Efeito Treasuries
Os juros dos Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) voltaram a subir ontem e mexeram com os mercados domésticos. O dólar passou todo o dia em alta e a Bovespa voltou a cair. Os contratos de DI também projetaram juros mais elevados por conta dos Treasuries. Mas, como o mercado norte-americano fechou mais cedo, o mercado doméstico operou por duas horas sem a interferência internacional. E, nesse período, os juros embutidos no DI recuaram. Na próxima semana, o Copom decidirá sobre um provável novo corte da Selic.

Juros
Durante o dia, o ambiente externo pressionou todos os mercados. E com os juros futuros não foi diferente. O juro do T-Note de 10 anos ultrapassou o nível de 5% ao ano, o que não ocorria desde junho de 2002. Ao final do pregão, o juro projetado pelo T-Bond 30 anos estava a 5,117%, de 5,051% quarta; juro da T-Note 10 anos estava a 5,044%, de 4,977% quarta; juro da T-Note 2 anos estava a 4,924%, de 4,894% quarta. Na BM&F, o DI com vencimento em janeiro/08 fechou com taxa de 14,59%, ante 14,64% quarta; DI janeiro/07, 14,79% (14,82%).


Comportamento
Na próxima semana, o mercado internacional deve seguir ditando o comportamento dos negócios por aqui, especialmente nos contratos de juro de prazo mais longo. E a semana terá uma agenda carregada de divulgações importantes. Na terça-feira, sai o PPI e a ata do Fomc. Na quarta-feira, tem CPI. Na sexta-feira, será divulgado o número de pedidos de auxílio-desemprego.

Indicadores
Por aqui, a semana - que será igualmente mais curta, por causa do feriado na sexta-feira - começa com a divulgação do IPC-S e da pesquisa Focus na segunda-feira; terça e quarta-feira acontece a reunião do Copom. A aposta do mercado segue firme no corte de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic. Na quarta-feira, será divulgado o IGP-10 de abril e, na quinta-feira, tem IGP-M e IPC-Fipe, ambos referentes à segunda prévia do mês.


Ouro
Ouro na Comex de Nova York a US$ 600,10 a onça-troy, em queda de 0,20%. Ouro na BM&F a R$ 41,30 o grama, em alta de 0,978%.



Bovespa
A recuperação que a Bovespa iniciou quarta-feira foi interrompida pela forte elevação dos treasuries ontem -os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA bateram nos 5%, maior taxa em quatro anos. Embora no exterior as principais Bolsas tenham conseguido superar o nervosismo do início dos negócios e avançar, a cautela dos investidores antes do feriado da Páscoa fez com que a Bovespa passasse todo o dia em terreno negativo, fechando aos 38.082 pontos, em queda de 0,90%, com giro de R$ 1,732 bilhão - movimento inferior à média normal.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Telemar ON (1,64%), Souza Cruz ON (1,62%) e Embraer ON (1,41%). As maiores baixas foram Cemig ON (-4,75%), Telemar Norte Leste PNA (-4,27%) e Cesp PN (-4,09%).

Apostas
O recente aumento dos rendimentos dos treasuries faz aumentarem as apostas em novas altas dos juros da economia norte-americana. Atualmente, estão 4,75%, mas a expectativa é de uma elevação para 5% em maio, na próxima reunião do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA). As taxas maiores atrairiam os investidores, que poderiam abandonar as aplicações em mercados como o brasileiro.

Estrangeiros
Até o dia 10, entretanto, o saldo de investimentos estrangeiros na Bovespa em abril é positivo em R$ 464,538 milhões, resultado de compras de ações no valor de R$ 5,245 bilhões e de vendas de R$ 4,780 bilhões. Em fevereiro e março, foi registrado saldo negativo, mas, no acumulado do ano, o superávit sobe para R$ 2,501 bilhões.



Dólar
Depois de dois dias de queda, o dólar comercial voltou a subir. Terminou a quinta-feira em alta de 0,37%, vendido a R$ 2,141, na contramão do risco-país, que recuou 1,25%, para 237 pontos. O Banco Central comprou divisas em leilão, mas a operação não chegou a influenciar as cotações. Na semana, a moeda norte-americana acumula desvalorização de 0,42%. Devido ao feriado de hoje, os investidores se mantiveram cautelosos e por isso o volume de negócios foi inferior à média normal.

Pessimismo
O que deixou o mercado mais pessimista foi a elevação dos rendimentos dos treasuries. Espera-se que os juros nos EUA, atualmente em 4,75% ao ano, continuem subindo, atraindo dessa forma os investidores que aplicam em mercados como o brasileiro. Mesmo com esse fator de tensão, analistas do mercado financeiro prevêem que as cotações do dólar continuem oscilando perto de R$ 2,15, porque o fluxo de entrada de recursos no mercado continua grande. O dólar paralelo caiu 2,58%, para R$ 2,26, e o turismo avançou 0,44%, para R$ 2,24.

Zum-zum
Nas mesas de operações, comentou-se ontem que as revistas de fim de semana poderiam trazer notícias negativas para o governo Lula, envolvendo o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Houve um zum-zum nas mesas de operações, mas nada que tivesse influenciado de forma decisiva na tomada de decisões.


Nova York
Em Nova York, o Dow Jones fechou em ligeira alta de 0,07%, o Nasdaq avançou 0,49% e o S&P 500 subiu 0,08%. Os preços do petróleo terminaram o dia em alta, pressionados com a tensão internacional provocada pelo programa nuclear do Irã. O barril do petróleo do tipo Brent fechou a US$ 70,57 em Londres, depois de atingir novo recorde histórico de US$ 70,68 ao longo do dia. Em Nova York, o barril para entrega em maio fechou vendido a US$ 69,32.


Das agências Estado e Folhapress

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