MERCADO FINANCEIRO
Câmbio
O dólar fechou em forte queda ontem, impulsionado pelo mercado externo e pelo ingresso de recursos externos. A desvalorização foi de 1,15% e a moeda norte-americana terminou cotada em R$ 2,140. ''O dólar segue acompanhando o mercado internacional. A exemplo de outras moedas, que começaram o dia perdendo em relação ao dólar, o real passou a ganhar. O fluxo intenso também pressionou a taxa de câmbio'', disse Mário Battistel, diretor de câmbio da corretora Novação.
Fluxo
Livre das especulações sobre o caminho a ser tomado por Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda, o mercado de câmbio foi pressionado pelo fluxo de entrada de recursos. ''Vendo que a moeda norte-americana têm condições para recuar, os exportadores começaram a vender papéis'', diz Larry Gaspar, da corretora Bancom.
Surpresa
Acostumado às intervenções do Banco Central à tarde, o mercado foi surpreendido por uma ação de compra de dólares no mercado à vista ainda pela manhã. Para Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez, a entrada de recursos no mercado motivou a ação do BC, que em geral ocorre à tarde, para balizar a taxa. A taxa de corte foi de R$ 2,153.
Recuo
O recuo das taxas de contratos DI - que mostram as projeções para os juros- reflete o retorno do mercado à calmaria, depois da turbulência no Ministério da Fazenda na semana passada, e as notícias do boletim Focus. Divulgado semanalmente pelo Banco Central, o relatório aponta convergência da projeção de mercado para o IPCA deste ano, de 4,57% para 4,50%. A nova estimativa coincide com o centro da meta de inflação deste ano. Ontem, o DI janeiro de 2008, um dos mais negociados, ficou em 14,54% ao ano -contra 14,87% de terça-feira passada, quando o mercado reagiu negativamente à indicação de Guido Mantega para a Fazenda.
Mais baixa
Caso não surjam novos fatos políticos e o mercado externo permaneça favorável, dizem os analistas, a tendência é a taxa de câmbio seguir em baixa nos próximos dias e oscilar entre R$ 2,13 e R$ 2,16. Na contramão, com algum ruído político interno ou alta acentuada nos rendimentos dos títulos americanos, o dólar poderia subir ante o real e voltar a oscilar próximo aos R$ 2,20.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em forte em alta. O Ibovespa, índice com as 57 ações mais negociadas, registrou elevação de 2,02% aos 38.717 pontos, o maior patamar em um mês. O giro financeiro foi de R$ 2,258 bilhões.
Foi a quarta alta seguida da Bovespa, que acumulou valorização de 5,55% no período. A última perda do mercado ocorreu na terça-feira passada, quando os investidores ainda reagiam de forma negativa à substituição de Antonio Palocci por Guido Mantega no comando do Ministério da Fazenda.
Incertezas
''Aqui passou todo o receio quanto à política econômica a ser adotada por Guido Mantega. Está bem claro que vai manter o que estava dando certo. As incertezas ficam por conta da taxa de juros dos Estados Unidos'', diz Mauro Giorgi, da corretora Geração Futuro.
Nova York
O desempenho positivo das Bolsas de Nova York na maior parte do dia definiu os rumos do mercado brasileiro. As Bolsas de Nova York fecharam com tendências opostas: o índice Dow Jones subiu 0,32% e o Nasdaq recuou 0,13%. O índice ampliado Standard and Poor's (SP 500), mais representativo da tendência geral, subiu 0,23% (+2,98 pontos).
Dados internos
No cenário interno, os dados da balança comercial de março e o boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central, mantêm a onda de boas notícias. No relatório do BC, os analistas reduziram as projeções para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 4,5% neste ano.
Positivismo
As estimativas para a Selic caíram para 14,13% e o dólar foi mantido em R$ 2,20 no final do ano. Já o saldo da balança comercial ficou positivo em US$ 3,681 bilhões em março -crescimento de 30,5% sobre fevereiro e de 10,1% sobre o mesmo mês do ano passado.
Emergentes
Nos Estados Unidos, os números da atividade manufatureira ajudaram a reduzir a valorização do títulos do Tesouro, o que ajudou a acalmar as economias emergentes. ''A Bovespa reflete o comportamento do cenário externo, ainda que o petróleo e os títulos norte-americanos estejam em constante oscilação e alta'', diz Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez.
Cautela
Para Voss, o cenário é favorável tanto para o mercado externo quanto interno. A cautela, diz ele, fica por conta dos constantes reajustes no petróleo e nas commodities, que podem gerar inflação, e, portanto, motivar novas altas nos juros norte-americanos. ''Um cenário com dólar em queda e Bolsa em alta é temerário porque o mercado pode perder sustentação, pressionado pelo juros dos Estados Unidos'', avalia Voss.
Destaques
As maiores altas no Ibovespa ontem foram Souza Cruz ON (8,27%), Ipiranga PN (7,65%), Light ON (5,49%) e Telemar PNA (5,45%). As maiores baixas ficaram com Transmissão Paulista PN (3,19%), Braskem PNA (2,60%) e Comgas PNA (2,29%).
Petróleo
O petróleo fechou em leve alta ontem, em meio às tensões geopolíticas e aos riscos de escassez de gasolina nos Estados Unidos. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o barril de petróleo subiu 11 centavos, fechando a US$ 66,74 dólares. A máxima do dia no entanto chegou a US$ 67,90.





