SOBE
Bovespa

DESCE
Juros
Risco País


Bom início
O mercado começou bem o mês de março e a baixa liquidez não impediu a valorização dos ativos brasileiros na Quarta-Feira de Cinzas. O dólar registrou queda forte contra o real, reagindo ao upgrade da dívida brasileira e à expectativa de fluxo diante do cenário externo positivo. Os juros futuros seguiram a queda do dólar e também foram favorecidos pela melhora das expectativas inflacionárias na pesquisa Focus e pelo risco Brasil, que voltou a ceder. A Bovespa, além de acompanhar o humor positivo dos mercados em geral, foi beneficiada pela reação das bolsas de Nova York e fechou com a 14. pontuação recorde deste ano.

Câmbio
O dólar fechou em baixa de 1,02%, vendido a R$ 2,116, com a repercussão positiva no mercado da decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor's de elevar o rating (nota) da dívida brasileira. O volume de negócios no mercado, entretanto, foi bastante reduzido. A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) começaram a funcionar apenas as 13h.

Rating
A S&P anunciou ontem a elevação do rating brasileiro de ''BB-'' para ''BB'', a melhor nota já obtida pelo país. A decisão foi acompanhada também pelo aumento do rating dos principais bancos brasileiros. Segundo analistas, com um rating melhor o governo e empresas brasileiras poderão buscar financiamento em dólares no exterior com taxas de juros menores. Custos mais favoráveis de captação devem favorecer, por sua vez, o ingresso da moeda norte-americana no país nos próximos meses, o que pode contribuir para a manutenção da trajetória de baixa do dólar.

Cenário favorável
A melhora na classificação de risco decidida ontem pela agência S&P colocou o País a dois degraus do investment grade e, apesar de ter sido antecipada à medida em que o Brasil angariou as últimas melhoras em seus fundamentos, mexeu positivamente com o mercado. Além disso, o recuo visto nas cotações da moeda norte-americana computou o cenário externo favorável, com destaque para a queda do risco Brasil e a alta das bolsas dos EUA. Pouco depois das 16h30, o risco país estava em 214 pontos-base, com queda de 7 pontos.

Bolsa
O upgrade concedido pela S&P para a dívida brasileira e a alta das bolsas em Nova York levaram a Bovespa a iniciar o mês de março com recorde de pontuação. Foi o 14º recorde de 2006. O volume financeiro ficou aquém da média diária deste ano. Mas as perspectivas para o mercado de ações este ano aliadas a mais uma forte queda do risco Brasil ajudaram a bolsa a manter-se no azul. O Índice Bovespa fechou em alta de 1,47%, com 39.177 pontos. Com esse resultado, a bolsa inicia março em alta e passa a acumular valorização de 17,10% em 2006. O movimento financeiro ficou em R$ 1,721 bilhão.

Giro fraco
O giro de negócios foi fraco na bolsa, como geralmente acontece na Quarta-Feira de Cinzas. E o upgrade da S&P já era esperado pelos operadores. Mesmo assim, a Bovespa surpreendeu com um comportamento bastante positivo. Esperava-se, antes da abertura dos negócios, que o mercado de ações realizasse lucros ''no fato'' (upgrade) e se ajustasse às quedas das bolsas em Nova York durante o feriado do carnaval.

Reflexo positivo
Essa realização chegou a acontecer na primeira hora do pregão. Mas teve pouco intensidade e durou muito pouco. Ao longo da tarde, Wall Street emendou um ritmo de alta consistente e acabou refletindo positivamente na bolsa paulista. Ou seja, o ajuste a Nova York não se confirmou e, segundo operadores, alguns investidores estrangeiros teriam aproveitado o upgrade da S&P para comprar ações.

Espaço
''O upgrade da Standard & Poor's abriu espaço para novas melhoras de avaliação do risco Brasil. E isso cria um ambiente ainda mais favorável para o capital externo'', disse um operador. Em Londres, os estrategistas de câmbio do HSBC alertaram seus clientes que a agência de classificação Moodys deverá também elevar o rating do Brasil muito em breve.

Atraente
De acordo com operadores, esse quadro benéfico para a economia brasileira deverá manter o mercado doméstico atrativo para o capital externo. Além disso, algumas instituições estrangeiras só estariam esperando um upgrade do rating brasileiro para alocar recursos na Bovespa. ''Essa expectativa contribuiu para a alta da bolsa hoje'', disse um operador. Em Nova York, o Dow Jones fechou em alta de 0,55%, o Nasdaq avançou 1,46% e o S&P 500 subiu 0,83%.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Eletropaulo PN (5,53%), Comgás PNA (5,05%) e Usiminas PNA (5,00%). As maiores baixas foram Light ON (-2,40%), Vale ON (-2,25%) e Sadia PN (-2,21%).

Juros
Os juros futuros tiveram uma queda acentuada, apesar da liquidez reduzida. Uma combinação de fatores sustentou o declínio das taxas projetadas pelos DIs. O principal fator positivo do dia foi a decisão da S&P em elevar o rating brasileiro, mas a queda do dólar, a melhora das expectativas de inflação mostrada pela pesquisa Focus e o desempenho positivo dos mercados internacionais também ajudaram a melhorar o ânimo dos negócios. O DI de janeiro de 2006 encerrou o dia projetando taxa de 15,27%, ante 15,34% no encerramento da última sexta-feira. Os contratos mais longos recuaram ainda mais.

Focus
A pesquisa Focus realizada pelo Banco Central e divulgada ontem trouxe melhora em vários indicadores, favorecendo as expectativas em torno da política monetária. A previsão para o IPCA em 2006 caiu de 4,64% para 4,59%, aproximando-se um pouco mais do centro da meta da inflação, que é de 4,50%. Para o IGP-M deste ano, as estimativas caíram de 4,56% para 4,45% - foi a terceira queda seguida destas previsões, que estavam em 4,85% há quatro semanas. As projeções de mercado para a taxa de juros em março ficaram estáveis em 16,50%, embutindo uma expectativa de que o Copom venha a cortar os juros em 0,75 ponto porcentual na reunião da próxima semana. Para o fim do ano, porém, as estimativas de juros caíram de 14,75% para 14,50%.

Das agências Estado e Folhapress

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