Dólar
O dólar cravou ontem a quinta queda seguida e mais uma vez fechou no menor valor em quase cinco anos. A divisa caiu 0,74% e encerrou os negócios a R$ 2,138 na venda, menor cotação desde 28 de março de 2001 (R$ 2,127). Os ingressos de recursos no país e expectativas de novas entradas estão fazendo os bancos aumentares as posições vendidas em dólares, o que empurra a cotação da moeda para baixo.

Espera
Além disso, o mercado espera a aprovação da medida que isenta da tributação as aplicações de investidores estrangeiros em títulos público brasileiros, outro fator que contribuiria com a entrada de recursos no país. Essa medida manteria as aplicações no Brasil atrativas paras os estrangeiros mesmo em um cenário de juros baixos.

Queda acumulada
''A tendência de baixa do dólar vai se manter enquanto o Banco Central não tomar uma providência'', avalia Mauro Araújo, da corretora Vision, que não descarta a possibilidade de a moeda norte-americana voltar aos R$ 2,10 no curto prazo. Somente no últimos cinco dias úteis, o dólar acumulou queda de 2,28%. Com isso, no ano, até ontem, a queda acumulada chega a 8,75%, apesar das atuações diárias da autoridade monetária no câmbio por meio de leilão de ''swap cambial reverso'' e de compras no mercado à vista.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,42%, aos 36.626 pontos, atrelada ao desempenho positivo em Wall Street e à queda do risco-país brasileiro. No final da manhã, o Ibovespa -principal índice da Bolsa composto por 57 ações- chegou a recuar 0,61%, por conta da abertura instável das Bolsas dos EUA e de uma realização de lucros.


Referência
Também gerou volatilidade na Bovespa o vencimento, hoje de Ibovespa futuro, usado como referência para a liquidação de contratos da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Na véspera do vencimento desse contrato, investidores costumam atuar no mercado à vista para influenciar a formação do índice. À tarde, entretanto, a Bovespa voltou a mudar de tendência com a alta no mercado norte-americano.

Lucros
Pedro Paulo Bartolomei da Silveira, economista-chefe da consultoria Global Invest, avalia que, após se aproximar dos 39 mil pontos, a Bovespa entrou em um curso de realização de lucros, mas sem sair da tendência de alta. ''Há um canal de alta, indicador de tendência, que começou em 20 de outubro (do ano passado), quando o Ibovespa estava com cerca de 28 mil pontos. Se a Bolsa cair até os 35.650 pontos, a queda iniciada em janeiro será apenas uma realização de lucros, não afetando a tendência. Mas se esse piso for rompido, o índice ganha fôlego para cair ainda mais'', disse. O volume financeiro voltou a aumentar e somou R$ 2,6 bilhões.

Nos EUA
Lá fora, as Bolsas reagiram positivamente ao dado robusto de vendas do varejo norte-americano em janeiro e à queda dos preço do petróleo. Às 18 horas, em Nova York, o contrato de petróleo para março encerrou em baixa de US$ 1,67 (2,73%) cotado a US$ 59,57 o barril. Além disso, o risco Brasil renovou as mínimas durante à tarde, embora tenha desacelerado a baixa no fim do dia por causa, entre outras razões, do aumento dos juros dos Treasuries que refletiu a incerteza dos investidores sobre o rumo da política monetária norte-americana sob o comando de Ben Bernanke. Às 17h58, o risco País caía 4 pontos (-1,73%), para 227 pontos-base - após recuar até 224 no melhor momento. A máxima até esse horário foi de 228 pontos-base.

Juros
O mercado de juros manteve o bom humor, sustentado mais uma vez pela aplicação de capital estrangeiro, tanto nos DIs futuros como nos títulos públicos - especialmente os indexados ao IPCA. Segundo operadores, a conjugação de fatores como a perspectiva da desoneração do capital estrangeiro aplicado em títulos públicos, a queda do risco país que acirra as especulações sobre um upgrade soberano, o alívio na inflação local e o ambiente externo favorável explicam o clima positivo.


Interesse
O forte interesse pelos papéis indexados ao IPCA tem reflexo direto nos contratos de DI longos. A taxa do contrato com vencimento em janeiro/10 recuou de 13,93% segunda para 13,835% ontem; DI janeiro/09 caiu de 14,33% para 14,20%; DI janeiro/08 recuou de 14,92% para 14,82%; e DI janeiro;07, o mais líquido, encerrou o pregão em 15,64%, ante 15,66% do dia anterior.

Na Europa
O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres fechou em baixa de 0,02%. As ações das empresas de telecomunicações subiram, acompanhando as altas do setor em outros mercados europeus. Na bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 0,08%. A Bolsa de Madri fechou com o índice Ibex-35 em alta marginal de 0,004%., depois da reação desigual dos mercados europeus ao fraco crescimento econômico na Alemanha e zona do euro, disseram traders. Em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em alta de 0,26%. Em Frankfurt, o índice Xetra-DAX fechou em alta de 0,12%). Na bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em queda de 0,27%.

Asiáticas
A Bolsa de Tóquio fechou em alta, com investidores do varejo e institucionais recolhendo papéis que ficaram baratos na queda de segunda-feira. As ações das montadoras Mazda, da Toyota e do grupo Matsushita Electric Industrial lideraram os ganhos. No fim do dia, o índice Nikkei registrava alta de 307,21 pontos (1,9%), em 16.184,87 pontos, depois de iniciar a sessão em baixa. Após uma sessão marcada pela volatilidade, o índice Kospi, referencial da Bolsa da Coréia do Sul, apagou as perdas iniciais e fechou com valorização de 0,56%. A mudança de rota do mercado japonês também serviu de inspiração para os investidores. Em Hong Kong, o índice Hang Seng valorizou-se 0,71%. Na China, uma matéria informando que o governo deve flexibilizar as exigências para os investimentos de instituições estrangeiras foi citada como fator que motivou a alta de 0,5% do Xangai Composto.


Das agências Estado e Folhapress

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