MERCADO FINANCEIRO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de abril de 2006
Das agências Estado<br>Folhapress 
Exercício de opções
O exercício de opções na Bolsa de Valores de São Paulo ganhou um elemento importante ontem: o anúncio da reestruturação societária da Telemar. A notícia provocou forte alta nas ações da empresa, levando junto os papéis do setor de telecomunicações. Já no mercado de DI, a dois dias da decisão do Copom, a liquidez foi reduzida também por conta da espera dos indicadores norte-americanos que serão divulgados nesta semana. E o dólar voltou a cair, refletindo a redução dos juros norte-americanos e o fluxo cambial positivo.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem em alta de 0,99%, aos 38.462 pontos, com giro de R$ 3,304 bilhões, volume inflado pelo vencimento de opções. A proposta de reorganização societária da Telemar, apresentada ontem, animou os investidores e contribuiu para o desempenho positivo da Bolsa.
Governança
Os papéis ordinários da Tele Norte Leste (do grupo Telemar) tiveram valorização de 27,77%, a R$ 71,30, e tiveram a maior alta do índice. Já a ação preferencial da mesma sociedade subiram 5,65% - para R$ 37 - e registraram o maior giro da Bolsa, com movimento de R$ 311,4 milhões. O objetivo da reestruturação societária da Telemar é pulverizar o seu controle em Bolsa e melhorar a governança corporativa para que os papéis possam ser negociados no Novo Mercado da Bovespa -uma das exigências para isso é ter uma gestão mais transparente. O índice Itel, que reúne papéis das operadoras de telefonia, avançou 3,41%.
Copom
Outro motivo para o avanço da Bovespa foi a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduza a taxa básica de juros da economia, atualmente em 16,5% ao ano, em 0,75 ponto percentual. A decisão da autoridade monetária será divulgada na quarta-feira. As instituições financeiras ouvidas na pesquisa Focus desta semana mantiveram a previsão de que, até dezembro a taxa chegará a 14% ao ano.
Indicadores
Outros indicadores e eventos econômicos são aguardados. Hoje, nos EUA, saem o índice de preços no atacado e a ata da última reunião do comitê de política monetária do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) - o mercado espera indicações sobre o rumo dos juros no país, atualmente em 4,75% ao ano. As previsões são de uma elevação de 0,25 ponto percentual em maio e, a depender do ritmo da inflação, um novo aumento de 0,25 ponto percentual depois.
Nervosismo
A discussão acerca dos juros nos EUA tem deixado o mercado nervoso nos últimos dias pelo temor de que as taxas de lá ficando muito atrativas provocariam uma debandada de mercados como o brasileiro. Especialistas ponderam, no entanto, que o risco de isso acontecer é pequeno, porque a economia do país está mais forte.
Juros
Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o DI com vencimento em janeiro/08 encerrou o pregão com taxa de 14,58%, ante 14,59% na quinta-feira passada; e DI janeiro/07, 14,77%, ante 14,79%.
Câmbio
Apesar de mais uma compra de dólares no mercado pelo Banco Central e de o superávit da balança comercial na segunda semana de abril ter ficado abaixo da média dos períodos anteriores, a moeda norte-americana terminou o dia em queda de 0,23%, vendida a R$ 2,136. Às 17 horas, O risco Brasil subiu 0,42%, para 239 pontos.
Bradies
Um fator que ajudou a derrubar o moeda norte-americana ontem foi a expectativa da entrada no mercado dos dólares que os investidores estrangeiros receberam pelo seus ''bradies'' - títulos da renegociação da dívida externa brasileira emitidos na década de 80. Em fevereiro último, o Tesouro Nacional anunciou a recompra antecipada desses títulos, que venceriam até 2012.
Atraente
''Retirar esses títulos do mercado é mais um passo que o país dá para atingir o grau de investimento - o que ainda não deve acontecer neste ano -, por isso também a medida é muito bem-recebida'', explica Nepomuceno. Na opinião dele, o Brasil continua atraente para aplicações dos estrangeiros porque sua taxa de juros é elevada e o risco diminuiu bastante. O dólar paralelo subiu 2,65%, para R$ 2,32, e o turismo teve queda de 0,89%, a R$ 2,22.
Inflação
As primeiras notícias da semana relativas à inflação foram positivas. O IPC-S da segunda quadrissemana de abril ficou em 0,23%, abaixo do piso das previsões de mercado, que variavam de 0,25% a 0,36%. Na Focus, a projeção do mercado para o IPCA de 2006 caiu de 4,47% para 4,43% e a de 12 meses à frente, de 4,20% para 4,17%.
PIB
A previsão para o crescimento da economia foi mantida. A pesquisa aponta
para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%. Já com sobre a produção industrial, os analistas esperam um crescimento de 4,48%, contra 4,33% da semana anterior. Esse é o quinto aumento consecutivo.
Petróleo
O petróleo encerrou o dia cotado a US$ 70,40 (alta de 1,56%), maior valor para um fechamento desde 1983, quando começou a ser negociado na Bolsa Mercantil de Nova Iorque. Preocupa os investidores o risco de que o Irã possa restringir as importações do produto caso sofra sanções em razão de seu programa nuclear. Com a disparada no preço da commodity, as Bolsas de Valores de Nova York fecharam em queda: o Dow Jones perdeu 0,57%, o Nasdaq recuou 0,64% e o índice Standard and Poor's (SP 500) caiu 0,29%.


