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Risco País
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Efeito recompra
O anúncio feito no início da noite de quinta-feira pelo Tesouro Nacional, de recomprar títulos da dívida externa brasileira, caiu como uma luva nas mesas de operações ontem. A medida foi elogiada por amplos segmentos do mercado e motivou estimativas de que o Brasil caminha no rumo de um upgrade na sua avaliação de risco. O risco Brasil despencou e no fim da tarde estava em 226 pontos-base (queda de 30 pontos). A mínima histórica chegou a 220 pontos durante o dia. A boa notícia veio acompanhada por dois indicadores de inflação abaixo das expectativas. Resultado: juros e dólar recuaram e a Bovespa fechou em alta, com giro financeiro na casa dos R$ 2,8 bilhões.

Juros
Depois do ajuste para cima observado na quinta-feira em boa parte das taxas projetadas nos contratos futuros de DIs - como resultado de um IPCA de janeiro salgado nos núcleos -, o mercado retomou o bom humor ontem e as taxas fecharam em queda para todos os contratos negociados na BM&F.

Inflação
O começo dos negócios recebeu uma boa notícia no campo da inflação: o IPC-Fipe da primeira quadrissemana de fevereiro ficou em 0,20%, bem abaixo do piso das projeções de mercado, que variavam de 0,34% e 0,46% (com mediana de 0,41%). O resultado foi o menor para uma primeira quadrissemana de fevereiro desde 1998. A Fundação Getúlio Vargas também divulgou a primeira prévia do IGP-M de fevereiro: alta de 0,03%, também abaixo do piso das estimativas(0,05% a 0,22%, com mediana de 0,10%).

Taxas
O DI com vencimento em janeiro de 2007 fechou com taxa projetada anual de 15,72%, contra 15,74% do ajuste de quinta. O DI abril de 2006 fechou em queda, a 16,86% ao ano. Os impactos foram mais fortes na parte longa da curva, onde predominam os investidores estrangeiros: o DI de janeiro de 2008 projetava taxa de 15,01% no encerramento dos negócios e o DI de janeiro de 2009 taxa de 14,51%, quedas de 60 pontos e 140 pontos, respectivamente.

Dólar
O dólar registrou ontem a terceira queda seguida ao fechar em baixa de 0,23%. A moeda norte-americana encerrou os negócios cotada a R$ 2,165 na venda, menor valor desde 11 de novembro do ano passado (R$ 2,164). Na semana, o dólar acumulou desvalorização de 1,9%.

Tesouro
A forte queda do risco-país brasileiro gerou otimismo no mercado de câmbio. No final da tarde, o indicador despencava mais de 10%, para 230 pontos, por conta do anúncio do Tesouro Nacional de que o governo pretende recomprar até US$ 20 bilhões em títulos da dívida externa do país.

Alongamento
O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, afirmou na quinta-feira que o objetivo principal com a recompra é tirar de circulação os títulos com vencimento até 2010 e os bradies - que foram emitidos pelo Brasil para refinanciar os contratos rompidos pelo país na moratória dos anos 80. Na prática, essa operação permite o alongamento do prazo médio de vencimento da dívida externa e a redução do estoque.

'Menos suscetível'
João Marcus Marinho Nunes, economista-chefe da Ágora Senior, avalia que ao reduzir a sua dívida externa, o Brasil fica ''menos suscetível a possíveis crises internacionais''.''Com essa iniciativa, o Tesouro está aliviando ainda mais qualquer risco de contaminação de uma crise externa'', afirmou.

Equilíbrio
Para José Roberto Carreira, da corretora Novação, a recompra de títulos do governo não deve ''necessariamente'' pressionar a moeda. ''Tudo vai depender muito do próprio Banco Central'', disse Carreira. Ou seja, segundo ele, se o governo usar as reservas internacionais para recomprar os títulos e continuar atuando aos poucos no câmbio, será mantido o ''equilíbrio''.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 0,25%, aos 36.975 pontos, após oscilar ao longo do pregão entre valorização de 2,52% e queda de 0,67%.
Na semana, acumulou baixa de 0,77%, por conta principalmente de um movimento de realização de lucros após o Ibovespa - principal índice da Bolsa composto por 57 ações- subir mais de 14% em janeiro e acumular alta superior a 27% em todo o ano de 2005. Às 18h20, em Nova York, o Dow Jones operava em alta de 0,54%, o Nasdaq subia 0,47% e o S&P 500 avançava 0,45%. O risco Brasil caía 30 pontos para 226 pontos base.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas ontem foram Copel PNB (6,33%), Eletrobras PNB (5,16%) e Comgás PNA (5,02%). As maiores baixas foram Embratel Par PN (-8,77%), Sadia PN (-3,62%) e Vale ON (-3,13%).

Das agências Estado e Folhapress

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