MERCADO FINANCEIRO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de abril de 2006
Das agências Estado<br>Folhapress 
Dólar e Bolsas
A moeda norte-americana acompanhou a calmaria no cenário externo e fechou em baixa de 0,38%, cotada a 2,114. A Bovespa também fechou com leve baixa de -0,06%, refletindo o desempenho das bolsas de Nova Iorque. O índice Dow Jones perdeu 0,10%, o Nasdaq recuou 0,40% e o índice Standard and Poor's (SP 500) perdeu 0,24% (-3,17).
Petróleo
O petróleo fechou em forte queda nesta segunda-feira em Nova York, anulando a disparada da semana passada, mas os operadores continuam prudentes diante de um possível agravamento da crise iraniana e uma eventual escassez de gasolina nos Estados Unidos. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em junho perdeu 1,84 dólar, fechando a US$ 73,33.
Expectativas
Os analistas do mercado financeiro continuam a revisar para baixo as
expectativas de inflação para 2006. A queda consecutiva nas previsões ocorre após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ter reduzido de 16,5% para 15,75% ao ano a taxa básica de juros da economia.
IPCA
Agora, os analistas esperam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de preços do governo, termine o ano em 4,42%, pouco abaixo do centro da meta, que é de 4,5%. Antes, a projeção era de 4,43%. É a quarta revisão para baixo consecutivo do índice.
IGPs
A previsão para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) passou de 3% para 2,72%. Para o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), a expectativa passou de 3,14% para 3%. Essa é a décima primeira semana consecutiva que as previsões para os dois índices são reduzidas, de acordo com o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central. Até o final do ano, as instituições financeiras mantiveram a previsão de que a taxa Selic chegará a 14% ao ano.
PIB
A previsão para o crescimento da economia foi mantida. A pesquisa aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%. Já com sobre a produção industrial, os analistas esperam um crescimento de 4,50%, contra 4,48% da semana anterior. Esse é o sexto aumento consecutivo. Já a projeção em relação ao superávit comercial - saldo positivo entre exportações e importações - está em US$ 40 bilhões.
Contas públicas
O governo dispõe de um caixa superior a R$ 200 bilhões para garantir o pagamento da dívida pública no período pré-eleitoral. O dado foi divulgado ontem, junto com o balanço da dívida em março. No mês, dívida pública federal em títulos atingiu a marca de R$ 1,021 trilhão e foram pagos R$ 14 bilhões em juros. Por causa da queda do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do surgimento de tensões no mercado internacional devido à alta do petróleo, o Tesouro enfrentou algum nervosismo e terminou o mês com resgate líquido de R$ 3,2 bilhões da dívida. Ainda assim, aumentou a participação dos papéis prefixados, de 27,88% para 28,75%, indicando que há confiança dos agentes econômicos no governo.
Estrangeiros
Aumentou a venda de títulos federais para investidores estrangeiros, estimulados pela Medida Provisória que os isentou do Imposto de Renda nas operações. Segundo o Tesouro Nacional, os estrangeiros compraram 20% do total dos títulos vendidos em março, quando o usual era algo na casa dos 5%.
Superávit
No entanto, o aumento de gastos promovido nos últimos meses pelo governo vem ganhando cada vez mais relevância no radar dos investidores estrangeiros. Em relatórios para clientes, analistas de bancos de investimentos alertam que cresceram os riscos sobre o cumprimento da meta de superávit primário de 4,25% do PIB para este ano e ressaltam que o atual processo de deterioração fiscal poderá retardar uma queda mais acelerada das taxas de juros reais, frear a velocidade do crescimento econômico e atrasar a conquista da tão ambicionada classificação de risco de ''grau de investimento''. Por isso, segundo eles, a retomada do processo de reformas no País se torna a cada vez mais urgente.
Itaú
Assembléia de acionistas marcada para amanhã deve definir pelo aumento de capital para a compra do BankBoston. O Itaú negocia com o Bank of America a aquisição do BankBoston por US$ 3 bilhões. O Bank of America, segundo maior bancos dos EUA, ficaria com 8% a 10% do capital do Itaú. Com a aquisição, o Itaú encosta no Bradesco na disputa pela liderança de maior banco privado do País. Pressionado pela CVM, o Itaú enviou ontem fato relevante ao mercado informando que ''está efetivamente explorando opções para expandir suas operações'' de ativos bancários no Brasil e na América Latina. Na nota, sucinta, o banco diz que ''neste momento não há nenhum acordo ou contrato firmado, motivo pelo qual qualquer divulgação seria prematura. O Itaú comunicará imediatamente a conclusão de qualquer negociação'', afirma o banco.
Asiáticas
As ações despencaram em Tóquio, em reação ao fortalecimento do iene. O índice Nikkei registrou a maior perda em quase dois anos, com as ações de exportadoras entre os destaques de baixa. O Nikkei caiu 489,56 pontos, a maior desaceleração desde 10 de maio de 2004, ou 2,8%, para 16.914,40 pontos, o menor fechamento desde 28 de março. O dólar caiu para 115,10 ienes na mínima, diante do apelo do G-7 para reavaliação do yuan chinês.
Cautela
Os investidores mostraram cautela também diante da expectativa com a divulgação de balanços como Sony e outras grandes empresas japonesas. A alta do petróleo, que estabeleceu novo recorde histórico na sexta-feira, também pressionou o mercado. A Bolsa de Hong Kong fechou em queda forte, influenciada pela retração do mercado em Tóquio. O índice Hang Seng terminou o dia em baixa de 1,22%. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou em queda de 1,4%, pressionado pela valorização do won sul-coreano, que fechou no maior nível desde 24 de outubro de 1997. A alta do petróleo na sexta-feira também contaminou o índice. Na China, as ações caíram com os setores petrolífero e de aviação. O índice Xangai Composto encerrou a sessão em queda de 1,6%.


