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Dia de lucros
Os mercados tiveram um dia de realização de lucros ontem. O dólar fechou em forte alta, nas cotações máximas do dia, pressionado pela divulgação do déficit em transações correntes de janeiro. Os juros acompanharam o ajuste no câmbio e interromperam a sequência de vários dias em queda. Apesar disso, os contratos de DI continuam embutindo alta da Selic acima de 0,75 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. Já o Ibovespa, que chegou a encostar nos 39 mil pontos, acabou fechando em queda, seguindo Nova York e o fluxo negativo de investimento estrangeiro este mês.
Bovespa
Após encostar nos 39 mil pontos, a Bolsa de Valores de São Paulo inverteu a direção e fechou em baixa de 0,97%, aos 38.165 pontos. Para Gustavo Alcântara, da Mercatto Gestões, a queda ocorreu por conta principalmente de uma realização de lucros, com os investidores embolsando os ganhos. Movimento que foi impulsionado pelas quedas nos EUA. No horário do fechamento da Bovespa, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caía 0,84%. A Bolsa eletrônica Nasdaq tinha perda de 1,16%.
Negócios
Ele considera também que a alta do dólar atrapalhou o desempenho do mercado acionário paulista por um lado mas ajudou por outro. O avanço da moeda norte-americana, segundo o analista, reduziu o movimento da Bovespa em dólares. Porém, impulsionou os negócios com ações de empresas exportadores. Tanto que das dez maiores altas do Ibovespa -principal índice da Bolsa composto por 57 ações- seis têm forte participação no mercado externo, com destaque para Aracruz PNB (+3,62%), VCP PN (+2,97%) e Vale do Rio Doce ON (+1,93%).
Dólar
O dólar subiu 1,79% ontem e fechou a R$ 2,156 na venda. Essa é a maior alta percentual da divisa norte-americana em relação ao real desde o dia 19 de dezembro, quando registrou valorização de 1,92%. Segundo analistas, o dólar barato atraiu compras e gerou um ajuste no mercado, movimentos que foram impulsionados pela proximidade do feriado prolongado de Carnaval.
Contas
Segundo Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros, os dados negativos das contas externas do Brasil também colaboraram com a alta da moeda. O Banco Central divulgou que as transações correntes registraram um déficit de US$ 452 milhões em janeiro - o que não acontecia desde novembro de 2004, quando a conta ficou deficitária em US$ 223,5 milhões. Para Abdalla, o déficit nas transações correntes gerou preocupações com relação aos indicadores econômicos do país, principalmente com relação aos resultados da balança comercial.
Remessas
Segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, o saldo negativo na conta de serviços e rendas foi causado pelo elevado nível de remessas de lucros e dividendos para o exterior, que somaram US$ 1,540 bilhão no mês passado. O maior resultado já registrado para meses de janeiro.
Investimentos
Por outro lado, os investimentos estrangeiros no país somaram US$ 1,503 bilhão - o mais elevado para meses de janeiro - e o balanço de pagamentos, que reflete as movimentações de recursos feitas com o exterior, encerrou janeiro com um saldo positivo de US$ 2,691 bilhões, contra US$ 2,025 bilhões em janeiro de 2005.
Fomc
A divulgação da ata da última reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês) do Fed (Federal Reserve, BC dos EUA), na tarde de ontem, não teve interferência sobre a piora dos mercados internos, segundo Flávio Ogoshi, do RaboBank. Ao contrário da expectativa geral de analistas e economistas, o documento não sinalizou o fim do ciclo de altas iniciado em 2004. Ao contrário: deixou o caminho aberto para mais altas.
Mais altas
Na ata, o banco central norte-americano lembra que, apesar da decisão (unânime) dos membros do comitê de elevar a taxa em mais 0,25 ponto percentual, para 4,5% ao ano, ''possíveis aumentos no uso de recursos e preços elevados da energia têm potencial para aumentar a pressão sobre a inflação''.
Juros
O mercado de juros acompanhou o movimento de ajuste verificado no dólar. As taxas de médio e longo prazos subiram, interrompendo a sequência de vários dias de queda. O DI com vencimento em janeiro/09, fechou a 14,28%, ante 14,10% de segunda-feira; e o DI janeiro/07, o mais líquido, avançou de 15,41% (dia anterior) para 15,46% (ontem).
Petróleo
Os contratos futuros de petróleo fecharam em forte alta na New York Mercantile Exchange, impulsionados pelas notícias de ataques de militantes contra instalações de petróleo na Nigéria, que provocaram uma redução da produção de petróleo do país de 19%, segundo traders e analistas. Os contratos de petróleo para março fecharam em US$ 61,10 o barril, alta de US$ 1,22 (2,04%). Os contratos de petróleo para abril fecharam em US$ 62,74 o barril, alta de US$ 1,45 (2,37%).
Das agências Estado e Folhapres





