MERCADO FINANCEIRO
Indicadores
O mercado passou toda a semana à espera de dois indicadores que foram divulgados ontem: os dados sobre o mercado de trabalho norte-americano (payroll) e o IPCA, ambos relativos a março. O IPCA de 0,45% ficou um pouco acima do índice de fevereiro e foi bem recebido nas mesas de operações. Já o payroll veio acima das previsões, sinalizou aquecimento da economia norte-americana e alimentou expectativas de que o Federal Reserve poderá prolongar o aperto monetário. Os juros dos Treasuries subiram e as bolsa caíram em Wall Street. Aqui, o reflexo foi imediato. No mercado de DI, os juros fecharam em alta. O dólar subiu após seis quedas consecutivas. E a Bovespa fechou em baixa, depois de ter batido recorde na véspera.
Bovespa
As Bolsas de Nova York ditaram o comportamento dos investidores no mercado doméstico e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda ontem. O Ibovespa, índice com as 57 ações de maior liquidez, fechou em baixa de 0,91%, aos 38.926. Foi a primeira baixa depois de sete pregões consecutivos e ocorreu um dia depois de o Ibovespa ter atingido o maior patamar em pontos do ano, aos 39.285 pontos. Na semana, o índice acumulou alta de 2,57%.
Fundamentos
''Estamos com um olho nos fundamentos da economia doméstica e outro na reação dos mercados globais quanto ao custo do dinheiro'', diz Sandra Utsumi, economista-chefe do BES Investimento.
Lucros
Somado a isso, o dia foi de realização das Bolsas americanas, movimento iniciado quinta-feira no final do pregão. O Dow Jones Industriais, o índice mais importante de Wall Street, recuou 0,86%, para 11.119 pontos. O indicador da Nasdaq, mercado em que é cotada a maior parte das empresas de tecnologia, caiu 0,94%, para 2.339. Já o Standard & Poor's fechou em queda de 1,03%, aos 1.295 pontos.
Emergentes
''Foi um dia salutar de realizações, mas apimentado pelo cenário internacional e o avanço dos treasuries'', diz Marco Melo, diretor de pesquisa da corretora Ágora Senior. A princípio, os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos seriam positivo, pois indicam aquecimento da economia do país.
Aperto
Por outro lado, os mesmos dados reforçam a perspectiva de o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manter o aperto monetário e promover novas altas da taxa de juros. A situação é desfavorável para os países emergentes pois incentiva os investidores a fugirem dos ativos de risco.
Volatilidade
''Trabalho com a perspectiva de os fed funds fecharem o ano a 5,25%. Mas isso não significa reversão definitiva dos recursos para emergentes. Mesmo esse cenário ainda é favorável para o Brasil'', diz Melo. Para a próxima semana, os analistas projetam volatilidade para o mercado, ainda à mercê das perspectivas em torno na taxa de juros dos Estados Unidos e do comportamento das Bolsas internacionais.
Espera
No mercado doméstico, contudo, é consenso entre os analistas de que o cenário continua positivo para a redução da taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 18 e 19 deste mês. ''É possível que tenhamos boas notícias no próximo boletim Focus, do Banco Central. Os analistas devem indicar o IPCA abaixo da meta de inflação do governo de 4,5%'', afirma Melo.
Destaques
O giro financeiro na Bovespa ontem foi de R$ 2,250 bilhões. As maiores altas no Ibovespa foram Tim ON (2,92%), Banco do Brasil ON (2,63%), Embraer ON (2.04%) e Sadia PN (2,02). As maiores baixas ficaram por conta de Cesp PN (-4,76%), Light ON (-4,30%), Transmissão Paulista (-4,11%) e Comgas PNA (-3,54%).
Dólar
O dólar fechou em alta de 0,93% ontem, cotado a R$ 2,150. Na semana, a moeda acumulou desvalorização de 0,69%. Depois de seis sessões consecutivas de queda, a moeda norte-americana foi impulsionada por um movimento de ajuste de posições e, sobretudo, pelo temor de novas altas na taxa de juros norte-americana.
Disparada
O rendimento dos títulos do Tesouro americano dispararam ontem por conta do relatório do emprego norte-americano. O título de 10 anos, principal referencial de juros a longo prazo nos EUA, atingiu rendimento de 4,957%, maior patamar desde junho de 2002. ''A partir da perspectiva de o Fed estende os juros para além dos 5% previstos para esse ano, os investidores buscam realocar investimentos, diminuindo posições mais longas e ativos de risco'', diz Sandra Utsumi, economista-chefe do BES Investimento.
Cautela
Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper, recomenda cautela em relação ao câmbio na próxima semana. ''Apesar do fluxo de recursos e das exportações estarem positivos, não dá para esquecer que estamos em ano eleitoral e que a perspectiva de alta nos juros dos Estados Unidos pode voltar a pressionar os treasuries. A tendência de queda do dólar já não é tão clara'', diz Knauer.
Futuros
Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), a maioria das projeções de juros sinalizou alta no fechamento. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2008, o mais negociado, indicou taxa anual de 14,65%, ante 14,47% do ajuste de quinta-feira. O DI de maio, que concentra as apostas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nos dias 18 e 19 deste mês, indicou juro anual de 16,13%, contra 16,14% do último ajuste.
Petróleo
Os preços do petróleo registraram leve baixa nesta sexta-feira, devido à expectativa de retomada da produção num campo da Nigéria, apesar de o mercado continuar tenso. Em Nova York, o barril de cru leve para entrega em maio caiu 55 centavos, a US$ 67,39 dólares. As cotações subiram bastante nos últimos dias, aproximando-se dos US$ 68 dólares na quinta-feira em Nova York.
Das agências Estado, Folhapress e AFP





