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Entusiasmo
O mercado reagiu com entusiasmo ao anúncio da medida provisória 281 que isentou de Imposto de Renda dos investimentos estrangeiros em títulos públicos. O dólar caiu 0,98%, chegando à cotação de R$ 2,116, a menor desde 20 de março de 2001. O risco país ficou no nível mais baixo da história, em 226 pontos-base. A Bovespa acompanhou o otimismo e fechou em alta de 2,73%. A euforia no mercado abriu espaço até para especulações sobre uma elevação na nota de crédito do Brasil por parte das agências de classificação de risco e uma nova emissão de dívida externa.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo operou ontem durante todo o dia em alta e fechou com ganhos de 2,73%, aos 38.256 pontos, perto do último recorde, atingido no dia 1 de fevereiro (38.484 pontos). Rumores de que o rating do Brasil pode ser elevado por uma agência de classificação de risco impulsionaram os negócios.

Impacto
Segundo analistas, a MP 281 também causou impacto positivo no mercado acionário, embora beneficie principalmente as aplicações em renda fixa e títulos públicos, já que isenta da tributação de Imposto de Renda os ganhos de estrangeiros com estes investimentos. ''O importante é que a lei está mais moderna, mais ágil, com menos burocracia, menos imposto, seguindo o modelo mundial'', afirmou Marcelo Penteado, gestor de renda variável da Americainvest.

A medida deve colaborar ainda mais com os ingressos de recursos no país, que já estão expressivos por conta de captações de empresas no exterior e dos bons resultados das exportações. Essa expectativa fez o dólar cair 1,02% hoje e fechar a R$ 2,116, menor valor desde 20 de março de 2001 (R$ 2,083).

CPMF
A medida também isenta da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) o investimento de recursos na compra de ações provenientes de ofertas públicas. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, o objetivo dessa medida é incentivar empresas a abrir o capital e lançar ações.
De acordo com analistas, a MP 281 deve abrir espaço ainda para uma queda maior da taxa básica (Selic) -hoje em 17,25%-, sem afetar a entrada de capital dos estrangeiros que buscam bons rendimentos, inclusive os que investem em ações.

Nos EUA
O movimento positivo em Wall Street também ajudou a Bovespa a subir. No horário do fechamento dos negócios no Brasil, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York operava com alta de 0,56%. A Bolsa eletrônica Nasdaq tinha valorização de 0,69%. O risco-país brasileiro recuava 0,86%, para 229 pontos. O indicador é uma espécie de termômetro da confiança dos estrangeiros na capacidade de um país honrar seus compromissos financeiros. Quando ele cai, sinaliza confiança em alta.

Destaques
Das dez maiores altas do Ibovespa hoje, três foram de ações do setor bancário, por conta das expectativas positivas em relação aos resultados financeiros em 2005. O Unibanco abriu ontem a safra de divulgação de lucros do setor. O banco registrou no ano passado lucro recorde de R$ 1,838 bilhão, um crescimento de 43,3% relação ao ano anterior. A unit do Unibanco subiu 4,87% hoje. Os papéis preferenciais do Bradesco e do Itaú avançaram 7,25% e 5,12%, respectivamente. Bradesco e Itaú divulgam resultados de 2005 na próxima semana.

Dólar
O dólar caiu 1,02% e rompeu um novo piso ao fechar a R$ 2,116, menor cotação desde 20 de março de 2001 (R$ 2,083). A moeda norte-americana começou o dia em queda, com o mercado repercutindo a MP 281, publicada ontem no ''Diário Oficial'' da União, que isenta os investidores estrangeiros da tributação do Imposto de Renda nas aplicações em renda fixa e títulos públicos. A medida deve colaborar ainda mais com os ingressos de recursos no país, que já estão expressivos por conta de captações de empresas no exterior e dos bons resultados das exportações.

Depreciação
Para Miriam Tavares, diretora da corretora AGK, a MP ''saiu como o mercado estava esperando'' e a tendência é de depreciação do dólar. Miriam avalia, entretanto, que como não há um piso ''oficial'' para a moeda norte-americana, conforme a divisa vai ficando mais barata o mercado começa a ficar mais ''cauteloso'', temendo alguma nova medida do Banco Central para conter a queda do dólar. A iniciativa do governo aumenta também as expectativas em torno da flexibilização da política monetária, o que teve impacto nas negociações com juros futuros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

Juros
O mercado de juros manteve o otimismo dos últimos dias e derrubou as taxas futuras. No final da tarde, a estimativa de juros para os contratos com vencimento em abril passava de 16,82% (na quarta-feira) para 16,80%. No vencimento de janeiro de 2007, a projeção recuava de 15,62% para 15,56%. Segundo analistas, sem a tributação do IR sobre os ganhos dos investidores estrangeiros, as aplicações no Brasil continuarão bastante atrativas mesmo em um cenário de juro mais baixo. Atualmente, a taxa básica (Selic) está em 17,25% ao ano.

Petróleo
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta na New York Mercantile Exchange (Nymex), registrando uma modesta recuperação depois de uma semana de perdas acentuadas, ajudados pelo ressurgimento das preocupações relacionadas com a oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e do Irã, segundo analistas. Na Nymex, os contratos de petróleo para março fecharam em US$ 58,46 o barril, alta de US$ 0,81 (1,41%).

Das agências Estado e Folhapress

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