Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em leve alta ontem, depois de o Ibovespa registrar ganhos de 0,92% no início do pregão e ultrapassar os 39.000 pontos. Mas o índice recuou e registrou elevação de 0,22%, aos 38.802 pontos.
Segundo analistas, a Bolsa não teve uma alta mais representativa pelo temor de novos aumentos na taxa de juros dos Estados Unidos e pela crise política brasileira que não dá trégua.

Depoimentos
''Não há dúvidas no mercado quanto à manutenção da política monetária. Mas a crise política não dá sossego e não é benigno para o investidor'', diz Sandra Utsumi, economista-chefe do Espírito Santo Securities. Ontem, o cenário político foi movimentando pelo depoimento do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, acusado de pagar contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acusações contra o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, também abastecem o noticiário.

Contrapartida
O crescimento da produção industrial brasileira em fevereiro, divulgado ontem, foi a contrapartida ao cenário de cautela. Segundo analistas, ainda que haja fluxo na Bolsa, as atuações são pontuais. ''A Bolsa está no giro curto, típico de investidores que compram e vão embora. As tesourarias dos bancos operam no dia-a-dia e os estrangeiros estão distantes. O que há é atuação na arbitragem'', diz um operador.

Alta acentuada
Mas a cautela não é a toa, diz Sandra Utsumi: ''As taxas de juros subiram de maneira acentuada nos Estados Unidos e os títulos do Tesouro norte-americano testam patamares históricos, o Global 40 caiu abaixo do valor de face e encontra dificuldades para se recuperar. O risco-país também está distante dos 214 pontos de antes da crise política''. Ontem, o risco-país ficou estável em 234 pontos.

Treasuries
Segundo Alessandra Ribeiro, economista da corretora Tendências, absorvida a volatilidade com a posse de Guido Mantega, os treasuries voltaram a pressionar com mais força o mercado. O rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano com vencimento em 10 anos apresentou leve recuo ontem, de 0,02%, mas ainda se mantém em nível historicamente elevado, a 4,87%. O comportamento dos treasuries reforçam o temor de manutenção do aperto monetário nos Estados Unidos, tornando o cenário mais desfavorável às economias emergentes.

Destaques
O giro financeiro do Ibovespa foi de R$ 2,148 bilhões. As maiores altas foram Sadia PN (6,16%), Vivo PN (4,11%) e Gerdau PN (3,02%). As maiores baixas foram Transmissão Paulista PN (5,29%), Embratel PN (3,55%) e VCP (2,38%).


Dólar
Em queda há quatro sessões consecutivas, o dólar fechou ontem cotado a R$ 2,136. A desvalorização foi de 0,18%. No acumulado dos últimos quatro dias de operações, o decréscimo foi de 3,52%. O movimento é fortalecido pelo fluxo positivo de recursos e pelo clima de relativa tranquilidade no mercado. O risco-país recuou 0,42% e fechou aos 234 pontos.

Favorável
''A combinação entre fluxo de recursos e expectativa dos bancos, a partir de um cenário favorável, faz com que os investidores vendam seus papéis e a taxa de câmbio caia'', diz Guari Guazil, da corretora Guitta. Depois de passar por forte valorização na semana passada, com as mudanças no Ministério da Fazenda, atingindo os R$ 2,214, a moeda norte-americana chegou ontem a patamares do início de março. A cotação mínima ao longo do dia bateu em R$ 2,122.

Leilão
Para conter a desvalorização do dólar, o Banco Central atuou no mercado com leilão de compra de dólares. A taxa de corte foi fixada em R$ 2,133. O efeito foi pequeno, segundo os analistas. ''Se as condições do cenário nacional forem mantidas, com fluxo positivo, a tendência é o dólar continuar caindo. E, nesse caso, o Banco Central terá de encontrar uma ferramenta para conter a queda, se não quiser que isso ocorra'', diz Guazil.

Títulos
O cenário externo mais tranquilo também foi favorável. Depois de atingir patamares históricos, o rendimento dos títulos norte-americanos recuaram nesta tarde, apesar de ainda elevados. Por outro lado, a possibilidade de elevação dos juros pelo Federal Reserve (o banco central norte-americano), Banco Central Europeu e Banco do Japão poderá reduzir o volume de aplicações nos mercados emergentes.

Emprego
Na próxima sexta-feira, o relatório de emprego nos Estados Unidos deverá fornecer fortes indícios sobre o futuro do aperto monetário no país. ''Os dados podem trazer cautela aos investidores e provocar volatilidade para os preços dos ativos financeiros domésticos, como consequência de uma eventual pressão de alta sobre os rendimentos dos títulos norte-americanos'', diz Miriam Tavares, da corretora AGK.

Petróleo
O petróleo fechou em baixa ontem devido a realizações de lucros, na véspera da publicação dos dados sobre as reservas estratégicas americanas. Mesmo assim, a commodity continua acima dos US$ 66 dólares por causa das tensões geopolíticas no mundo. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o barril de cru cedeu 51 centavos e fechou a US$ 66,23. Segundo analistas, o relatório sobre os estoques americanos deve assinalar um aumento de 1,2 milhão de barris de petróleo na semana encerrada em 31 de março.

Na Europa
As bolsas européias fecharam em baixa nesta terça-feira, com as ações de energia destacando-se na queda, por causa do declínio dos preços do petróleo. Em Londres, o índice FT-100 fechou em baixa de 0,33%. Em Paris, o índice CAC-40 caiu 0,94%. Em Frankfurt, o índice Dax caiu 0,17%; A bolsa de Milão fechou com o índice S&P/Mib em baixa de 0,63%. A bolsa de Madri fechou com o índice Ibex-35 em baixa de 0,22% e a bolsa de Lisboa fechou com o índice PSI-20 em queda de 0,37%.

Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em queda com realização dos lucros dos últimos sete pregões, quando o índice Nikkei acumulou valorização de 5,1%. As ações de tecnologia e blue chips exportadoras estiveram entre as mais castigadas pelo movimento. Mesmo assim, o índice Nikkei terminou o dia em baixa modesta, de 40,40 pontos (0,2%). Entre as blue chips que mais perderam na realização estiveram Kyocera (-1,7%), Tokyo Electron (-1,6%), Toyota (-0,5%) e Honda (-0,5%).

Das agências Estado e Folhapress

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