IGPs

Pela primeira vez desde que começou a ser medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1989, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou em abril deflação acumulada em 12 meses. Segundo estudo da consultoria Economática, de abril de 2005 a abril de 2006 a deflação acumulada foi de 0,919%. Em março, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) havia atingido a sua primeira deflação acumulada em 12 meses, de 0,282%.


Desvalorização

''A longa trajetória de queda dos indicadores se explica principalmente pela desvalorização do dólar no período'', explica Fernando Exel, presidente da Economática. Em 12 meses até abril, o dólar comercial recuou 27,9% ante o real. A medição dos IGPs considera produtos cujos preços são fortemente influenciados pela taxa de câmbio, como commodities agrícolas (soja, milho, café) e metálicas (minério de ferro, aço).


IPCA

Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nunca registrou deflação acumulada em 12 meses. Os indicadores de preços ao consumidor também têm baixa quando a moeda norte-americana se desvaloriza, mas não na mesma intensidade que os IGPs porque a sua composição é diferente, com peso maior para os produtos negociados no varejo.


Sem sobressaltos

A reunião dos presidentes Lula, Evo Morales, Néstor Kirchner e Hugo Chávez ontem para discutir os desdobramentos da nacionalização do setor de gás e petróleo na Bolívia não teve resultados concretos e foi acompanhada sem sobressaltos no mercado. Após a reunião, Lula disse que há um calendário estabelecido para serem feitas as negociações entre a Petrobras e o governo boliviano, que o abastecimento foi garantido e que os preços serão discutidos. Mais tarde, o assessor especial da Presidência para a área internacional, Marco Aurélio Garcia, informou que, na próxima semana, o governo brasileiro envia uma missão à La Paz para dar início às negociações com o governo boliviano.


Dólar

O dólar voltou a cair ontem, mas reduziu suas perdas no período da tarde, fechando cotado a R$ 2,07. A forte valorização do real nos últimos dias levou o mercado a retomar a discussão sobre a possibilidade de o Banco Central (BC) intervir com mais intensidade nas operações do dia-a-dia. No leilão de compra de dólar, o BC adotou uma medida rara: aceitou todas as propostas, incluindo aquelas com preço máximo.


Tendência

''A tendência das cotações ainda é de desvalorização, devido fortemente ao fluxo de entrada de divisas no mercado, que continua elevado'', afirmou Miriam Tavares, diretora de câmbio da corretora AGK. Esses recursos são tanto provenientes de transações comerciais -o superávit da balança brasileira até abril é de US$ 12,438 bilhões- quanto destinados a aplicações financeiras, já que o nível de juros do Brasil é muito atraente para os investidores estrangeiros.


DIs

Os contratos de DI foram influenciados pelo mercado cambial e as projeções de juros futuros fecharam em alta. A expectativa com a divulgação dos dados de emprego nos Estados Unidos (Payroll) hoje também deixou o mercado mais cauteloso. Na BM&F, o DI com vencimento em janeiro/08 fechou com taxa de 14,66%, ante 14,65% de quarta; DI janeiro/07 fechou com taxa de 14,77%, ante 14,76%; e DI janeiro/09, 14,73%, ante 14,69%.


Nos EUA

Em Wall Street, o Dow Jones fechou em alta de 0,34%, o Nasdaq avançou 0,87% e o S&P 500 fechou em alta de 0,34%. O risco Brasil, no horário do fechamento das bolsas, apresentava estabilidade, registrando 215 pontos base.


Bolsa

A Bovespa fechou com alta de 0,13% e giro de R$ 3,090 bilhões. ''As ações que são as mais negociadas da Bovespa, as da Petrobras e da Telemar, terminaram a quinta-feira com desempenho um pouco pior do que pela manhã, daí a desaceleração da alta da Bolsa'', afirmou Gustavo Figueiredo, operador da corretora Socopa. O bom humor na Bolsa de Nova Iorque por causa do recuo dos preços do petróleo acabou contagiando os investidores locais.


Petróleo

O barril de petróleo caiu para perto dos US$ 70 no exterior e os rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) ficaram nos 5,15% ao ano. O cenário externo deve continuar determinando o humor do mercado, mas o clima se mantém positivo.


Papéis

As ações preferenciais classe A da Telemar subiram 1,92%, para R$ 58,35 -no meio do expediente, chegaram a R$ 59,41- e as preferenciais da Petrobras caíram 1,06%, a R$ 46,45. Os papéis preferenciais da Vivo desabaram 5,99%, para R$ 8,15, depois que a empresa informou ter registrado prejuízo de R$ 179,3 milhões no primeiro trimestre -desempenho que decepcionou os investidores. Os papéis da Braskem, que teve lucro líquido de R$ 121,955 milhões no período, subiram 1,94%, para R$ 15,23.


Estrangeiros

O saldo de investimentos estrangeiros na Bovespa ficou positivo em R$ 1,188 bilhão em abril, resultado de compras de ações de R$ 16,704 bilhões e vendas de R$ 15,516 bilhões. O superávit acumulado no ano é de R$ 3,225 bilhões. Os estrangeiros tiveram a maior participação no volume total de negociações na Bolsa brasileira no mês passado, com 35,58%. Os institucionais ficaram em segundo lugar, com 26,84%; as pessoas físicas tiveram 23,76%; as instituições financeiras, 12,17%; e as empresas, 1,5%.

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