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Dólar desaba
Nem foi preciso que o BC deixasse de atuar no câmbio. Bastou a autoridade monetária diminuir o peso de sua intervenção no mercado para que o dólar desabasse. O dólar perdeu 2,15% de seu valor diante do real ontem, fechando a semana a R$ 2,278. Foi a maior queda da moeda em cinco meses.
US$ 200 mi
O Banco Central ofereceu em contratos de ''swap cambial reverso'' apenas US$ 200 milhões - metade do que vinha leiloando diariamente. O ''swap cambial reverso'' tem o efeito de compra de dólares no mercado futuro. Na prática é como se o BC tivesse comprado US$ 200 milhões a menos do mercado futuro.
Sem fôlego
No entendimento de analistas financeiros, o BC sinalizou que pode não estar mais com muito fôlego para continuar intervindo pesadamente no mercado de câmbio. E sem o BC, o dólar tende a cair rápida e pesadamente. ''A taxa de câmbio está distorcida há algum tempo devido às pesadas atuações do BC'', afirma Alexandre Maia, economista-chefe da GAP Asset Management. ''Com atuações mais brandas, a tendência é a apreciação do real. Acho factível o dólar ir a R$ 2,15 no curto prazo'', diz Maia.
Timidez
O BC também comprou dólares diretamente dos bancos ontem, em volume estimado em US$ 100 milhões. Mas as intervenções se mostraram tímidas para deter a queda da moeda dos EUA. ''A decisão do BC, de reduzir a oferta de swap cambial, deverá ter um impacto no dólar, que tende a se enfraquecer ante o real'', afirmava o departamento de pesquisas econômicas do Bradesco, em relatório, antes da abertura dos negócios.
Estrangeiros
O sinal do BC, de que pode estar com pouca munição para seguir duelando com o mercado, tende a elevar ainda mais as apostas dos investidores estrangeiros na apreciação do real. Os estrangeiros têm ampliado muito suas posições vendidas em dólar, especialmente desde novembro. As posições vendidas em dólar aumentam quando os investidores confiam na valorização do real.
Posições
De US$ 8,51 bilhões no começo do ano, as posições vendidas líquidas dos estrangeiros na BM&F saltaram a US$ 10,16 bilhões na última quinta. Há um ano, quando ninguém esperava que o dólar caísse tanto, essas posições eram de US$ 3,55 bilhões. ''Se na segunda o BC oferecer apenas US$ 200 milhões de ''swap', o dólar vai cair ainda mais'', disse João Medeiros, diretor de câmbio da corretora Pionner, antes de o BC anunciar que leiloará no máximo US$ 200 milhões na segunda.
Histórico
No começo de dezembro, o BC intensificou suas atuações no mercado de câmbio, passando a ofertar cerca de US$ 600 milhões em ''swap cambial reverso'' por dia. Há cerca de um mês, o BC reduziu o volume de papéis leiloados para US$ 400 milhões por dia. Ontem foram só US$ 200 milhões.
Pouco eficaz
Analistas avaliam que intervir no mercado de câmbio por meio de ''swap cambial reverso'' vem sendo pouco eficaz e muito caro. Quando vende ''swap cambial reverso'', o BC troca sua dívida cambial por uma atrelada aos juros. Ou seja, diminuiu a parcela da dívida pública indexada ao câmbio e eleva à atrelada aos juros. Como os juros reais (descontada a inflação) do Brasil são disparados os maiores do mundo (em torno dos 12% anuais), esse negócio acaba saindo caro para o governo.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou o desempenho negativo do mercado dos EUA e fechou em baixa de 0,44%, aos 36.694 pontos. Segundo analistas, depois de subir quase 3% ontem e atingir um novo recorde de pontuação
(36.858), é normal que a Bovespa passe por uma realização de lucros. Apesar da queda de ontem, na semana o Ibovespa -principal índice da Bolsa composto por 57 ações- acumulou ganhos de 2,2%. O volume financeiro somou R$ 1,635 bilhão, o menor da semana. Ontem, foram movimentados na Bovespa R$ 2,063 bilhões.
Nos EUA
No horário do fechamento da Bolsa paulista, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caía 2,3%. A Bolsa eletrônica Nasdaq tinha perdas de 3%. O mercado norte-americano foi influenciado ontme por resultados de empresas.
Petróleo
A preocupação no mercado petrolífero quanto à situação ao fornecimento de petróleo no Irã - quarto maior exportador mundial - e na Nigéria - oitavo maior exportador mundial -fez com que o preço da commodity superasse a casa de US$ 68 ontem. O barril para entrega em fevereiro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou cotado a US$ 68,35, alta de 2,27%.
Tóquio
A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em alta de 0,41 ponto, estável em termos porcentuais, aos 15.696,69 pontos, depois de oscilar entre os territórios positivo e negativo durante todo o pregão. As incertezas relacionadas à investigação de fraude na provedora de serviços de internet Livedoor e os problemas no sistema de computador da operadora da bolsa, no entanto, impediram que muitos players atuassem agressivamente na ponta de compra. Nesta semana, o Nikkei acumulou perda de 4,6%.
Das agências Estado e Folhapress





