Dia de mau humor

Acompanhando o forte mau humor em Nova York, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 2,16% ontem, para 40.847 pontos, com giro de R$ 3,156 bilhões. O mercado discutiu os rumos da política monetária dos EUA no dia seguinte à reunião em que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) decepcionou o mercado ao não dar indicações sobre o assunto.


Sinalização

Na quarta-feira, o Fed aumentou em 0,25 ponto percentual, para 5% ao ano, a taxa de juros dos EUA e disse que novas elevações podem ser necessárias, dependendo do comportamento dos índices de inflação. O mercado esperava uma sinalização de que, depois dessa alta, a 16 consecutiva, será feita uma pausa, e essa expectativa tem alimentado a euforia dos investidores nas últimas sessões.


Nos EUA

A Bolsa de Nova York caiu 1,22%, para 11.500 pontos, enquanto os preços do petróleo avançaram - o barril terminou o dia perto dos US$ 74 - e os rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) subiram para 5,15% ao ano. Os investidores temem que os preços de commodities e de energia pressionem a inflação e motivem o Fed a continuar aumentando os juros para contê-la.


Investidores

Quando a taxa dos EUA sobe, atrai investidores que abandonam suas aplicações em mercados como o brasileiro em busca de menores riscos. Com essa preocupação no ar, a Bovespa não encontra forças para continuar na trajetória de alta em que vinha recentemente.


Ações

O pessimismo encobriu as boas notícias corporativas do dia, como o crescimento de 354,7% do lucro líquido que a Ambev obteve no primeiro trimestre. Suas ações, que durante o pregão chegaram à máxima de R$ 1.050, fecharam em baixa de 2%, vendidas a R$ 979. Os ganhos da companhia chegaram a R$ 655,9 milhões no período.


Vale

Os papéis preferenciais da Companhia Vale do Rio Doce recuaram 0,15%, para R$ 97,90, e os ordinários tiveram baixa de 1,57%, a R$ 117,21. A empresa obteve lucro líquido de R$ 2,184 bilhões no primeiro trimestre do ano, 35,3% mais do que em igual período de 2005 - resultado de acordo com as previsões dos analistas. A afirmação de Tito Martins, diretor-executivo de assuntos corporativos da Vale, de que a companhia estuda pedir um reajuste de mais de 24,6% para renovar contratos de fornecimento de minério de ferro com siderúrgicas chinesas foi ignorada por causa do clima negativo no mercado.


UOL

As ações do UOL - no qual os grupos Folha e Portugal Telecom têm participação - caíram 5,06%, a R$ 15. O lucro líquido do portal caiu 49% no primeiro trimestre do ano em relação a mesmo período de 2005, a R$ 20,5 milhões. Os papéis do Unibanco perderam 1,45%, a R$ 34,50. No primeiro trimestre, o Unibanco teve lucro líquido de R$ 520 milhões, com aumento de 29,7% em relação ao mesmo período do ano passado.


Dólar

O dólar comercial avançou 2,03%, fechando a R$ 2,103. Às 17h16, o risco-
país tinha alta de 3,23% aos 223 pontos.''A valorização da moeda norte-americana pode ser explicada por esses fatores, mas ainda não dá para dizer que se trata de uma tendência'', afirma Adilson Góes, diretor-adjunto da corretora Levycam. ''É preciso observar por mais alguns dias para saber para onde vai o dólar.''


BC

No final da tarde, o Banco Central também comprou divisas, ajudando a
pressionar as cotações. O mercado espera uma atuação mais agressiva no BC para tentar conter a queda do dólar. ''Entretanto, o fluxo de entrada de recursos no país continua bastante elevado'', diz Góes. O dólar paralelo ficou estável a R$ 2,32 e o turismo avançou 1,86%, a R$ 2,19.


Contas públicas

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que ''em hipótese
nenhuma'' o governo fará um superávit primário menor do que 4,25% do PIB. Ele sugeriu que esse superávit pode ser um pouco maior, como tem ocorrido nos últimos anos. No caso específico do governo federal, que formalmente é responsável por 2,45% do PIB na meta de 4,25%, Bernardo lembrou que o governo já decidiu fazer um esforço de 0,2% do PIB maior para compensar uma eventual frustração do resultado de Estados e municípios em função das eleições. ''O governo federal já decidiu fazer preventivamente um superávit de 0,2% do PIB maior'', afirmou.


BNDES 1

O BNDES aderiu à operação de incorporação da Brasil Ferrovias pela ALL. Segundo nota do banco estatal de fomento divulgada ontem, a operação prevê a troca da totalidade da participação do BNDES na Brasil Ferrovias por ações da ALL negociadas na Bovespa, criando assim, a maior operadora de logística ferroviária da América Latina. Por sua participação na Brasil Ferrovias, o BNDES receberá R$ 1 bilhão em ações da ALL, segundo a nota. A operação foi aprovada ontem pela diretoria do banco.


BNDES 2

O presidente do BNDES, Demian Fiocca, anunciou um pacote de medidas para simplificar o crédito a pequenas e médias empresas, que é repassado por outras instituições financeiras. O BNDES vai parar de determinar ao agente financeiro regras de garantias a aceitar ou recusar e as garantias podem até ser dispensadas, a critério do repassador. Fioca também disse que os desembolsos do BNDES ''cresceram bastante em abril deste ano em relação a abril do ano passado, dando um sinal diferente do primeiro trimestre''. Ele não informou os números de abril, que devem ser divulgados nos próximos dias.


Inflação

Para 50 bancos consultados pela Febraban, a inflação medida pelo IPCA - índice adotado pelo governo para medir a inflação oficial - em 2006 deve fechar em 4,37%, ou 0,13 ponto porcentual abaixo do centro da meta de 4,50% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. A taxa esperada pelos bancos, contudo, está acima da mediana das expectativas de 100 instituições consultadas pelo Banco Central (Pesquisa Focus) para o IPCA no encerramento deste ano, de 4,33%.

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