Cenário externo

Todas as atenções dos investidores ficaram concentradas no cenário externo ontem. Os rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro americano) subiram para 5,14% ao ano, e os preços do petróleo voltaram para o nível de US$ 72 no final do dia, depois de se aproximar dos US$ 75. O barril do petróleo cru para entrega em junho, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia cotado a US$ 72,28, baixa de 3,12%.


Sem pistas

O pronunciamento de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (banco central norte-americano), à tarde, não deu pistas sobre os rumos da taxa de juros dos EUA, um dos principais debates atualmente. A expectativa de que, depois de uma nova elevação de 0,25 ponto percentual em maio, para 5%, o ciclo de alta das taxa seja interrompido tem alimentado forte otimismo no mercado.


Dólar

Depois de quatro quedas consecutivas, o dólar comercial subiu 0,63% ontem e terminou o dia a R$ 2,073. ''Esse é um movimento normal, é mais um ajuste do que qualquer outra coisa'', afirma Júlio César Vogeler, operador da corretora Didier Levy. Segundo analistas, o preço relativamente baixo da moeda atraiu compradores, mas a tendência para as cotações ainda é de queda - espera-se que o piso de R$ 2 seja testado nos próximos dias, porque o ingresso de recursos no mercado continua muito grande.


Bovespa

O dia foi de realização de lucros na Bovespa. Após atingir um novo recorde na terça-feira, a Bolsa brasileira caiu 0,23%, para 40.919 pontos, com giro de R$ 2,526 bilhões. ''A Bovespa acompanhou a Bolsa de Nova York, que teve um dia de queda'', afirma Luiz Henrique Leão Teixeira, gerente da corretora Arkhe. Segundo Teixeira, o clima no mercado financeiro brasileiro continua tranquilo e a tendência para a Bolsa é de alta.


Balanços

Submarino e Gerdau divulgaram ontem seus balanços relativos ao primeiro trimestre do ano. A Gerdau teve lucro líquido consolidado de R$ 832,5 milhões no período, um aumento de 2,7% na comparação com o primeiro trimestre de 2005, e sua ações caíram 3,89%, para R$ 35,75. Os papéis do Submarino recuaram 0,99%, para R$ 55. A empresa anunciou lucro líquido de R$ 5,1 milhões no primeiro trimestre; no mesmo período do ano passado, havia registrado prejuízo líquido de R$ 3,2 milhões.


Petrobras

As ações da Petrobras chegaram a cair mais de 1% durante o pregão, mas diminuíram a baixa ao fim do expediente. O papel ordinário caiu 0,09%, a R$ 52,70, e o preferencial teve baixa de 0,29%, a R$ 46,91.


Embraer

As ações da Embraer também foram destaque, com uma alta de 0,51%, a R$ 19,40. Hoje a empresa anunciou que a empresa JetBird, com sede em Genebra (Suíça), adquiriu 50 jatos Phenom 100, além de opções para outras 50 aeronaves.


Varig

O mercado financeiro mudou de expectativa em relação ao futuro da Varig nos últimos dias. Nos dois pregões de maio, as ações da companhia aérea acumularam ganho de 169% na Bolsa de Valores de São Paulo. Ontem, os papéis subiram 87% e atingiram a maior cotação desde fevereiro de 2001. ''O que o mercado está comprando é a idéia de que o governo irá fazer algo e viabilizar a empresa'', afirmou o analista Marco Aurélio Barbosa, da Coinvalores.


Ganhos

O especialista lembra que a Varig é uma empresa em processo de recuperação judicial, ou seja, à beira de uma falência. Por isso, qualquer situação que projete uma solução para a crise financeira da empresa irá trazer ganhos para os acionistas. ''Houve uma clara mudança de expectativa do mercado sobre a companhia'', disse. A possibilidade de uma ajuda do governo aumenta a especulação com o papel. Há duas semanas, as ações preferenciais da Varig eram negociadas a R$ 0,56. Hoje, o papel está cotado a R$ 4,17. Uma alta de 645% no período.


Fôlego

Além das ações mostrarem um fôlego invejável, o que também chamou a atenção do mercado foi o grande volume de negócios. Os papéis da Varig movimentaram R$ 45,5 milhões, ultrapassando ações tradicionais, como o do Bradesco (R$ 45,3 milhões) e da Cemig ( R$ 42,7 milhões). No final de 2005, as ações da empresa negociavam menos de R$ 100 mil.


Sob pressão

A Varig vem sobrevivendo à crise financeira, apesar da pressão dos credores, como a Infraero e a BR Distribuidora. O processo de recuperação da companhia, elaborado pela consultoria Alvarez&Marsal, prevê a divisão da empresa. Uma delas, sem dívidas, assumiria as operações domésticas da Varig, enquanto a Varig Internacional ficaria com as dívidas e continuaria em recuperação judicial.


SPE

A nova companhia, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), seria leiloada aos eventuais interessados nas operações. Estima-se que o valor de mercado da Varig Doméstica seria em torno de US$ 700 milhões. Segundo a Alvarez&Marsal, metade do valor que for pago pelo comprador no leilão poderá ser financiado pelo BNDES, que ainda oferecerá um empréstimo-ponte de US$ 100 milhões para manter o funcionamento da empresa nesta fase de transição.


Wall Street

As Bolsas de Valores de Nova Iorque fecharam em queda nesta quarta-feira, com o índice Dow Jones perdendo 0,14% e o Nasdaq caindo 0,25%. O índice Standard and Poor's (SP 500), mais representativo da tendência geral, caiu 0,41%.

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