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Atenção e rumores
Os mercados operaram ontem com as atenções voltadas a três personagens: Meirelles, Mantega e Bernanke. De manhã, rumores de que o presidente do Banco Central deixaria o cargo levaram apreensão aos mercados, que já mostravam cautela em relação ao desenvolvimentista'' novo ministro da Fazenda. À tarde, Meirelles negou que estivesse saindo do governo. E Mantega, em discurso e em entrevista, afirmou que manterá a política econômica conduzida até agora por Antonio Palocci.

Bernanke
Já o presidente do Federal Reserve, em seu primeiro comunicado no cargo, sinalizou que o aperto monetário continuará nos EUA. Com a reunião de ontem, a taxa de juros americana ficou em 4,75% ao ano. O aumento de 0,25 pontos percentuais foi o 15º consecutivo, de uma série iniciada em junho de 2004. A perspectiva de juros ainda mais altos derrubou as bolsas em Wall Street, levando a Bovespa a fechar próxima da mínima do dia. Pelo mesmo motivo, juros e dólar também encerraram o dia com vigorosas altas.

Bovespa
Como já era previsto, não faltaram emoções ao mercado. A bolsa abriu em baixa de manhã, com rumores de que Henrique Meirelles poderia deixar o Banco Central. Depois, entrou em terreno positivo, mostrando disposição para assimilar o nome de Guido Mantega na Fazenda e, ao mesmo tempo, acompanhando a melhora das bolsas em Nova York. A partir das 16 horas, o novo ministro começou a falar na cerimônia de posse e a bolsa estava no azul. Mas, depois das 16h15, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, mostrou toda a sua ortodoxia. E sinalizou que os juros continuarão subindo nos EUA. A partir daí, não deu outra. Wall Street desabou, levando junto a bolsa paulista. O Índice Bovespa fechou em baixa de 2,55%, com 36.682 pontos. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular baixa de 4,99% em março e alta de 9,64% em 2006. O movimento financeiro ficou em R$ 2,786 bilhões.


Disparada
O dólar fechou em alta de 1,75%, cotado a R$ 2,209. O risco-país ficou em 238 pontos, alta de 2,14% em relação ao fechamento de segunda-feira. Ambos estabilizaram nesses valores no início da tarde. O anúncio de Guido Mantega para o Ministério da Fazenda foi o principal motivo para a disparada do dólar. O mercado, que já esperava a saída de Antonio Palocci, foi surpreendido pela nomeação de Mantega -um dos menos cotados pelo mercado.

No escuro
''A saída de Palocci já estava precificada, mas mudanças na economia sempre geram alvoroço. O mercado tinha expectativas diferentes quanto à nomeação e fez ajustes de posição'', diz Guari Guazil, da corretora Guitta. Para Sandra Utsumi, economista-chefe do Espírito Santo Securities, o mercado abriu no escuro, com a perspectiva de mudanças na equipe da Fazenda e do Banco Central e, sobretudo, curioso sobre o pronunciamento de Mantega e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de posse do novo ministro.

Cautela
Para os próximos dias, os investidores deverão manter a postura de cautela, esperando a linha a ser adotada por Mantega. ''O mercado vai acompanhar o passo-a-passo do ministro, atento ao seu perfil de atuação. A saída do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, já foi descartada, mas a cautela continua'', diz Guazil.

Juros
O próximo teste será a primeira reunião do Conselho Monetário (Copom) com Mantega à frente do Ministério da Fazenda, amanhã. O encontro definirá a próxima TJLP. A expectativa do mercado é de taxa a 8,25% -enquanto Mantega, até então, defendia a casa dos 7%. Fica a expectativa dos analistas sobre se o discurso de Mantega, de manter a política econômica em vigor, funcionará na prática.


Rebaixamento
O banco JP Morgan decidiu alterar ontem sua recomendação de investimento para a dívida brasileira, de ''overweight'' (acima do peso) para ''neutral'' (posição neutra), ao mesmo tempo em que alterou a recomendação da dívida da Rússia de ''neutral'' para ''overweight''.

Relação direta
De acordo com o banco, a mudança na recomendação para Brasil guarda relação direta com a recente mudança no comando da equipe econômica. Segundo a agência, a linha de pensamento econômico mais heterodoxa do novo ministro da Fazenda e as indefinições sobre a composição da nova equipe devem provocar um movimento de maior cautela por parte dos investidores, o que justifica a mudança repentina de recomendação.

Petróleo
Os contratos futuros de petróleo subiram quase US$ 2,00 ontem superando os US$ 66 o barril pela primeira vez desde fevereiro. O aumento das preocupações com a oferta da Nigéria, Iraque e Noruega foi citado como motivo para essa alta. Na bolsa de Nova Iorque (Nymex), os contratos de petróleo para maio fecharam em US$ 66,07 o barril, o maior nível desde 1º fevereiro, alta de US$ 1,91 (2,98%). Em Londres, no sistema eletrônico da ICE Futures, os contratos de petróleo Brent para maio fecharam em US$ 64,97 o barril, alta de US$ 1,36.


Na Europa
As bolsas européias não conseguiram manter os ganhos do início do dia e fecharam em baixa ontem, influenciadas por perdas do setor de telecomunicações e a cautela antes da decisão do Fed (o banco central norte-americano) sobre a taxa de juro e alta dos preços do petróleo. Em Londres, o índice FT-100 recuou 0,61%. A bolsa de Frankfurt fechou com o índice Dax em baixa de 0,37%. A bolsa de Paris fechou com o CAC-40 em baixa de 0,24%. Na bolsa de Milão o índice S&P/Mib também recuou 0,71%. A bolsa de Madri fechou com o índice Ibex-35 em baixa de 0,55% e a bolsa de Lisboa fechou com o índice PSI-20 em queda de 0,35%.

Das agências Estado e Folhapress

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