Dia nervoso
Os juros dos Treasuries recuaram ontem, mas as bolsas caíram em Nova York pressionadas pela alta dos preços do petróleo. A Bovespa acompanhou Wall Street e fechou em baixa, na véspera do vencimento do Ibovespa Futuro na BM&F. O dólar voltou a fechar em queda, depois de duas sessões seguidas em alta. O fluxo cambial foi positivo e o volume de negócios aumentou, com antecipação de operações por causa do feriado da Semana Santa. Os juros seguiram o dólar e os Treasuries, e voltaram a cair.

Juros
O mercado de juros acabou devolvendo ontem boa parte da alta de segunda-feira, aproveitando o alívio nos juros dos Treasuries e do dólar, no mercado local. O T-Bond 30 anos fechou em 4,999% (ante 5,031% segunda); T-Note 10 anos, 4,929% (4,958%); T-Note 2 anos, 4,864% (4,881%). No pregão viva-voz, o DI janeiro/10 fechou com taxa de 14,90%, ante 14,84% de segunda-feira. Na BM&F, o DI com vencimento em janeiro/08 fechou com taxa de 14,72%, ante 14,84% ontem; DI janeiro/07, 14,912%, ante 14,99%; e DI janeiro/09, 14,83%, ante 14,84%.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo teve ontem seu terceiro dia seguido de queda. No início dos negócios, a Bolsa brasileira até ensaiou uma recuperação, mas o mau humor que tomou conta do mercado acionário norte-americano por conta do aumento dos preços do petróleo a fez fechar em queda de 1,48%, aos 37.901 pontos, com giro de R$ 2,231 bilhões. Cautelosos também devido ao feriado da Paixão de Cristo, que deixa a semana mais curta, os investidores preferiram continuar embolsando os lucros conseguidos nas sessões da semana passada -na quinta-feira, a Bovespa chegou aos 39.285 pontos.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Telemar ON (3,35%), Comgás PNA (1,42%) e Souza Cruz ON (0,97%). As maiores baixas foram TIM Par PN (-4,48%), Vivo PN (-4,37%) e TIM Par ON (-4,33%).

Petróleo
Em Nova York, os preços do petróleo encostaram em US$ 70, próximo ao recorde histórico, alimentando preocupações sobre o crescimento da inflação. A consequência disso, a continuidade do ciclo de altas da taxa de juros norte-americana, é que os investidores fogem de mercados como o Brasil, preferindo aplicar nos EUA.

Irã e urânio
''Outro motivo para nervosismo foram os boatos de que o Irã havia conseguido pela primeira vez enriquecer urânio'', acrescenta Carlos Camacho, sócio gestor da GAP Asset Management. Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, admitiu que o país completou o ciclo de produção de combustível nuclear, o primeiro passo para o processo de enriquecimento de urânio. ''A Bovespa está sendo influenciada por fatores de curto prazo, que são essas notícias. Ou seja, o movimento observado nos últimos dias não representa uma tendência'', ressalva Camacho.

Tensão
O petróleo oscilou principalmente por causa de perspectivas de tensão entre o Irã e os EUA, a manutenção da crise na Nigéria e previsão de aumento no consumo de gasolina durante o verão no Hemisfério Norte.

Nova York
No encerramento dos negócios, o preço do petróleo desacelerava a alta para fechar em US$ 68,98 o barril (0,35%). Em Nova York, as bolsas caíram. O Dow Jones fechou em baixa de 0,46%, o Nasdaq recuou 0,98% e o S&P 500 caiu 0,77%. Já o risco Brasil acabou ficou praticamente estável, recuando apenas 1 ponto, para 244 pontos base, depois das 18h.

Ouro
Ouro na Comex de Nova York a US$ 593,50 a onça-troy, em alta de 0,02%. Ouro na BM&F a R$ 41,120 o grama, queda de 0,44%.


Câmbio
Como o fluxo de entrada de divisas no mercado financeiro se mantém elevado, as cotações do dólar comercial não foram afetadas ontem pelo mau humor que a expectativa sobre a trajetória dos juros nos EUA tem provocado no mercado. A moeda norte-americana teve queda de 0,78%, a R$ 2,14. Durante o dia, oscilou de R$ 2,138 a R$ 2,152.

Foco
''O principal foco das atenções está nos preços do petróleo e no rendimento dos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano), que avançaram nos últimos dias'', diz Carlos Abdalla, assessor de investimentos da corretora Souza Barros. ''Já há dois anos especulava-se sobre o efeito que o aumento do retorno dos títulos teria sobre o mercado financeiro, mas a realidade é que o efeito pode não ser tão catastrófico como se pensava.''

Retorno
Na opinião do analista, a melhora da economia brasileira evidenciada por fatores como o risco-país em 246 pontos, o crescimento das reservas internacionais e o superávit nas transações comerciais com outros países ajudam a minimizar as consequências ruins de um aumento dos juros nos EUA - a alta das taxas atrai os investidores, que então abandonam mercados como o brasileiro. Mesmo porque o retorno oferecido aos investidores estrangeiros continuam bons, já que a Selic está em patamar elevado: 16,5% ao ano.
''Por conta do debate de todas essas questões, pode-se dizer que o clima no mercado é de indefinição'', comenta o analista.

Semana curta
A cautela deve continuar dando o tom, especialmente em uma semana mais curta por causa das comemorações da Páscoa, mas a expectativa é de que as cotações da moeda norte-americana oscilem de R$ 2,15 a R$ 2,20 no curto prazo. O dólar paralelo ficou estável em R$ 2,32 e o turismo caiu 0,44%, para R$ 2,23.

De lado
Lá fora, o dólar operou de lado. Por volta das 18h15, o dólar caía 0,01%, para 118,31 ienes, e o euro subia 0,28%, para US$ 1,2148.


Das agências Estado e Folhapress

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