MERCADO FINANCEIRO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de abril de 2006
Agências Estado<br>Folhapress 
Câmbio
O dólar comercial subiu 0,66% ontem e terminou o dia vendido a R$ 2,128. Segundo analistas, remessas de lucros que empresas estrangeiras fizeram aos seus países de origem e o mau humor no mercado financeiro nova-iorquino, que contaminaram o local, explicam essa alta. O dólar paralelo ficou estável a R$ 2,32 e o turismo subiu 0,9%, para R$ 2,22.
Treasuries
No exterior, a alta dos rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano), que chegaram a 5,07%, e dados econômicos divulgados ontem desanimaram os investidores nos EUA. A confiança do consumidor americano na economia do seu país atingiu 109,6 pontos neste mês, o maior patamar desde maio de 2002, e as vendas de casas usadas subiram 0,3% em março.
Petróleo
Os preços do petróleo, também fonte de preocupação nos últimos dias, deram uma trégua, recuando para US$ 72 o barril em Nova Iorque, após o presidente George W. Bush anunciar uma investigação sobre os aumentos de preços da gasolina e uma interrupção do abastecimento do estoque estratégico de petróleo. Todas essas notícias provocam o temor de que, ao contrário do sinalizado pelo Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano), o ciclo de aumento dos juros da economia dos EUA seja prolongado.
Leilão
À tarde, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares, o que pressionou um pouco as cotações. Mas o clima é de cautela, enquanto o mercado aguarda a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na quinta-feira, para buscar pistas sobre os rumos dos juros nos próximos meses.
Spread
O processo de redução das taxas de juros chega aos poucos nas taxas de mercado. No entanto, os altos spreads - diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes - impedem que a queda seja maior. Entre fevereiro e março, o spread ficou praticamente estável, com uma queda de apenas 0,1 ponto percentual, para 30,1 pontos percentuais, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
Demanda
Segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC, isso ocorre porque a demanda por crédito é maior justamente nas modalidades que possuem um spread mais elevado. Ele disse ainda que a taxa de inadimplência estável (4,5%) colabora para a redução dos juros ao consumidor. Já a taxa média de juros, no mesmo período, caiu 0,5 ponto, para 45,7% ao ano - menor patamar desde dezembro de 2004.
Pessoa física
A taxa é maior nas operações destinadas à pessoa física, que passou de 59,2% para 59% ao ano. No entanto, houve uma elevação de 0,3 ponto percentual no spread, para 44 pontos percentuais. A maior elevação nas operações para o consumidor foi registrada na modalidade de financiamento de bens, como eletrodomésticos. Essa taxa passou 54,4% ao ano em fevereiro para 56,9% ao ano em março, um aumento de 2,5 pontos percentuais.
Crédico pessoal
No crédito pessoal, a taxa de juros passou de 68,6% para 67,8%. Dentro dessa modalidade está o crédito consignado --desconto em folha de pagamento--, que subiu 0,6 ponto percentual, para 37,1% ao ano em março. No caso do cheque especial, a taxa de juros passou de 146,8% para 146,4% ao ano.
Pessoa jurídica
No caso das pessoas jurídicas (empresas), a taxa caiu 0,9 ponto percentual, para 30,7% ao ano em março. Diferente das pessoas físicas, houve uma queda no spread, que foi de 0,6 ponto, para 14,5 pontos percentuais.
Bolsas
As Bolsas de Valores fecharam em baixa nesta terça-feira em Nova Iorque: o índice Dow Jones perdeu 0,47% e o Nasdaq caiu 0,13%. O índice Standard and Poor's (SP 500) perdeu 0,49% (-6,37 pontos). Por aqui, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou com leve baixa de -0,03 e giro de R$ 1,89 bilhão -pelo segundo dia seguido, o volume de negócios é inferior à média do mês.
Resultados
Os resultados de empresas relativos ao primeiro trimestre do ano confirmaram as projeções dos analistas. A expectativa de bom desempenho contribuiu para a onda de otimismo que tomou conta da Bovespa nos últimos dias. A Gol anunciou um lucro recorde de R$ 179,8 milhões no primeiro trimestre de 2006, montante 37,2% superior aos R$ 131,1 milhões obtidos no mesmo período de 2005. As ações preferenciais da companhia subiram 0,92%, para R$ 74,98.
Klabin
A Klabin também já divulgou seu balanço. No primeiro trimestre do ano, seu lucro líquido subiu 27% na comparação com o mesmo período do ano passado, a R$ 162,7 milhões. Os papéis da companhia tiveram alta de 0,19% ontem, a R$ 5,12.
Depois de uma forte alta ontem, os papéis da Net recuaram 2,4%, para R$ 1,22. A empresa informou ter registrado lucro líquido de R$ 7,2 milhões no primeiro trimestre do ano, contra um prejuízo de R$ 5,2 milhões no mesmo período de 2005.
Despesas
A despesa total do governo central aumentou no primeiro trimestre deste ano 14,5% em relação ao mesmo período do ano passado, saindo de R$ 77,621 bilhões para R$ 88,879 bilhões. As despesas do Tesouro Nacional somaram R$ 51,923 bilhões, sendo R$ 26,028 bilhões relativos a pessoal e encargos sociais e R$ 25,770 bilhões, de custeio e capital. As transferências do Tesouro ao Banco Central totalizaram, no primeiro trimestre, R$ 124 milhões. No primeiro trimestre de 2005, as despesas do Tesouro somaram R$ 44,994 bilhões, sendo R$ 22,7 bilhões de pessoal e encargos sociais e R$ 22,122 bilhões de custeio e capital. Naquele período, a transferências do Tesouro ao Banco Central totalizaram R$ 165 milhões.
Previdência
O déficit da Previdência Social continua crescendo. Em março, ele foi de R$ 2,612 bilhões em março, segundo a Secretaria da Previdência. O resultado foi 7,3% maior do que o verificado em março de 2005. No primeiro trimestre do ano, o déficit acumulado da Previdência foi de R$ 9,928 bilhões, 10,3% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.


