Atenção nos EUA

O mercado internacional voltou a chamar a atenção ontem. A inflação ao consumidor nos EUA, cujo núcleo ficou acima das estimativas, esfriou o entusiasmo verificado terça-feira com a inflação ao produtor. Os juros dos Treasuries subiram e as bolsas tiveram um dia morno em Nova York. No mercado doméstico, as expectativas se mantiveram em relação a um corte de 0,75 ponto na Selic, que deveria ser anunciado no início da noite pelo Copom. Já a Bovespa conseguiu se descolar do cenário externo, fechando com pontuação recorde pelo segundo dia consecutivo e pela 18 vez neste ano. O dólar recuou, refletindo a forte queda do risco Brasil.


CPI

Os juros dos Treasuries retomaram a alta, em reação ao núcleo do índice de inflação ao consumidor (CPI) acima do esperado. O dado levou o mercado a rever as avaliações feitas na terça-feira, após a divulgação da ata do encontro do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) em março, de que o ciclo de aperto monetário poderia estar perto do fim. Apesar de o CPI cheio ter subido 0,4%, em linha com as previsões, o mercado não gostou do núcleo e passou a considerar a possibilidade de o juro dos Fed Funds subir além de 5%.


Juros

No fechamento em Nova York, o juro projetado pelos T-Bonds de 30 anos estava em 5,125%, de 5,074% terça; o juro das T-Notes de 10 anos estava em 5,027%, de 4,980% terça; o juro das T-Notes de 2 anos estava em 4,857%, de 4,836% terça. Na BM&F, o DI com vencimento em janeiro/08 fechou com taxa de 14,46%, ante 14,45% terça; DI janeiro/09, 14,48% (14,44%); DI janeiro/07, 14,68% (14,73%).


Bovespa

A Bolsa de Valores de São Paulo teve novo recorde ontem: fechou aos 39.937 pontos, com alta de 0,92% e giro de R$ 2,395 bilhões. Durante o pregão, chegou à máxima de 40.026 pontos. Segundo o economista Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset Management, pode-se esperar uma nova fase de bom humor no mercado financeiro. De acordo com ele, a Bovespa pode ultrapassar os 40 mil pontos no curto prazo, também porque o recente aumento dos preços de commodities no mercado internacional tem causado a valorização de ações com grande peso na Bolsa brasileira, como as da mineradora Companhia Vale do Rio Doce e da Petrobras.


Destaques

Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Klabin PN (8,74%), Transmissão Paulista PN (5,94%) e Light ON (4,22%). As maiores baixas foram Comgás PNA (-3,89%), Sadia PN (-0,46%) e Caemi PN (-1,03%). O barril do petróleo fechou a US$ 72,17 em Nova York ontem, maior valor da história. Os papéis preferenciais da Vale caíram 0,94%, para R$ 94, mas acumulam elevação de 14,75% no ano. Os preferenciais da Petrobras avançaram 1,25%, a R$ 46,69.


Nova Iorque

As Bolsas de Nova Iorque fecharam em alta: o Dow Jones ganhou 0,09% e Nasdaq subiu 0,63%. O índice ampliado Standard and Poor's (SP 500) subiu 0,17%.


Câmbio

O dólar comercial até ameaçou subir ontem - na máxima do dia, chegou a R$ 2,125 - mas, mesmo com uma compra do Banco Central no mercado de câmbio à vista e a retomada das ofertas de contratos de swap reverso, terminou o dia com desvalorização de 0,14%, vendido a R$ 2,155 -menor valor desde 16 de março. Foi a terceira baixa consecutiva das cotações.


Aprovação

Um dos motivos para isso foi a baixa de 3% do risco-país, a 225 pontos, ainda refletindo a aprovação dos investidores estrangeiros ao resgate total dos ''bradies'' - títulos da renegociação da dívida externa brasileira emitidos na década de 80-, operação realizada pelo Tesouro Nacional no início desta semana. ''O fluxo de entrada de recursos no mercado continua forte. A moeda não consegue sustentar uma elevação'', diz Paulo Souza Pinto, operador de câmbio da corretora Intra.


Swap

Ontem o BC comprou divisas e voltou a realizar ofertas de contratos de swap cambial - a instituição financeira que compra os títulos recebe, ao final do período, a variação dos juros, enquanto o BC ganha a do dólar-, o que não acontecia há mais de um mês. ''A oferta do swap simplesmente vai compensar o vencimento de outros contratos no começo de maio, então não afeta as cotações da moeda, como também os leilões diários de compra no mercado à vista não afetam'', afirmou Pinto.


Petróleo

No meio do dia, o aumento dos preços do petróleo no mercado internacional voltaram a bater recorde -o barril fechou aos US$ 72,80 em Nova York. E o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) dos EUA ficou em 0,4% em março, com núcleo de 0,3%, acima das expectativas dos analistas, o que fez os rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) de 10 anos atingirem 5,02%.


Água fria

Essas foram notícias que esfriaram um pouco os ânimos dos investidores após a euforia de terça-feira, mas a expectativa era com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira. A expectativa de corte de 0,75 ponto percentual, para 15,75% ao ano, garantiu que o clima se mantivesse positivo. A decisão da autoridade monetária saiu depois do encerramento do expediente.


Comercial

Embora no curto prazo o dólar comercial possa testar o patamar de R$ 2,05, na opinião do analista Pinto as cotações devem voltar a subir em um prazo de quatro a cinco meses, depois que a taxa de juros cair mais e a dos EUA se mantiver perto dos 5% -atualmente, ela está em 4,75% ao ano, mas espera-se uma alta de 0,25 ponto percentual em maio. ''Os dólares que estão entrando no Brasil atualmente são capital especulativo, atraído pela remuneração. Quando esse retorno diminuir, ele vai embora'', diz ele. O dólar paralelo caiu 0,43% hoje, para R$ 2,31, e o turismo recuou 0,45%, para R$ 2,20.

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