MERCADO FINANCEIRO
Mudança no BC
Os economistas Paulo Vieira da Cunha, professor na Universidade Columbia (EUA), e Mário Mesquita, que estava no banco ABN Amro, vão substituir, respectivamente, Alexandre Schwartsman na diretoria de Assuntos Internacionais e Alexandre Tombini na diretoria de Estudos Especiais do Banco Central. O BC também anunciou que Tombini passará a ocupar a diretoria de Normas, hoje comandada por Sérgio Darcy, que será indicado para o Conselho de Administração da Centrus, o fundo dos funcionários do BC. A saída de Darcy não era esperada e atende a uma estratégia de Meirelles de blindar a Centrus contra um processo de aparelhamento político.
Bem recebidos
A troca de diretores do BC não mexeu em nada com os negócios ontem. Os novos nomes foram muito bem recebidos e indicaram que o Banco Central não mudará sua trajetória, que é amplamente aprovada pelos mercados. O dólar fechou em baixa pelo sexto dia consecutivo, descolando-se da piora externa. A Bovespa oscilou bastante, mas fechou em recorde de pontuação puxada pelos papéis do setor elétrico. Já o mercado de juros ficou travado à espera da divulgação hoje do IPCA de março.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta ontem. O Ibovespa, índice com as 57 ações de maior liquidez, subiu 0,59% e atingiu os 39.285 -novo recorde histórico e o 16º do ano. O volume financeiro negociado somou R$ 2,158 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumula alta de 3,51%. No sétimo pregão seguido de alta, os ganhos são de 7,10%. O risco-país registra 239 pontos, acréscimo de 0,42%.
Norte-americanas
As Bolsas americanas oscilaram ao longo do pregão e fecharam sem tendência. O Dow Jones, principal indicador da Bolsa de Nova York, caiu 0,21%, a 11.216 pontos. O Standard & Poor's 500 recuou 0,19%, para 1.309 pontos. O índice tecnológico Nasdaq registrou ligeira alta de 0,06%, aos 2.361 pontos.
Temor
Entre os principais fatores que brecaram o avanço dos negócios em Wall Street nas últimas horas do pregão está a alta do petróleo e a realização de lucros (depois das altas de quarta-feira). O temor de investidores em assumir posições antes da divulgação de relatório de emprego de março, amanhã, também frearam as negociações. ''A Bovespa acompanhou Nova York durante todo o dia. A partir das 15h, se descolaram. Nasdaq e Dow Jones começaram a realizar, e a Bovespa seguiu seu rumo'', diz Jason Vieira, economista da GRC Visão.
Destaques
As ações do setor de siderurgia e da Petrobras puxaram a alta da Bovespa. As ações da Arcelor Brasil avançaram 1,8% e registraram o terceiro maior giro financeiro do dia, com quase R$ 95 milhões, atrás somente das blue chips Petrobras (R$ 198,55 milhões) e Vale do Rio Doce (R$138,92 milhões). As maiores altas do Ibovespa ontem foram Eletrobras ON e PNB (7,77% e 7%, respectivamente), Embratel PN (5,30%) e Transmissão Paulista PN (4,29%). As maiores baixas ficaram com Klabin PN (3,86%), Telemig PN (3,65%), Eletropaulo (3,33%) e Telesp PN (2,41%).
Atratividade
Segundo Vieira, a visão dos investidores sobre o Brasil é muito positiva. A aceitação das mudanças no Ministério da Fazenda e no Banco Central e os fundamentos da economia preservados garantem a atratividade do mercado brasileiro. Além do relatório de emprego dos Estados Unidos, o cenário nacional também conta com importante parâmetro para as metas de inflação, o IPCA de março. No próximo dia 19, o Comitê de Política Monetária (Copom) define a taxa básica de juros, a Selic.
Câmbio
Depois de uma sessão instável, o dólar fechou em baixa de 0,18% ontem, cotado a R$ 2,130. Foi a sexta sessão seguida de desvalorização da moeda norte-americana, acumulada em 3,79%. Os fundamentos da economia inalterados e o fluxo positivo de recursos têm definido a trajetória da divisa norte-americana. A queda só não é mais acentuada, dizem os analistas, devido à cautela dos investidores em relação à taxa de juros nos Estados Unidos.
Oscilações
''O mercado está de lado. Oscila, mas mais em função do mercado externo. O preço do petróleo está elevado e toda vez que uma commoditie sobe, também sobe a expectativa de aumento de juro na economia norte-americana e os ativos domésticos se alteram'', avalia Guari Guazil, da corretora Guitta.
Focos de atenção
O preço do petróleo e o aumento dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano têm concentrado as atenções dos agentes. Os treasuries, os títulos de 10 anos, registram alta de 0,54%, aos 4,893%. O desempenho desses papéis é desfavorável às economias emergentes. Já o barril de petróleo subiu US$ 0,87 ontem e fechou cotado a US$ 67,94 para entrega em maio.
Captação de fundos
As captações dos fundos de investimentos brasileiros cresceram 160% no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período do ano passado e já superam as entradas verificadas nos 12 meses de 2005. Segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), de janeiro a março deste ano os fundos captaram R$ 39,9 bilhões. Este é o maior volume de captação em um primeiro trimestre dos últimos cinco anos. Em igual período ano passado, a indústria havia captado R$ 15,3 bilhões e, durante 2005 inteiro, R$ 22,3 bilhões.
Renda fixa
Os fundos de renda fixa -que pagam juros- e multimercados -que carregam ativos de diferentes segmentos, principalmente títulos atrelados a juros e ações- foram os que atraíram maior volume de recurso no primeiro trimestre. Os fundos de renda fixa captaram R$ 16,7 bilhões no período e os multimercados, R$ 11,7 bilhões.
DIs
Os referenciados Depósitos Interfinanceiros (DI), que também acompanham a variação dos juros, registraram entradas de R$ 3,5 bilhões, seguidos pelos de curto prazo, com R$ 2,6 bilhões; ações, com R$ 2,4 bilhões; FIDCs (Fundos de Investimento de Direitos Creditórios), com R$ 2 bilhões; e Previdência com R$ 1,7 bilhão. Pelo lado dos resgates, os fundos e dívida externa apresentaram saída de R$ 883 milhões e os cambiais, de R$ 295 milhões.
Das agências Estado e Folhapress





