Wall Street
As bolsas de Nova York fecharam em baixa ontem, com o índice Dow Jones perdendo 0,21% e o Nasdaq 0.77%. O índice ampliado Standard and Poor's (SP 500), o mais representativo da tendência geral, caiu 0,14%. No mercado de títulos, o rendimento do bônus do Tesouro a 10 anos subiu a 5,131% contra 5,069% na sexta-feira, e o do bônus a 30 anos a 5,227% contra 5,169% na sexta-feira.

Petróleo
O petróleo registrou forte alta ontem e fechou acima dos US$ 73 o barril, após o anúncio da Bolívia de nacionalização de seus campos de hidrocarbonetos (petróleo e gás) num contexto já tenso de temores ligados à crise nuclear iraniana. Em Nova York, o barril de ''light sweet'' para entrega em junho terminou em alta de 1,82 dólar, a 73,70 dólares. Em Londres, o barril de Brent do Mar do Norte subiu 1,87 dólar, cotado a 73,89 dólares.

Efeito Morales
Os preços aumentaram ao longo do pregão, acelerando a tendência de alta da commodity, após o anúncio do presidente boliviano, Evo Morales, de nacionalização dos campos de petróleo e de gás natural do país. Mas os analistas não esperavam que o preço fosse subir tanto com esta notícia, porque a produção de petróleo na Bolívia é ''bastante pequena'', lembrou Fadel Gheit, analista da Oppenheimer.

Tensão
O anúncio boliviano não deveria ter impacto imediato no mercado de petróleo porque a Bolívia produz pouco gás e petróleo, mas ''isto amplifica a tensão já existente na indústria petroleira global e pode disparar os preços da commodity'', acrescentou Bill Farren-Price, analista da Middle East Economic Survey.

0,05%
Segundo o site da CIA, o país produz 42 mil barris de petróleo por dia - de 84 milhões produzidos no mundo - ou seja 0,05% do total mundial, e consome tudo o que produz. A Bolívia produz 0,25% da produção diária de gás natural, segundo os dados da CIA.

Na Espanha
O governo espanhol também manifestou ontem sua ''profunda preocupação'' com o anúncio do presidente da Bolívia, Evo Morales, de nacionalizar as empresas de petróleo e gás natural do país, uma medida que afeta diretamente o grupo espanhol Repsol-YPF, assim como a brasileira Petrobras.

Diálogo
O governo de José Luis Rodriguez Zapatero ''espera que o prazo de 180 dias dado pelo presidente da Bolívia às companhias estrangeiras (que operam no país) para regularizar seus contratos de exploração atuais abrirá um processo de negociação e de diálogo verdadeiro'' entre o governo de La Paz e as empresas estrangeiras, segundo um comunicado publicado na madrugada (hora local) de segunda para terça-feira pelo ministério dos Assuntos Estrangeiros na capital espanhola. ''O governo espanhol está acompanhando de muito perto a situação'', advertiu o ministro. O grupo de petróleo espanhol Repsol-YPF controla atualmente, por sua filial Andina, 25,7% da produção de gás na Bolívia.

Tóquio
A bolsa de Tóquio fechou a segunda-feira em leve alta de 0,12%, antes do longo feriado da ''Golden Week'', que fará com que o mercado fique fechado de quarta-feira a domingo. O índice Nikkei 225 ganhou 19,48 pontos (+0,12%), fechando em 16.925,71. As bolsas européias estiveram fechadas ontem, assim como as de Hong Kong e Xangai.

Juros
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, recebeu com tranquilidade as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que não havia motivos para uma desaceleração no ritmo de cortes da taxa básica de juros. Segundo Meirelles, a observação do colega foi ''absolutamente equilibrada e expressa uma opinião razoável e legítima''.

Sintonia
Meirelles declarou, ainda, que as relações com Mantega estão funcionando ''em perfeita sintonia''. ''O ambiente de cooperação é o melhor possível'', notou o presidente do BC.

Desaceleração
Perguntado sobre possíveis pressões de setores do governo para que a taxa Selic siga em desaceleração no próximo encontro do Copom, marcado para os dias 30 e 31 de maio, Meirelles afirmou ser evidente que o BC continuará trabalhando normalmente.

Previsões
Sobre a previsão de Mantega de que o PIB poderá crescer de 4,5% a 5% este ano - valor superior à estimativa traçada pelo BC, que é de 4% -, Meirelles afirmou que torce para que isso aconteça. Porém, reiterou que a projeção do BC para a expansão econômica continua sendo aquela expressa no Relatório de Inflação.

Das agências Estado e France Presse

mockup