Reação ao payroll

Os números sobre criação de empregos nos EUA (payroll) em abril foram determinantes para os mercados de ações e de câmbio no Brasil ontem. O indicador americano sinalizou que há pouco espaço para alta dos juros nos EUA. As bolsas subiram e os juros caíram em Wall Street. O dólar também caiu nos mercados internacionais, influenciando diretamente no mercado de câmbio brasileiro. Nem mesmo as compras da moeda pelo Banco Central (BC) conseguiram sustentar as cotações ante o real. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por sua vez, fechou no 21º recorde de pontuação do ano. O capital externo continua forte na bolsa.


Bovespa

Pela segunda vez na semana a Bovespa quebrou seu recorde histórico. Acompanhando o otimismo no mercado acionário norte-americano, a Bolsa brasileira avançou 1,07% ontem, para 41.417 pontos, com giro de R$ 3,198 bilhões.


Trabalho

O principal motivo para essa elevação foram os indicadores sobre o mercado de trabalho dos EUA, que, divulgados logo pela manhã, reforçaram as apostas de uma interrupção da série de aumentos dos juros norte-americanos. Nos últimos pregões, é essa expectativa que tem impulsionado a Bovespa, que acumula alta de 2,61% na semana.


Novos postos

Segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, em abril foram criados 138 mil novos postos de trabalho, quando se esperava 200 mil vagas. A taxa de desemprego se manteve em 4,7%. A expectativa do mercado é de que, depois de aumentar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual neste mês, para 5% ao ano, o Federal Reserve (banco central norte-americano) faça uma pausa. Quando os juros dos EUA sobem, investidores abandonam suas aplicações em mercados como o brasileiro em busca de menores riscos, daí o nervosismo que sua elevação provoca.


Tendência

''A Bovespa mantém a tendência de alta e nos próximos dias deve testar o
patamar de 44 mil pontos'', afirmou Luiz Roberto Monteiro, assessor de
investimentos da corretora Souza Barros.


Resultados

TIM, Grendene e TAM divulgaram seus resultados relativos ao primeiro trimestre do ano. A TIM teve prejuízo líquido de R$ 151,757 milhões, e seus papéis ordinários caíram 2,84%, para R$ 9,90, enquanto os preferenciais tiveram baixa de 6,07%, a R$ 7,89. A TAM registrou lucro líquido de R$ 111,241 milhões no período. Suas ações avançaram 1,04%, para R$ 57,80.


Grendene

O lucro líquido da Grendene ficou em R$ 18,951 milhões no primeiro trimestre, um alta de quase 40% em relação ao mesmo período de 2005.
Suas ações dispararam 14,64%, para R$ 19,49.


Varig

As ações da Varig, cuja recente valorização a Comissão de Valores mobiliários (CVM) vai investigar, caíram 31,69%, para R$ 4,85. Outras baixas foram Vivo PN (-7,04%), Tim Par PN (-6,07%) e Contax PN (-4,62%).


Câmbio

O dólar comercial terminou o dia em queda de 0,72%, vendido a R$ 2,056 -menor valor desde 9 de março de 2001. Às 17h04, o risco-país ficava estável aos 216 pontos. ''No exterior, o dólar também se desvalorizou ante o euro e o iene hoje (ontem)'', afirmou Reginaldo Siaca, gerente de câmbio da corretora TOV.


Atuação do BC

O mercado financeiro local está esperando, ainda, uma atuação mais forte do Banco Central no câmbio, depois de as cotações do dólar registrarem forte queda nos últimos dias. Só nesta semana a baixa acumulada é de 1,53%. Como o fluxo de entrada de recursos no mercado se mantém elevado, a tendência é de maiores desvalorizações - no curto prazo, a moeda deve oscilar entre R$ 2,05 e R$ 2,10.


Leilão

No meio da tarde, o BC realizou um leilão de compra de divisas no mercado à vista, mas depois da operação as cotações mantiveram a tendência de queda.


Petróleo

Os preços do petróleo tiveram leve alta, fechando pouco acima dos US$ 70, e os rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) caíram para 5,11% ao ano.


Wall Street

O índice Dow Jones fechou em alta de 1,21%. O Nasdaq fechou em alta de 0,80%. O Standard & Poor’s-500 subiu 1,03%. Na semana, o Dow acumulou uma alta de 1,85%, o Nasdaq, um ganho de 0,86% e o S&P-500, um avanço de 1,16%.Das 30 componentes do índice Dow Jones, 28 fecharam em alta, com destaque para as ações de empresas mais sensíveis ao ambiente de juros, como JP Morgan Chase (+2,10%), American Express (+1,9%) e Home Depot (+2,56%). As da Exxon Mobil subiram 1,09%, em dia de recuperação dos preços do petróleo. As da Hewlett-Packard, que lança uma grande campanha publicitária na próxima semana, avançaram 1,74%. O mercado reagiu ao fato de o número de postos de trabalho criados em abril ter ficado abaixo das previsões.

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