Preocupação
O cenário externo continua preocupando os mercados domésticos. E a corrida presidencial começa a chamar a atenção das mesas de operações. Os juros de longo prazo subiram bastante ontem, numa continuidade do ajuste técnico iniciado na sexta-feira. A Bovespa também deu sequência ao movimento de realização de lucros e aproveitou o vencimento do Ibovespa Futuro na próxima quarta-feira para especular com o avanço de Anthony Garotinho em pesquisa de opinião. O dólar subiu pela segunda sessão consecutiva, em reação à volatilidade dos Treasuries (títulos de longo prazo emitidos pelo Tesouro norte-americanos) e do mercado internacional de moedas.

Treasuries
Os juros dos Treasuries encerraram o dia em queda. Mas, para profissionais, as taxas continuam em níveis elevados. O juro do T-Bond de 30 anos fechou com taxa de 5,031% (ante 5,039% na sexta-feira); T-Note de 10 anos, 4,958% (4,962%); e T-Note de dois anos, 4,881% (4,876%).


Inflação
Internamente, o noticiário sobre inflação não ajudou a definir os negócios. O IPC-S de até 7 de abril subiu 0,30%, ante aumento de 0,22% apurado no IPC-S anterior, de até 31 de março. A taxa ficou acima do teto das estimativas dos analistas do mercado financeiro que esperavam um resultado entre 0,14% e 0,23% (mediana em 0,19%).

Focus
A Focus trouxe uma queda da mediana das expectativas de IPCA em 2006 para um nível abaixo do centro de meta de inflação do ano (a projeção cedeu de 4,50% para 4,47%). No entanto, no Top 5, a estimativa, que já tinha caído abaixo da meta na pesquisa anterior, voltou a subir acima da meta (passou de 4,42% para 4,52%). A Focus ratificou a aposta do mercado em queda da Selic, na semana que vem, de 0,75 ponto porcentual, para 15,75%. Mas a taxa estimada para o final do ano caiu de 14,13% para 14%, chegando ao porcentual que era já comentado nas mesas.

Juros
Na BM&F, o DI com vencimento em janeiro/08 fechou com taxa de 14,84% (ante 14,65% na sexta-feira); DI janeiro/07, 14,99% (14,94%); e DI janeiro/09, 14,84% (14,63%).

Bovespa
A bolsa paulista iniciou a semana dando continuidade à realização de lucros registrada na sexta-feira. O mercado colocou o pé no freio diante das incertezas sobre os juros nos EUA. Já os vendidos no Ibovespa Futuro, que tem exercício na quarta-feira, aproveitaram para especular sobre o resultado da pesquisa de opinião do Datafolha, divulgada domingo.

Especulação
O movimento financeiro recuou, tirando um pouco o peso da queda. O Índice Bovespa fechou em baixa de 1,16%, com 38.474 pontos. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular altas de 1,38% em abril e de 15% em 2006. O movimento financeiro recuou em relação à média do mês, ficando em R$ 1,879 bilhão.

Eletrobrás
O destaque na bolsa foi Eletrobrás. As ações da empresa estão no topo das maiores quedas do Ibovespa. Ficaram longe, no entanto, das mais negociadas. Petrobras PN, por exemplo, girou R$ 196 milhões. Eletrobrás PNB movimentou apenas R$ 24 milhões. Operadores atribuíram a queda dos papéis da companhia ao resultado do Datafolha e à realização de lucros.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Embratel Par PN (3,68%), Net PN (2,68%) e Souza Cruz ON (2,27%). As maiores baixas foram Eletrobrás ON (-7,76%), Eletrobrás PNB (-5,28%) e Cesp PN (-3,82%).

Câmbio
O dólar comercial fechou em alta, pelo segundo dia útil seguido, de 0,33%, a R$ 2,157 na roda da BM&F e no balcão. As cotações do pronto foram sustentadas pela volatilidade dos juros dos Treasuries e do dólar ante o euro e iene, e as altas dos preços do petróleo e do risco Brasil. Às 18h09, o risco País subia 3 pontos, para 247 pontos-base. Internamente, também contribuiu a inquietação causada pelo resultado da pesquisa Datafolha no fim de semana. A apertada disputa pelo segundo lugar na pesquisa aumentou a expectativa do mercado sobre o resultado da pesquisa CNT-Sensus, que será divulgada hoje.

O receio do mercado é de que a nova pesquisa confirme eventual crescimento de Garotinho, que se opõe abertamente à continuidade da política econômica atual. O presidente Lula, embora também tenha perdido alguns pontos na pesquisa Datafolha, se mantém na liderança da corrida presidencial.

Nos EUA
Em Nova York, as bolsas tiveram um comportamento morno. O Dow Jones fechou em alta de 0,19%. O Nasdaq caiu 0,25% e o S&P 500 ficou praticamente estável, com valorização de apenas 0,09%.

Petróleo
Os preços do petróleo aumentaram fortemente ontem, batendo seu recorde histórico durante o pregão em Londres, devido aos reiterados temores de uma provável ação militar dos Estados Unidos contra o Irã caso Teerã não renuncie ao seu programa nuclear. Em Nova York, o barril do leve cru para entrega em maio subiu US$ 1,35, a US$ 68,74 no fechamento, o nível mais alto desde 30 de janeiro (US$ 68,35). Em Londres, o barril do Brent do mar do Norte superou durante a sessão seu recorde histórico de agosto de 2005 (US$ 68,89) alcançando os US$ 68,93 e fechando o dia em US$ 68,75, em alta de US$ 1,46.

Das agências Estado e France Presse

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