Saída do Palocci

O mercado passou o dia à espera de uma notícia. Ela veio às 17h18, quando o Ministério da Fazenda anunciou o afastamento do ministro Antonio Palocci. O substituto ainda não havia sido confirmado até o horário do encerramento do mercado, mas fontes em Brasília davam como certo o nome de Guido Mantega, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A repercussão no mercado da mudança no comando da economia ficou para hoje.


Manutenção da política

Nas mesas de operações, a expectativa é de que o Ministério da Fazenda mantenha a política monetária perseguida por Palocci. Mas o nome ainda virtual de Mantega foi recebido com reservas pelo mercado. Esta terça-feira ainda terá um novo foco de atenções: a reunião do Comitê do Mercado Aberto (Fomc, sigla em inglês de Federal Open Market Committe do Federal Reserve, o banco central dos EUA), que decidirá a taxa de juros dos Fed Funds. Ontem, juros, dólar e Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fecharam em alta.

Juros
A confirmação do afastamento de Palocci, pegou o mercado de juros operando no pregão eletrônico. Mas, ainda assim, foi capaz de provocar uma significativa volatilidade nas taxas, em um horário em que o mercado normalmente operaria em ritmo reduzido de negócios. A informação de que Mantega substituirá Palocci não foi bem recebida pelas mesas de operação, por causa do seu perfil ''desenvolvimentista''. E, por isso, operadores acreditam que o mercado fará uma correção na curva de juros. ''Acho que o mercado vai abrir amanhã já em clima de stop loss'', afirmou um operador.

Durante o dia

Durante todo o dia, o mercado operou pressionado pelas incertezas em relação ao futuro de Palocci. E, assim que a saída do ministro foi confirmada, a primeira reação dos juros foi de alívio. Primeiro, porque o fato havia sido antecipado ao longo do dia. Mas também porque os players trabalhavam com a hipótese de que o substituto de Palocci seria Murilo Portugal. Em meio aos rumores, outros nomes chegaram a ser cogitados (inclusive o do presidente do BC, Henrique Meirelles, que poderia ser substituído, segundo especulou-se, pelo presidente de Política Monetária, Rodrigo Azevedo).

Afastamento elevou juros

Depois de boatos e de informações desencontradas - o termo ''afastamento'' deixou a dúvida sobre se Palocci estava deixando definitivamente ou apenas temporariamente o cargo -, surgiu a informação de que Mantega seria o novo ministro da Fazenda. Nesse momento, os juros voltaram a subir e fecharam em níveis superiores aos do encerramento do pregão viva-voz.

Expectativa

Embora o mercado entenda que a escolha da Mantega pode significar a aceleração do ritmo de queda de juros, em um primeiro momento, essa hipótese não será precificada. O mercado deve elevar o prêmio de risco para, então, analisar qual será a postura adotada por Mantega. ''Agora essa será a discussão. Uma hipótese, é Mantega reduzir com mais força a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), que é uma defesa dele, e manter a queda gradual da Selic'', observou um operador.

Ataques a Lula

Outro fator de estresse é o fato de que, com a saída de Palocci do governo, os ataques da oposição devem ser voltar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''O Palocci servia de parede de proteção ao Lula e, agora, os ataques devem atingir diretamente o presidente'', acredita um profissional.

Tesouro

O Tesouro Nacional não deve fazer hoje a oferta tradicional de títulos públicos prefixados, conforme prevê o cronograma de leilões do mês de março. Segundo fontes, devido à expectativa de volatilidade no mercado financeiro para hoje, por causa do afastamento de Palocci, o Tesouro não fará a oferta prevista de LTNs e NTN-F. No cronograma de leilões, o Tesouro sempre ressalta que a realização das operações depende das condições de mercado.

Câmbio

O mercado eletrônico de dólar futuro reagiu em alta à notícia de que Palocci pediu o afastamento do Ministério da Fazenda. O contrato de dólar abril/06, mais negociado, ampliou a alta no GTS para +0,64%, a R$ 2,177 às 17h28, ante fechamento no viva-voz, às 16h30, a R$ 2,174, alta de 0,46%. ''Esse ajuste refletiu, no primeiro momento, a indefinição sobre o nome do substituto de Palocci'', justificou um operador. Outro profissional relacionou a alta do dólar futuro ao que era, até o momento, apenas uma suposição: a escolha de Mantega para substituir Palocci. A expectativa é que o dólar poderá seguir volátil hoje. Às 18h10, o risco Brasil estava estável, em 234 pontos base, após oscilar entre 233 PB e 240 PB.

Oscilações do dólar

Durante o dia ontem, o dólar pronto exibiu forte oscilação em alta e a alta dos juros dos Treasuries. A expectativa sobre o comunicado que será divulgado hoje, após a reunião do Fed - que poderá elevar os juros dos Fed Funds em 25 pp para 4,75% ao ano -, também justificou a cautela entre os investidores.


Giro financeiro

O giro financeiro movimentado pelo mercado de dólar futuro aumentou 13,14%, para US$ 10,42 bilhões, com 205.671 contratos. ''Os investidores fazem hedge diante da indefinição sobre a permanência de Palocci, além de que o mercado está comprado e mais sensível à alta'', explicou outro profissional. Os sete vencimentos de dólar futuro negociados indicaram taxas ascendentes: para 1º de abril, +0,46% a R$ 2,174; e para janeiro/08, +1,03% a R$ 2,546.


Bolsa

O mercado passou todo o dia na expectativa sobre o destino do ministro Antonio Palocci. De manhã, a bolsa caiu com rumores de que ele deixaria o governo. À tarde, a bolsa inverteu a mão e chegou a atingir a máxima do dia. Comentava-se que Palocci duraria mais no cargo. Às 17h18, o Ministério da Fazenda anunciava o afastamento do ministro. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) estava na casa dos 37.851 pontos, em alta de 0,73%. A partir daí, a bolsa oscilou bastante, mas sempre em terreno positivo.


Bovespa operou em alta

Operadores disseram também que a Bovespa operou em alta na tarde desta segunda-feira por causa das fortes compras de um fundo de ações. Já em Nova York, as bolsas tiveram um fechamento misto. O Dow Jones caiu 0,27%, o Nasdaq subiu 0,12% e o S&P 500 recuou 0,10%. Pouco depois das 18 horas, o risco Brasil estava estável, em 234 pontos base.


Agência Estado

mockup