MERCADO FINANCEIRO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de abril de 2006
Das agências Estado<br>Folhapress 
Dia de otimismo
A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano trouxe otimismo para o mercado financeiro ontem. Depois que o banco sinalizou que em breve deve ter fim o ciclo de elevação da taxa básica de juros dos EUA, a Bovespa acelerou a alta que exibia desde a abertura e fechou aos 39.572 pontos, patamar recorde, com elevação de 2,88% e giro de R$ 2,934 bilhões. A Bolsa brasileira acompanhou as de Nova York, que também subiram com força. O índice Dow Jones avançou 1,76%, sua maior alta durante a sessão em um ano; o Nasdaq aumentou 1,95% e Standard and Poor's (SP 500) ganhou 1,74%.
Alívio
Nos últimos dias, o temor de que os juros norte-americanos continuassem subindo, depois de 15 aumentos, provocou nervosismo, porque parte dos investidores estrangeiros pode abandonar as suas aplicações em mercados como o brasileiro para buscar retornos mais atraentes. Então, quando o comitê do Fed diz no documento que o fim série de elevações está próximo e que os seus membros até mencionaram no seu mais recente encontro o perigo de um aperto monetário muito forte, o resultado é um certo alívio.
Copom
''A expectativa de que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduza a taxa básica de juros da economia brasileira, amanhã (hoje), dos atuais 16,5% ao ano para 15,75% ao ano foi outro motivo para o recorde da Bovespa hoje (ontem)'', disse Angelo Larozi, analista de investimentos da corretora Souza Barros.
Petrobras
As ações da Petrobras, as mais negociadas do pregão, dispararam 4,72%, para R$ 46,11, pelos recentes aumentos dos preços do petróleo no mercado internacional - ontem o barril fechou a US$ 71,35 em Nova York. ''Creio que, nos próximos dias, a tendência de alta da Bolsa brasileira deve continuar, com alguma correção de preços e realização de lucros no meio do caminho, mas os fundamentos da economia estão bons e favorecem o bom humor no mercado financeiro'', afirma Larozi.
Câmbio
O dólar comercial passou praticamente o dia todo em baixa e terminou a terã-feira com desvalorização de 0,84%, vendido a R$ 2,118 -sua menor cotação desde 16 de março. O dólar paralelo ficou estável em R$ 2,32 e o turismo recuou 0,45%, para R$ 2,21. O risco-país caiu 2,1%, para 233 pontos.
Leilão
''O Banco Central realizou um leilão para compra de moeda no final da manhã, mas mesmo assim estão sobrando dólares no mercado. Depois das 15h, quando saiu a ata da última reunião do Fed (Federal Reserve), as cotações caíram ainda mais'', disse Nelson Moraes, gerente de operações interbancárias de câmbio da corretora Fluxo.
Expectativas
No aguardado documento, o Fed diz que o ciclo de alta dos juros da economia dos EUA está ''provavelmente próximo'', acrescentando que alguns membros do comitê até mencionaram o perigo de um aperto monetário exagerado, o que animou muito o mercado. Por isso, aumentaram bastante as previsões de que, depois de mais uma elevação de 0,25 ponto percentual em maio, a série de 15 altas será interrompida - expectativa alimentada também pelo último indicador de inflação divulgado.
Índices
O índice de preços no atacado em março ficou em 0,5%, acima das projeções de mercado, mas seu núcleo foi de 0,1%, taxa que agradou. Hoje, sai ainda o índice de preços ao consumidor, que também influencia o humor do mercado. As boas notícias vindas do exterior ontem ofuscaram a forte alta do petróleo e dos rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) de 10 anos, que estão em 4,99%.
Petróleo
Uma série de fatores contribuiu, mas o principal, a tensão sobre a crise nuclear no Irã, fez com que o preço do petróleo cruzasse ontem a barreira dos US$ 71, cravando novo valor recorde. O barril do petróleo cru para entrega em maio, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia cotado a US$ 71,35, alta de 1,35%, recorde para um fechamento. Durante as negociações de hoje, o barril chegou a US$ 71,45, maior valor para um contrato de referência desde que a commodity passou a ser negociada em Nova York, em 1983.
Tendência
Segundo analistas do mercado petrolífero, a tendência de alta do produto deve se manter até que haja algum sinal de resolução na atual situação do Irã -um impasse com países ocidentais sobre o programa de enriquecimento de urânio do país. O governo iraniano diz que o programa nuclear do país tem fins pacíficos, o que é contestado por EUA e países da União Européia, que alegam que o Irã pode vir a construir armas atômicas.
Nigéria
A situação na Nigéria também afeta a confiança dos investidores. Grupos de homens armados realizaram uma série de ataques a instalações petrolíferas do país, levando a uma queda de 220 mil barris na produção diária nigeriana no mês passado, na comparação com fevereiro. O recorde anterior havia sido de US$ 70,90, atingido durante as negociações do dia 30 de agosto do ano passado, após a passagem do furacão Katrina pelo golfo do México, onde se concentra boa parte da produção petrolífera e das refinarias dos EUA.
Reservas
Outro fator a contribuir para o aumento do petróleo é a queda nas reservas americanas de gasolina. As refinarias do país ainda sentem alguns efeitos da destruição causada pelo Katrina no ano passado, e recentemente interromperam sua produção para manutenção das instalações, a fim de se prepararem para atender a demanda da temporada de verão no país (inverno no Brasil), quando o consumo de gasolina cresce muito. O crescimento acelerado das economias da China e da Índia também pressiona as cotações, devido ao aumento no consumo nesses dois países.
Sanções
Os investidores temem que, caso sejam aplicadas sanções contra o Irã, o país possa retaliar através de restrições ao fornecimento de petróleo aos países que pressionam pelo fim do programa nuclear iraniano. O Irã é o segundo maior exportador da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Para 2006, a previsão do cartel é de um crescimento de 1,7%, ou cerca de 1,4 milhão de barris diários, e a média de consumo para o ano deve ficar em 84,5 milhões de barris diários, segundo o boletim.


