Câmbio

Devido ao forte fluxo de entrada de recursos no mercado financeiro brasileiro, o dólar comercial despencou 1,34% ontem e terminou o dia vendido a R$ 2,06 -menor valor desde 9 de março de 2001. Foi a sua quarta baixa consecutiva. Às 17 horas, o risco-país estava estável a 212 pontos.


Balança

As divisas que ingressam no país são tanto provenientes de transações comerciais quanto destinadas a aplicações financeiras. Pela manhã, o ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou que a balança comercial brasileira teve saldo positivo de US$ 791 milhões na última semana de abril. No ano, o superávit acumulado é de US$ 3,097 bilhões. Nas últimas semanas, é o fluxo que tem derrubado as cotações da moeda norte-americana.


Crise

No começo do dia, pensou-se que a crise com a Bolívia, deflagrada pela nacionalização, domingo, dos hidrocarbonetos no país provocaria forte nervosismo, mas não foi o que aconteceu. O leilão de compra de moeda no mercado à vista realizado pelo Banco Central pela manhã não mexeu com as cotações. Tampouco o avanço dos preços do petróleo no exterior - o barril ultrapassou os US$ 74 em Nova York e Londres- e dos rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) perturbou a tranquilidade dos investidores.


Fundamentos

De acordo com especialistas, a melhora dos fundamentos da economia do país -como o desempenho da balança comercial e a queda da inflação- é que explica o forte otimismo que tomou conta do mercado financeiro, fazendo-o sofrer menos com notícias negativas que se referem a problemas pontuais. O dólar paralelo ficou estável a R$ 2,32 e o turismo caiu 0,91%, a R$ 2,16.


Bovespa

Acompanhando a Bolsa de Nova York, que subiu ontem, a Bovespa ignorou a crise na Bolívia e, com giro de R$ 3,001 bilhões, avançou 1,62%, estabelecendo um novo recorde histórico aos 41.016 pontos. As ações da Petrobras, que teve seus campos de exploração de petróleo e gás e refinarias tomados pelo governo boliviano no domingo, quando o presidente Evo Morales anunciou a nacionalização dos seus hidrocarbonetos, ajudaram a Bolsa brasileira a subir. Seus papéis ordinários avançaram 3,41%, a R$ 52,75, e os preferenciais tiveram valorização de 1,77%, a R$ 47,05, com o maior giro do pregão.


Gás

Analistas estrangeiros alertam que a estatização da indústria de gás e petróleo da Bolívia pode sinalizar o início de uma tendência em países governados por partidos de esquerda de forte tom nacionalista - na qual a América Latina hoje se destaca - que afastaria investidores e criará mais um fator de incerteza e de pressão sobre os preços dessas commodities.


Fator medo

''Essa decisão da Bolívia pode fazer com que os investidores do setor de gás e petróleo fiquem mais cautelosos na América Latina'', disse à Agência Estado Mohammad-Ali Zeiny, analista do Centre for Global Energy Studies de Londres. ''Eles vão temer com mais intensidade que o que está acontecendo na Bolívia, e também na Venezuela, poderá ser tornar numa moda em outros lugares.'' Esse ''fator medo'', acrescentou, será estimulado pelos elevados preços do petróleo e gás, que elevaram a arrecadação dos países produtores. ''Haverá o receio de que outros governos se sintam tentados a seguirem a mesma linha política.''


Onda esquerdista

O temor de uma ''onda esquerdista'' ou ''populista'' na América Latina entre os investidores estrangeiros vem crescendo nos últimos meses diante da crescente influência do presidente Hugo Chávez na região e a eleição de Morales na Bolívia. Esse receio foi reforçado no mês passado pela vitória do candidato Ollanta Humala no primeiro turno da eleição do Peru e pela boa posição nas pesquisas eleitorais do México de Lopez Obrador, ex-prefeito da capital mexicana.


Kirchner e Lula

O presidente da argentina, Nestor Kirchner, é visto como uma versão light dessa onda política que tem ganhado força na região. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é sempre colocado como um contraponto a essa tendência, sendo qualificado pela imprensa e bancos estrangeiros como principal representante ''esquerda responsável'' da América Latina pois manteve políticas econômicas ortodoxas e consideradas pró-mercado.


Impacto

Até o momento, o impacto da nacionalização boliviana sobre as ações das empresas estrangeiras com ativos no país foi muito limitado. Analistas observam que a atual participação boliviana na produção total desses grupos é porcentualmente pequena. A análise, no entanto, é que no longo prazo haverá um impacto negativo sobre as empresas que investiram na Bolívia poderá se mostrar mais relevante.


Itaú compra BankBoston

O Itaú confirmou ontem a compra do BankBoston do Brasil. O negócio será pago em ações. O atual controlador do BankBoston, o Bank of America, vai receber cerca de US$ 2,2 bilhões em ações do Itaú. O Bank of America também concordou em negociar de forma exclusiva a venda para o Itaú dos ativos do BankBoston no Chile e no Uruguai, bem como outras operações na América Latina.


Liderança

Com a operação, que ainda precisa de aprovação das autoridades reguladoras brasileiras, como o Banco Central, o banco brasileiro ultrapassa o Bradesco e assume a liderança no ranking de ativos de instituições privadas, segundo dados do próprio BC.O Itaú fechou 2005 com ativos totais de R$ 146 bilhões. Com a aquisição do BankBoston, o valor sobe para R$ 168,7 bilhões e supera o do Bradesco - R$ 165,7 bilhões -, que cai para a segunda posição no ranking. Considerando as instituições públicas, o Itaú sobe do quarto para o terceiro lugar no ranking de ativos, atrás do Banco do Brasil (R$ 252,9 bilhões), e da Caixa Econômica Federal (R$ 188,7 bilhões).

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