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Dia incômodo
O cenário internacional voltou a incomodar os mercados domésticos ontem, mas esses efeitos negativos foram se desfazendo no período da tarde. A poucos dias da reunião do Copom, que ocorre na próxima semana, a Bovespa operou de lado, mas acabou fechando em alta, batendo o 15.º recorde de pontuação deste ano. Os juros recuaram mais um pouco, refletindo as perspectivas de queda da inflação e os bons indicadores da economia. Já o dólar fechou praticamente estável.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta em uma sessão que acompanhou o desempenho das Bolsas americanas durante a maior parte do dia. O Ibovespa -principal índice da Bolsa composto por 57 ações - avançou 0,28%, aos 39.239 pontos, 15º recorde de pontos do ano. O volume financeiro negociado somou R$ 2,052 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumula alta de 1,63%.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Light ON (5,76%), Celesc PNB (5,71%) e Comgás PNA (3,28%). As maiores baixas foram Cesp PN (-2,66%), Sadia PN (-2,34%) e Brasil Telecom Par ON (-2,26%).

Estrangeiros
Os investidores estrangeiros retiraram da Bovespa o equivalente a R$ 561,621 milhões em fevereiro. O saldo negativo é resultado da venda de ações no valor de R$ 17,684 bilhões e da compra de R$ 17,123 bilhões. Os estrangeiros continuam com participação forte na Bolsa paulista. Em fevereiro, eles responderam por 36,17% da movimentação financeira mensal.

Copom 1
As atenções de investidores se voltam agora para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem, em que serão decididos os rumos da taxa básica de juros. A expectativa é que o comitê encerre a reunião na quarta-feira, anunciando um corte de 0,75 ponto porcentual na taxa nominal de juros (Selic), que passará dos 17,25% ao ano para 16,50%. É o que espera a maioria das instituições financeiras ouvidas pela Agência Estado: 55 das 62 empresas consultadas.

Copom 2
Se confirmada a previsão, a Selic será reduzida em 0,75 ponto porcentual pela segunda vez consecutiva desde que começou o ciclo de afrouxamento da política monetária, em setembro. Será o menor nível de juros desde setembro de 2004, quando a taxa básica era de 16,25%. Seguiram-se nove meses de altas até o pico de 19,75%, em maio. A taxa ficou neste nível até agosto de 2005. Para os analistas, existe espaço até para um corte maior, de 1 ponto porcentual.

Nos EUA
As Bolsas americanas, que oscilaram durante todo o dia, fecharam em queda em um pregão volátil- 0,04% (Dow Jones), 0,37% (Nasdaq) e de 0,15% (S&P 500). O risco Brasil, às 18 horas, subia 2 pontos, para 219 pontos-base. Entre os principais fatores que influenciaram os negócios ontem estiveram dados da economia, uns favoráveis e outros nem tanto, como a queda do índice de confiança do consumidor e o avanço do setor de serviços.


Intel
Além disso, a notícia da fabricante americana de microchips Intel, que rebaixou a previsão de suas receitas no primeiro trimestre de 2006 devido à fraca demanda e a perda de participação de mercado, teve impacto sobre os negócios.

'Respiro'
O dólar encerrou o dia na estabilidade, vendido a R$ 2,113. Na curta semana após o Carnaval, a divisa norte-americana acumulou desvalorização de 1,17%. Na mínima, a moeda foi cotada a R$ 2,108 e na máxima atingiu R$ 2,127. O Banco Central atuou no mercado de câmbio e vendeu todos os 4.550 contratos ofertados no leilão de ''swap cambial reverso'', o que corresponde a cerca de US$ 213 milhões. Além disso, o BC também fez compras de dólares no mercado à vista com de corte a R$ 2,114. No entanto, nenhuma das operações chegou a mexer com a trajetória da moeda.

Tendência
Segundo Helio Osaki, do Banco Rendimento, apesar de sofrer algumas pressões de alta durante o dia, deve prevalecer a tendência de queda. ''O dólar vive desses respiros, dessas oportunidade de recuperação, mas a tendência não muda'', afirma. De acordo com ele, o superávit de US$ 2,822 bilhões em fevereiro na balança comercial e o fluxo cambial que encerrou o mês de fevereiro positivo em US$ 7,75 bilhões reforçam essa tendência. ''Os excelentes fundamentos que a economia apresenta ajudam a tendência de baixa do dólar.''

Juros
O mercado internacional limitou um pouco os negócios com juros futuros durante uma parte do dia. Mas, no final da tarde, os DIs não resistiram e voltaram a cair. Mais uma vez, as boas perspectivas com inflação e com a economia como um todo motivaram os ajustes dos contratos futuros, que seguem reduzindo os prêmios a cada dia. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o DI janeiro/07 encerrou o pregão com taxa de 15,23%, ante 15,27% ontem; DI janeiro/08, 14,47% (14,52% ontem); DI abril/06, 16,61% (16,65%).


Petróleo
Os contratos futuros de petróleo reverteram as perdas e fecharam na maior cotação em três meses na New York Mercantile Exchange (Nymex), com os traders adotando a cautela e comprando contratos diante de mais ameaças contra a oferta da commodity no final de semana. Na Nymex, os contratos de petróleo para abril fecharam em US$ 63,67 o barril, alta de US$ 0,31 (0,49%).

Das agências Estado e Folhapress

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