MERCADO FINANCEIRO
Divididos
Os mercados passaram o dia de ontem divididos entre os indicadores domésticos positivos e o ajuste ocorrido nos mercados internacionais. O ambiente favorável da economia brasileira, no entanto, acabou prevalecendo nos contratos de DI. Os juros recuaram e passaram a indicar um corte de 0,82 ponto porcentual na Selic para a próxima reunião do Copom. O dólar, por sua vez, caiu mais um pouco e chegou à menor cotação desde 20 de março de 2001. A Bovespa oscilou bastante e fechou em ligeira baixa, mesmo com os juros em alta nos EUA e as bolsas em queda em Wall Street.
Volatilidade
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o dia com leve queda de 0,13%. O volume de negócios somou R$ 2,103 bilhões. O dia foi de volatilidade e os negócios acompanharam o comportamento das Bolsas americanas, que fecharam em queda, assim como um movimento de realização de lucros. As Bolsas americanas sofreram influência dos resultados decepcionantes das vendas no varejo, que fizeram com que investidores temessem a desaceleração da economia.
Destaques
As ações mais valorizadas da sessão de ontem na Bovespa foram as da Light ON, com alta de 7,64%. Os papéis da Comgás PNA subiram 4,80% e Gerdau PN, 3,65%. Já as maiores baixas ficaram com Klabin PN (-4,68%), Sadia PN (-3,75%), Eletropaulo PN (-3,60%).
Câmbio
O dólar encerrou o dia com a menor cotação em quase cinco anos - R$ 2,113 (queda de 0,14%). Trata-se da menor cotação desde 20 de março de 2001, quando a moeda foi vendida a R$ 2,1170. A divisa norte-americana teve um dia de volatilidade, mas ainda experimentou da boa maré desde a notícia da elevação do rating do país pela agência de classificação de risco S&P.
Fluxo
O Banco Central informou que o fluxo cambial encerrou o mês de fevereiro positivo em US$ 7,75 bilhões, resultado da soma entre o saldo das operações comerciais (US$ 4,935 bilhões) e do saldo das operações financeiras (US$ 2,815 bilhões).
Balança
O resultado da balança comercial também influenciou positivamente os negócios. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, na quarta semana de fevereiro (20 a 28), a balança comercial registrou superávit de US$ 1,217 bilhão. As exportações somaram US$ 2,920 bilhões, enquanto que as importações, US$ 1,703 bilhão. No mês, a balança acumula um saldo positivo de US$ 2,822 bilhões, apenas 1,66% superior aos US$ 2,776 bilhões registrados no mesmo mês de 2005. No ano, a balança acumula saldo de US$ 5,666 bilhões, 14% superior ao mesmo período do ano passado.
Leilão
A autoridade monetária atuou no mercado de câmbio, com a realização de leilão de ''swap cambial reverso'' em que foram vendidos todos os 4.550 contratos ofertados, o que equivale a US$ 213 milhões e também comprou dólares no mercado à vista.
Juros
Os juros recuaram, acompanhando o dólar, e ampliando um pouco a previsão de corte de juros pelo Copom, na reunião da semana que vem - segundo cálculos dos operadores, os DIs embutem uma redução de 0,82 ponto porcentual na taxa Selic - mostrando que a corrente dos que esperam uma redução em um ponto porcentual engrossou um pouco. Na BM&F, os DIs encerraram o dia com as seguintes taxas: DI abril/06, 16,65% (ante 16,67% ontem); DI janeiro/07, 15,23% (ante 15,27% ontem); e DI janeiro/08, 14,47% (14,52%).
Inflação
A inflação é a razão principal para o bom humor que tem caracterizado o mercado de juros. A desaceleração dos índices - mais intensamente do que se previa - tem reforçado a percepção de que ainda há muito espaço para redução da Selic. Ontem, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) veio nesse linha: ficou em 0,01%, no piso das projeções de mercado (que variavam de 0,00% a 0,12%).
Alívio
A contínua queda do dólar também contribui para esse alívio. E, apesar das reclamações do setor exportador, a queda do dólar não tem impedido os bons resultados da balança comercial. A desvalorização do dólar frente ao real também pode vir a justificar queda nos preços da gasolina, o que seria mais um fator positivo para a inflação.
Gasolina
Segundo especialistas, com a alta do real e o recuo no preço do petróleo após a crise na Nigéria e no Irã a gasolina está mais cara no Brasil que no exterior. Na média dos cálculos realizados por RC Consultores, ABN Amro Real e Fator Corretora, o brasileiro pagou 16,3% a mais pela gasolina em fevereiro na comparação com o preço cobrado no Golfo do México. No caso do diesel, o sobrepreço médio é de 6,35%.
Nos EUA
O índice Dow Jones 30 Industrials fechou com desvalorização de 0,25% e o S&P recuou 0,16%, para 1289 pontos. A Bolsa eletrônica Nasdaq registrou queda de 0,15%. O preço do petróleo subiu 2,26% e atingiu US$ 63, com a atenção dos investidores concentrada mais sobre os acontecimentos geopolíticos -principalmente na Nigéria- que sobre os níveis de estoques nos EUA -que subiram na semana passada.
Das agências Estado e Folhapress





