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O dólar abriu em baixa ontem, chegou a cair mais de 1%, mas inverteu o movimento no período da tarde e fechou com valorização de 0,09%, vendido a R$ 2,143, pressionado pela disputa pela formação da ptax -média diária da cotação da moeda norte-americana. ''Pela manhã os exportadores entraram vendendo divisas no mercado o que fez o dólar cair. À tarde já começou a pesar a ptax'', disse José Roberto Carreira, da corretora Novação.
Disputa
Com a proximidade do último dia útil do mês, aumenta a disputa entre ''comprados'' e ''vendidos'' em contratos de dólar futuro na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) pela formação da ptax. Os contratos futuros de câmbio que serão liquidados na próxima quarta-feira terão a ptax de hoje como referência. Assim, para a instituição que está vendida, uma cotação menor significa ganho mais representativo e para a que está comprada, o oposto.
Bradies
O anúncio do Tesouro Nacional de resgate antecipado dos ''bradies'', títulos que foram emitidos pelo Brasil para refinanciar os contratos rompidos na moratória dos anos 80, também influenciou a queda do dólar pela manhã e derrubou o risco-país brasileiro. No final da tarde, o risco Brasil caía 3,46%, para 223 pontos - menor nível da história. O risco-país funciona como um indicador da confiança do mercado financeiro na capacidade de um país pagar sua dívida. Quanto mais alto o risco, maiores são os juros cobrados pelos investidores para comprar títulos desse país.
Positiva
Segundo analistas, a medida anunciada pelo Tesouro é positiva para o país, pois ao reduzir a sua dívida externa o Brasil fica menos suscetível a possíveis crises internacionais. O Tesouro tem a intenção de exercer em 15 de abril a opção de recompra de US$ 6,64 bilhões em títulos que venceriam até 2012. A medida reforça a estratégia do governo de aproveitar a queda na cotação do dólar para trocar dívidas indexadas à moeda norte-americana por títulos lançados no mercado interno. No ano passado, o governo anunciou que pagaria antecipadamente dívidas de US$ 15,5 bilhões para o Fundo Monetário Internacional (FMI) e de US$ 2,6 bilhões para o Clube de Paris.
Cai dívida
Após a operação anunciada pelo Tesouro, a dívida externa bruta pública deve cair para cerca de US$ 80 bilhões e a dívida líquida (dívida bruta menos reservas internacionais) cai para US$ 30 bilhões. Os recursos para a recompra sairão integralmente das reservas internacionais que somavam aproximadamente US$ 57 bilhões no mês de janeiro.
Virando a página
''A renegociação da dívida externa feita em 1994 se refere, na verdade, ao 'default' do Brasil anunciado em 1987. Assim, estamos virando a página dos anos 80. Muita gente não se lembra deles, mas eles existiram e deixaram marcas'', afirmou o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, no anúncio da decisão do Brasil de antecipar a compra desses títulos externos que têm vencimentos previstos entre 2009 e 2024. Com a medida, o Brasil economizará US$ 345 milhões em despesa de juros a valor presente líquido, com a recompra. O valor nominal supera US$ 600 milhões. Já o prazo médio da dívida externa não terá uma queda expressiva.





