MERCADO FINANCEIRO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de abril de 2006
Da agência Estado<BR>Folhapress 
Notícias e efeitos
Três notícias mexeram com os mercados ontem. A ata do Copom provocou um ajuste nos contratos de DI. A expectativa de corte de 0,75 ponto na próxima reunião do comitê foi substituída pela estimativa de que a Selic cairá só 0,50 ponto. E a decisão do Banco Central chinês de aumentar sua taxa básica de juros provocou a queda dos preços das commodities internacionais, levando a Bovespa a realizar lucros. O dólar também caiu e atingiu a menor cotação desde março de 2001. O câmbio acompanhou a baixa dos juros dos T-Notes de 10 anos, provocada pela sinalização de Ben Bernanke de que o ciclo de aperto monetário do Federal Reserve pode estar perto do fim.
Bovespa
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na manhã de ontem, desanimou os investidores no mercado acionário brasileiro, e assim a Bovespa caiu 1,63%, para 39.751 pontos, com giro de R$ 2,888 bilhões. ''O mau humor nas Bolsas européias e americanas no começo do dia também explica essa queda'', afirma Luiz Antônio Vaz das Neves, diretor da área de pesquisas da corretora Planner.
'Parcimônia'
No documento, ansiosamente aguardado pelo mercado, o Copom diz que a flexibilização adicional da política monetária deve ser feita com maior ''parcimônia'' a partir das próximas reuniões para preservar as ''importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real''. A taxa básica de juros da economia foi reduzida em 0,75 ponto percentual, para 15,75% ao ano, na semana passada.
Apostas
Depois da euforia dos últimos dias, que ajudou a Bovespa a superar na quarta-feira, pela primeira vez na história, os 40 mil pontos, a maior parcela dos analistas de mercado passou a apostar que, após outro corte da Selic de 0,75 ponto percentual em maio, a autoridade monetária vai fazer uma pausa para avaliar os efeitos da queda sobre a atividade econômica antes de tomar outras medidas.
Incertezas
Outros especialistas já mudaram de opinião e prevêem um corte de apenas em 0,5 ponto. ''Essa é a nossa projeção'', diz o analista Neves. Entre os motivos para a cautela do Copom, os economistas citam as incertezas em relação ao cenário externo, como a trajetória dos preços do petróleo e dos juros nos EUA, e o medo de afrouxamento da política fiscal do governo, com o maior aumento do salário mínimo e dos gastos públicos por causa das eleições presidenciais.
Ações
A Tele Norte Leste, do grupo Telemar, teve queda de 25,4% no seu lucro no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2005, para R$ 144 milhões. As ações preferenciais da companhia fecharam ontem em baixa de 1,06%, a R$ 37,30. A Natura fechou o primeiro trimestre de 2006 com lucro líquido de R$ 81,7 milhões, resultado 17,2% superior ao de igual período do ano passado. Os seus papéis recuaram 0,03%, para R$ 25,39.
Câmbio
O dólar começou o dia em forte alta - chegou à máxima de R$ 2,13 no meio da manhã -, mas terminou em queda de 0,66%, vendido a R$ 2,105, depois que Ben Bernanke, presidente do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano), sinalizou que a entidade pode fazer uma pausa na elevação da taxa básica de juros dos EUA.
EUA
''Em algum momento no futuro o comitê poderá decidir se não irá agir em um ou mais encontros sobre os juros para aguardar a chegada de mais informações relevantes para o cenário'', disse Bernanke. A taxa básica de juros dos EUA está atualmente em 4,75% ao ano, e a expectativa do mercado é de que seja elevada em 0,25 ponto percentual em maio.
Discurso
Quando os juros da economia norte-americana sobem, os investidores podem abandonar suas aplicações em mercados como o brasileiro em busca de melhor retorno. ''Por isso, o discurso de Bernanke deixou todos mais tranquilos'', diz Sidnei Nehme, diretor executivo da corretora NGO. A queda do petróleo também ajudou.
Resistência
Na opinião de Nehme, o dólar pode encontrar resistência para ficar abaixo de R$ 2,10, mas deve cair para esse nível no médio prazo porque o fluxo de entrada de divisas no mercado continua grande. ''Ainda mais porque a atuação do Banco Central no câmbio tem sido discreta'', afirma Nehme. O BC realizou leilão de compra de dólares no mercado à vista ontem, mas isso não afetou as cotações.
Juros
Na BM&F, o DI com vencimento em janeiro/08 fechou com taxa de 14,708%, ante 14,62% de quarta-feira; DI janeiro/09, 14,73% (14,70%); DI janeiro/09, DI maio/06, 14,67% (14,65%).
Risco
Às 17h49, o risco Brasil recuava 3 pontos, a 223 pontos-base. A mínima histórica de fechamento do risco é de 215 pontos, em 27 de fevereiro - quando o mercado brasileiro estava em feriado do carnaval.
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em queda nesta quinta-feira em Nova York. O barril de ''light sweet'' para entrega em junho caiu 96 centavos e fechou a US$ 70,97.
Wall Street
As Bolsas de Valores de Nova York fecharam em alta: o índice Dow Jones subiu 0,25% e o Nasdaq, 0,49%. O índice Standard and Poor's (SP 500) avançou 0,3%.


