Recuperando perdas

A Bovespa conseguiu recuperar ontem parte das perdas de quinta-feira e assim voltou a ficar acima do patamar de 40 mil pontos. A Bolsa paulista avançou 1,53%, com giro de R$ 2,481 bilhões, para 40.363 pontos - próximo do último recorde, de 40.410 pontos, atingido na quarta-feira - enquanto os investidores aproveitaram para comprar papéis que estavam com preço atraente.


Otimismo

Se na quinta-feira a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central desanimou os investidores ao prever que os cortes da taxa Selic a partir de agora serão feitos com maior ''parcimônia'' e ofuscou notícias que aumentaram as apostas no fim do ciclo de alta de juros nos EUA, ontem o otimismo se fez sentir no mercado acionário. A Bolsa brasileira ignorou inclusive a queda da de Nova York e a elevação dos preços do petróleo.


Indicadores

A informação de que a economia norte-americana cresceu 4,8% no primeiro trimestre do ano -a maior taxa para esse período em dois anos e meio, mas levemente abaixo do que o mercado esperava-, divulgada ontem, se juntou às declarações de Ben Bernanke, presidente do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano), dadas na quinta, de que a instituição pode fazer uma pausa na elevação dos juros, atualmente em 4,75% ao ano. A expectativa do mercado é de que seja elevada em 0,25 ponto percentual em maio. Quando a taxa dos EUA sobe, investidores podem abandonar suas aplicações em mercados como o brasileiro em busca de menores riscos.


Clima positivo

''O clima deve continuar positivo, mas os movimentos da próxima semana devem ser ditados pelos eventos e indicadores econômicos, como a divulgação da produção industrial brasileira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)'', afirma Guilherme Maia, economista da consultoria Tendências.


Reflexos

Especialistas destacam que a recente alta da Bolsa, bem como a queda do dólar e do risco Brasil, atualmente em 217 pontos, é reflexo da melhora da economia do País nos últimos meses, com o crescimento do saldo da balança comercial e o superávit primário. ''Essas condições acabam atraindo os investidores estrangeiros'', diz Maia.


Câmbio

O dólar comercial fechou ontem, pela primeira vez em cinco anos, abaixo de R$ 2,10. A expectativa de que o fim do ciclo de altas dos juros nos EUA está próximo do fim fez o dólar comercial cair 0,8%, para R$ 2,088 -menor valor desde 20 de março de 2001. Nem a cautela que tradicionalmente antecede os feriados prolongados impediu as cotações de recuarem, porque o fluxo de entrada de recursos no País se mantém bastante elevado, tanto proveniente de transações comerciais quanto para aplicações financeiras.


Petróleo

Os preços do petróleo voltaram a subir ontem depois da entrega ao Conselho de Segurança da ONU do relatório crítico sobre as ambições nucleares do Irã, que deixam o mercado tenso com a possibilidade de uma ação militar contra este importante exportador de ouro negro. Em Nova Iorque, o barril de leve americano no contrato de junho subiu 91 centavos, ficando a US$ 71,88 depois de alcançar os US$ 72,65 durante a sessão.


Nova Iorque

As Bolsas de Nova Iorque fecharam em queda ontem: o Dow Jones perdeu 0,14% e o Nasdaq recuou 0,95%.


Microsoft

O número um mundial do setor de informática, Microsoft, perdeu quase US$ 35 bilhões ontem na Bolsa de Nova Iorque, com a queda de 11,5% de suas ações, após a publicação dos resultados decepcionantes do primeiro trimestre. A ação da Microsoft fechou em baixa de 11,47%, cotada a US$ 24,15 nível que não atingia desde finais de março de 2005. A empresa fundada por Bill Gates é uma das primeiríssimas capitalizações da Bolsa dos Estados Unidos, depois do gigante de petróleo ExxonMobil e o conglomerado industrial General Electric.

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