MERCADO FINANCEIRO
Dólar cai
O dólar registrou ontem a quarta queda seguida. A moeda norte-americana fechou em baixa de 0,50%, vendida a R$ 2,154, menor cotação desde 10 de abril de 2001, quando encerrou os negócios a R$ 2,138. Pela manhã, a divisa chegou a subir 0,46%, para R$ 2,175. Entretanto, inverteu a direção no período da tarde, por conta dos ingressos de recursos e expectativas de novas entradas de dólares no país, principalmente via exportações.
Balança
A balança comercial brasileira registrou um saldo positivo de US$ 881 milhões na segunda semana de fevereiro (entre os dias 6 e 12). O resultado é melhor do que o da semana anterior, quando o superávit foi de apenas US$ 145 milhões. No acumulado do ano, até a segunda semana de fevereiro, a balança registra superávit de US$ 3,870 bilhões, um crescimento de 19,6% sobre o mesmo período do ano passado (US$ 3,236 bilhões). As exportações somam US$ 12,939 bilhões no período, um aumento de 24,1% sobre o desempenho de igual intervalo de 2005.
Tendência
André Kitahara, do RaboBank, avalia que se forem mantidas as condições atuais da economia brasileira, a tendência permanecerá de baixa para o dólar. De acordo com ele, as atuações do Banco Central não têm pressionado a moeda, mas mesmo assim o mercado continua atento aos leilões da instituição no câmbio. Ontem, o BC vendeu 4.500 dos 4.550 contratos de ''swap cambial reverso'' -equivalentes a cerca de US$ 213 milhões. A operação tem o efeito de uma compra de dólares no mercado futuro. A autoridade monetária comprou divisas também no câmbio à vista.
Expectativa
O mercado trabalha com a hipótese de que ainda nesta semana o governo anuncie a aprovação da medida de isenção tributária aos investidores estrangeiros que quiserem aplicar em títulos públicos. Com a medida, uma entrada extra de dólares no mercado de câmbio brasileiro deve ser verificada - o que fortaleceria a tendência de baixa da moeda dos EUA.
Notas do Tesouro
No leilão de NTN-B (notas do Tesouro Nacional, que têm índice de preços por referência) realizado ontem a demanda foi bastante expressiva. Operadores de tesourarias bancárias dizem que a procura foi elevada porquê as NTNB-s estão entre os títulos que devem interessar aos estrangeiros após aprovada a isenção tributária. O governo vendeu cerca de R$ 3,6 bilhões desses títulos no leilão e conseguiu pagar taxas mais baixas para colocá-los no mercado.
Juros
A forte demanda pelas NTNs-B acabou influenciando também os negócios no mercado de DI. Segundo operadores, as taxas longas também continuam alvo da aplicação do investidor estrangeiro e, por isso, acabaram recuando com força. O contrato com vencimento em janeiro/09, por exemplo, recuou de 14,51% na sexta-feira para 14,33%. O DI janeiro/10 teve sua taxa reduzida de 14,18% para 13,93%. E o Di janeiro/07, com maior liquidez, fechou com taxa de 15,66%, ante 15,72%.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo caiu 2,33% ontem influenciada pela recomendação de venda de ações feita por um banco de investimentos e saídas de estrangeiros. Segundo analistas, o Morgan Stanley recomendou em relatório a venda de ações de países emergentes e a compra de papéis nos EUA, o que acentuou um movimento de realização de lucros na Bovespa, principalmente por parte dos investidores estrangeiros. O volume financeiro negociado na Bovespa, que vinha superando diariamente os R$ 2 bilhões, somou R$ 1,727 bilhão ontem.
Destaques
Entre as ações que compõem o Ibovespa, apenas sete fecharam em alta. As maiores altas foram Cesp PN (7,94%), Light ON (6,57%) e Eletropaulo PN (3,07%). As maiores baixas foram Embratel Par PN (-5,77%), Usiminas PNA (-5,25%) e Net PN (-5,13%).
Mau dia
À falta de relevantes notícias internas, a Bovespa acompanhou o mau dia vivido pelas Bolsas norte-americanas. A Bolsa eletrônica Nasdaq caiu quase 1%. O índice Dow Jones perdeu 0,24%. Segundo análise feita pelo economista-chefe da Global Invest Asset, Pedro Paulo da Silveira, ''os motivos que levaram à queda do mercado estão nos EUA'', dentre os quais se destacam uma pequena alta dos títulos do Tesouro de dez anos e queda dos preços de commodities.
Google
A queda das ações do Google - que sofreram com rumores de que a empresa poderá ter um ano de maus resultados devido a condições desfavoráveis de mercado - também atrapalhou as Bolsas. As ações do Google marcavam perda de 5,3% no fim do dia. O risco-país caia 0,87%, aos inéditos 228 pontos, perto do encerramento dos negócios.
Das agências Estado e Folhapress





