MERCADO FINANCEIRO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de abril de 2006
agência Estado<br>Folhapress 
Realizando lucros
No ''dia seguinte'' da reunião do Copom e véspera do feriado prolongado de Tiradentes, os mercados realizaram lucros e adotaram uma atitude preventiva ontem. Juros e dólar subiram e Bovespa fechou em baixa. Os contratos de DI também refletiram o comunicado da reunião do Copom, que provocou dúvidas sobre a intensidade dos cortes futuros na Selic. Já o dólar acompanhou a alta dos juros dos Treasuries e das cotações do petróleo.
Juros
O mercado de juros fez uma correção para cima das taxas. Em parte, a alta se deveu à véspera do feriado, que justificou uma ''realização de lucros'' no mercado - ninguém quis passar os próximos três dias descoberto, já que os negócios acontecem normalmente no exterior. Mas operadores atribuem a alta também à reunião do Copom de ontem, que acrescentou incertezas ao mercado. Na BM&F, o DI com vencimento em janeiro/08 encerrou o pregão com taxa de 14,60%, ante 14,46% de quarta; DI janeiro/07, 14,72%, ante 14,68%; e DI janeiro/09, 14,62% (14,47%).
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 0,41% ontem, para 39.774 pontos, após três pregões consecutivos de alta, por conta de um movimento de realização de lucros. O giro financeiro somou R$ 2,663 bilhões. ''Esse é um movimento normal depois de uma série de ganhos'', afirma Vladimir Caramaschi, economista-chefe da Fator Corretora. ''Ainda mais na véspera de um feriado prolongado, quando os investidores geralmente ficam mais cautelosos.''
Evolução
Na opinião do analista, o clima positivo vai ser mantido nos próximos dias, e os investidores continuarão acompanhando a evolução dos preços do petróleo, dos rendimentos dos treasuries e os indicadores e eventos econômicos tanto internos quanto externos. ''Isso pode provocar alguma volatilidade'', diz Caramaschi.
Pistas
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na qual a taxa básica de juros da economia foi reduzida em 0,75 ponto percentual sai na próxima quinta-feira e o mercado espera encontrar no documento pistas sobre a continuidade e o ritmo de queda dos juros a partir de agora. A redução de 0,75 ponto percentual decidida na quarta-feira, que deixou a Selic em 15,75% ao ano, já era esperada e alimentou a euforia desta semana, que fez a Bovespa subir quase 5%.
Destaques
Os destaques de ontem ficaram por conta dos papéis do setor financeiro. As ações de bancos subiram por conta de rumores de que o Itaú estaria para comprar as operações do BankBoston no Brasil. Os rumores puxaram os papéis do setor. Banco do Brasil ON fechou em alta de 4,08%, Bradesco PN subiu 3,15%, Unibanco Unit avançou 1,65% e Itaú PN caiu 0,84%, depois de ter batido a máxima de 2,66%.
Câmbio
Depois de três dias de quedas, o dólar comercial voltou a subir. Terminou o dia vendido a R$ 2,121, mas a alta de 0,28% não foi suficiente para apagar a desvalorização acumulada desta semana - mesmo com a elevação de ontem, a moeda norte-americana tem baixa de 0,93%. O dólar acompanhou o risco-país, que subiu 1,33% pontos, em um dia de cautela por causa do feriado. O volume de negócios no câmbio foi igual à média normal, entretanto. O dólar paralelo ficou estável em R$ 2,31 e o turismo teve alta de 0,9%, a R$ 2,22.
Remessas
A remessa de lucros e dividendos para o exterior se manteve em níveis recordes neste começo de ano, segundo o Banco Central. Entre janeiro e março, multinacionais instaladas no Brasil enviaram US$ 3,608 bilhões para suas matrizes, o maior resultado já registrado nos primeiros três meses de um ano desde 1969. Só no mês passado, as remessas somaram US$ 1,238 bilhão, quase o dobro dos US$ 661 milhões apurados em março de 2005.
Cotação
Um dos motivos para esse comportamento é a recente queda do dólar: com o recuo na cotação, uma mesma quantidade de reais consegue comprar um volume maior da moeda americana. Por isso, muitas empresas optam por antecipar suas remessas para aproveitar o momento favorável do câmbio.
Turismo
As despesas de turistas brasileiros no exterior são outro exemplo de item das contas externas afetado pelo câmbio. Com a alta do real, esses gastos foram de US$ 1,246 bilhão no primeiro trimestre, um crescimento de 44% em relação a igual período de 2005. O impacto disso nas contas externas só não foi maior porque também houve um crescimento nas despesas feitas por turistas estrangeiros em visita ao Brasil.
Exportações
Entre janeiro e março deste ano, a balança de serviços apresentou um saldo negativo de US$ 1,572 bilhão, aumento de 34% ante o primeiro trimestre do ano passado. O déficit da balança de rendas _que inclui gastos com juros da dívida externa e remessas de lucros_ ficou em US$ 6,922 bilhões, US$ 1,612 bilhão a mais que nos primeiros três meses de 2005.
Saldo
Apesar de tudo isso, o desempenho da balança comercial continua assegurando o saldo positivo das contas externas. No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 3,680 bilhões e, graças a isso, o superávit em transações correntes _que inclui as balanças comercial, de rendas e de serviços, além das transferências unilaterais_ foi de US$ 1,353 bilhão.
Petróleo
Os preços do petróleo deram uma trégua ontem, recuando 0,93%, para US$ 71,50, tendo cravado novo recorde em US$ 72,49 durante o expediente. Os rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) avançaram para 5,04% ao ano. As Bolsas de Valores de Nova York fecharam ontem em seu nível mais alto dos últimos seis anos com o índice Dow Jones ganhando 0,57% e o Nasdaq perdendo 0,35%. O índice Standard and Poor's (SP 500) ganhou 0,12%.


