Influências externas
Depois de três pregões consecutivos em baixa, a Bovespa voltou a subir ontem, puxada pela melhora das bolsas em Nova York e pelos indicadores favoráveis ao crescimento da economia brasileira. O quadro externo, no entanto, continua inspirando preocupação. Os juros dos Treasuries tiveram comportamento volátil e mexeram com os mercados domésticos de DI e câmbio. O risco Brasil em baixa acabou ajudando o dólar a fechar em queda. Os contratos de DI também embutiram redução das taxas, que oscilaram conforme o mercado norte-americano.

Inflação
A primeira prévia do IGP-M de abril divulgada ontem registrou deflação de 0,43%. A primeira quadrissemana do IPC-Fipe ficou em 0,03%, abaixo das expectativas dos analistas. ''Inflação baixa com atividade econômica forte é tudo o que a bolsa quer para subir'', comentou um operador, lembrando que, além dos baixos índices de inflação, também foi divulgado o indicador de venda de papelão ondulado, que cresceu 13,8% em março ante fevereiro. Usado em embalagens, o papelão ondulado é uma tradicional referência para verificar a atividade econômica.

Indústria
O nível de emprego na indústria cresceu 0,5% em fevereiro em relação ao mês anterior, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi o primeiro resultado positivo depois de quatro meses de recuo, quando a taxa acumulou queda de 1,4% entre os meses de setembro de 2005 e janeiro deste ano.


Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou as norte-americanas, mas também refletiu os bons fundamentos da economia brasileira. Terminou a quarta-feira com alta de 1,28%, aos 38.427 pontos, e giro de R$ 4,803 bilhões, apesar da cautela dos investidores em uma semana reduzida em um dia pelo feriado da Páscoa.

Clima favorável
Para Nami Neneas, responsável pelo departamento de renda variável da corretora Banif Primus, a Bovespa deve continuar oscilando entre 37.000 e 39.000 pontos. ''Não têm havido notícias negativas que derrubem o mercado acionário abaixo desse patamar'', diz o analista. ''O clima local está bastante favorável, com a queda da inflação e a perspectiva de redução dos juros. Dessa forma, aplicações em renda fixa vão trazer retorno menor e os investidores devem passar a investir mais em ações. Além disso, há que se considerar os bons resultados apresentados pelas empresas e a melhora das contas públicas, por isso os prognósticos para a Bolsa são bastante positivos.''


Ações
As ações da Perdigão ingressaram ontem no Novo Mercado da Bovespa, mas caíram 0,76%, a R$ 24,81. Para aderir, as empresas precisam adotar práticas de governança corporativa além das que são definidas pelas legislação. ''O esforço das companhias brasileiras em apresentar melhores práticas de governança também faz com que as suas ações sejam mais atraentes'', comenta o analista Neneas.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Telemar ON (7,45%), Siderúrgica Nacional ON (6,41%) e Eletrobrás PNB (5,14%). As maiores baixas foram Sadia PN (-5,12%), Brasil Telecom Par ON (-2,69%) e Brasil Telecom Par PN (-1,32%).

Nova York
Em Nova York, o Dow Jones fechou em alta de 0,36%, o Nasdaq avançou 0,19% e o S&P 500 subiu 0,12%. O risco Brasil, depois das 18 horas, caía 6 pontos, para 241 pontos-base.

Câmbio
O dólar comercial iniciou o dia em queda, subiu até a máxima de R$ 2,147, mas retomou a baixa no final do dia, fechando a R$ 2,133, com desvalorização de 0,32%. A queda de 2,43% do risco-país, para 240 pontos, ajudou a segurar a moeda norte-americana. O pico das cotações foi atingido quando os rendimentos dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) saltaram de 4,92% para 4,98%.

Queda
Como o volume de negócios no câmbio foi menor do que a média de dias normais por causa do feriado da Páscoa, que encurta a semana em um dia, o efeito sobre as cotações do dólar foi forte, mas logo depois a moeda retomou a trajetória de queda. O fluxo de entrada de divisas no mercado continua elevado, então o dólar não tem muita força para subir. Na opinião de analistas de mercado, a moeda norte-americana deve continuar oscilando entre R$ 2,15 e R$ 2,20 no curto prazo. O dólar paralelo ficou estável a R$ 2,32 e o turismo se manteve em R$ 2,23.

Juros
Apesar do alívio com a inflação, operadores observam que foi nítido que, ao longo da tarde, a alta dos juros dos Treasuries acabou limitando a queda dos DIs. O juro do T-Bond 30 anos fechou com taxa de 5,051% (ante 4,999% de terça); T-Note 10 anos 4,977% (4,929% terça); e T-Note 2 anos, 4,894% (4,864%). Na BM&F, o DI com vencimento em janeiro/08 fechou com taxa de 14,64%, ante 14,72% de ontem; e DI janeiro/07, com taxa de 14,825, ante 14,90% de ontem.

Petróleo
O petróleo fechou mais uma vez em alta ontem, com o barril do tipo Brent batendo um novo recorde em Londres, após a publicação dos dados sobre as reservas americanas e devido às tensões ligadas ao programa nuclear iraniano. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do tipo leve para entrega em maio subiu US$ 0,36, chegando a US$ 68,62. Em Londres, o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em maio fechou a US$ 69,42, cinco centavos a mais do que na terça-feira.

Na Europa
As bolsas européias fecharam em baixa ontem, prejudicadas pelo receio dos investidores com a alta dos preços das commodities e pela realização de lucros antes do feriado. O euro caiu frente ao dólar depois que a Comissão Européia inesperadamente reduziu sua previsão de crescimento para 2006 e depois da divulgação de um déficit comercial menor que o previsto nos Estados Unidos. A bolsa de Londres fechou com o índice FT-100 em queda de 0,26%. Em Frankfurt, o índice Dax caiu 0,12%. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em baixa de 0,54%, em Milão, o índice S&P/Mib subiu 0,22%, em Madri, o Ibex-35 caiu 0,62% e em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em baixa de 0,19%.

Das agências Estado e Folhapress

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