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Dia de alívio
Os mercados domésticos respiraram mais aliviados ontem com a melhora do humor em Wall Street e a garantia de autonomia prática do Banco Central na condução da política monetária. Juros e Bovespa devolveram parte das perdas da véspera, quando o mercado temia a possibilidade de interferência política nas decisões sobre juros e metas de inflação. É sabido que a transição entre Palocci e Mantega continuará sendo monitorada de perto pelas mesas de operações. Mas, no primeiro dia após a posse do novo ministro da Fazenda, a reação dos mercados foi positiva. O dólar destoou um pouco desse cenário menos pessimista, mas fechou o dia em movimento de desaceleração da alta das cotações.

Juros
O mercado de juros devolveu boa parte do prêmio acrescentado aos contratos desde que houve a mudança na direção da equipe econômica, na segunda-feira. Na BM&F, o DI com vencimento em janeiro/08 encerrou o pregão viva-voz com taxa de 14,787% e o pregão eletrônico com taxa de 14,74% (14,96% do dia anterior); DI janeiro/07, 15,07% no viva-voz e 15,02% no eletrônico (15,12% na terça); e DI janeiro/09, 14,74% no viva-voz e 14,73% no eletrônico contra 14,90% (dia anterior).

Autonomia
O motivo do alívio, segundo operadores, foi a percepção de que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tem total autonomia, manterá o controle da condução da política monetária e assegurará, assim, a manutenção das política em vigor. ''O Meirelles é o fiador do governo e a sensação é de que ele ganhou uma blindagem da parte do presidente Lula para impedir qualquer interferência política'', afirma um operador.


Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em forte alta, de 2,21%, depois de ter despencado na terça-feira. O Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, fechou aos 37.491 pontos. O volume negociado foi de R$ 2,171 bilhões. O destaque de giro financeiro fica com as ações preferenciais da Petrobras, que negociaram R$ 261,448 milhões. As maiores altas do Ibovespa foram de Eletrobras PNB e ON (6,81% e 6,43%, respectivamente), Net PN (6,06%), Cesp PN (5,08%) e Sadia PN (4,60%). As maiores baixas ficaram com Light ON (-19,37%), Contax ON (-3,52%), Telemig PN (-2,75%), Telesp PN (-2,20%) e Eletropaulo PN (-1,93%).

Acomodação
O mercado passou o dia digerindo as informações do dia anterior e indicou acomodação dos preços dos ativos (ações, moeda, títulos), com exceção do dólar, que fechou em alta de 0,22% (mas recuou em relação à própria elevação ao longo do dia). O risco-país também decresceu 0,42%, cotado a 236 pontos.''A perspectiva é que o mercado continue em processo de acomodação, mas que os ativos não voltem a operar em seus melhores valores'', diz Ribeiro.


Lá fora
O desempenho positivo dos principais mercados internacionais também contribuiu para os ganhos. As Bolsas norte-americanas fecharam em alta, em sinal de reação ao comunicado do Fomc (sigla em inglês para Comitê Federal de Mercado Aberto) do Federal Reserve (o banco central norte-americano). Segundo analistas, apesar do indício de que o aperto monetário poderá não ter fim na próxima reunião, o mercado já começa a trabalhar com a idéia de que os juros não ultrapassarão os 5%.

Expectativas
Quanto aos destaques dos próximos dias, há a expectativa em torno da definição da TJLP, a taxa de juros de longo prazo. A reunião está sendo considerada pelo mercado como o primeiro teste das intenções de Mantega à frente do Banco Central. No entanto, os analistas não acreditam que o ministro faça vingar sua vontade de ter a TJLP em 7%, ante os 9% em vigor. O próprio Mantega já sinalizou que os cortes serão graduais.

Inflação
O relatório de inflação dos preços no mercado doméstico a ser divulgado hoje também será alvo das atenções dos investidores. No cenário internacional, esta quinta-feira será dia de divulgação da revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, mas, segundo analistas, não deverá ser fator de volatilidade.


Especulação
O dólar fechou ontem com leve alta de 0,22%, cotado a R$ 2,214, depois de registrar elevação de 1,75% na terça-feira. A entrada de recursos no mercado ao longo do dia conteve a pressão sobre o câmbio. ''Os investidores passam por um momento de expectativas. Com elas vêm a especulação. Desta forma, o mercado se retrai: mais compra do que vende dólar. Ao longo do dia, as operações de exportadores definiu a redução da alta'', disse Nelson Alves da Cruz, da corretora B&T.

Cenário
A volatilidade do mercado, combinada à postura de cautela dos investidores, deve se repetir ao longo da semana, dizem os operadores. ''Com a expectativa de novas altas de juros nos Estados Unidos e a desconfiança em relação ao governo e às próximas eleições vai se formando um cenário para especulações. Mas devagar, a moeda vai voltando a R$ 2,210'', diz Cruz, da B&T.


Sem leilão
O BC ainda não realizou leilão de compra de dólares nesta semana e há três semanas não promove o leilão de swap cambial reverso. Isso reforça a idéia dos analistas de que os movimentos da moeda sejam de natureza especulativa. Nos próximos dias, os investidores se manterão atentos ao desenrolar das mudanças e as às definições na Fazenda e no Tesouro Nacional, com as saídas de Murilo Portugal e Joaquim Levy, respectivamente.

Petróleo
Os contratos futuros de petróleo atingiram nova máxima em dois meses na New York Mercantile Exchange (Nymex), depois que os relatórios semanais apontaram um acentuado declínio dos estoques de gasolina, segundo traders e analistas. Em Nova York, os contratos de petróleo para maio fecharam em US$ 66,45 o barril, alta de 0,58%.

Das agências Estado e Folhapress

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