bastante positivo: 20,19%.


Maiores e menores altas

Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Light ON (+1,78%), Perdigão ON (+1,75%) e Contax ON (+0,79%). As maiores baixas: Vivo PN (-6,56%), Telesp PN (-5,26%) e Arcelor Brasil ON (-5,13%).


Varig

A Varig registrou prejuízo líquido de R$ 1,476 bilhão em 2005, o que representa um aumento de 1.594% sobre o prejuízo de R$ 87,167 milhões apurado em 2004. A receita líquida caiu 11,12%, para R$ 6,644 bilhões. O lucro bruto ficou em R$ 1,133 bilhão, com baixa de 42,83%. O resultado antes de impostos e juros (Ebit) ficou negativo em R$ 97,928 milhões no ano passado, ante resultado positivo de R$ 453,355 milhões em 2004.


Despesas

As despesas financeiras líquidas caíram 28,23%, para R$ 393,180 milhões. A Varig contabilizou outros R$ 673,824 milhões como ''outras despesas operacionais líquidas''. O prejuízo operacional atingiu R$ 1,291 bilhão, com aumento de 1.686%.


Passivo

Em 31 de dezembro, a companhia tinha um passivo a descoberto de R$ 7,920 bilhões. Os dados são da controladora (não incluem Nordeste e Rio Sul), conforme a legislação societária brasileira.

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