MERCADO FINANCEIRO
Dia difícil
As bolsas despencaram no mundo todo ontem. E dois indicadores de inflação da economia brasileira desagradaram aos investidores. Essa combinação de cenários negativos deixou o mercado de DI mais conservador em relação à decisão do Copom, que seria anunciada à noite. A piora lá fora também influenciou o dólar, que fechou em alta de 0,52% ante o real - vendido a R$ 2,323, depois de subir 1,2% ao longo do dia e atingir os R$ 2,34 -, e a Bovespa, que voltou a realizar lucros e caiu 0,87%.
Juros
Os índices de inflação salgados e o clima tenso no exterior ''tiraram a escada'' do mercado de juros, que reverteu a queda e encerrou, na maior parte dos contratos, nas máximas do dia. Segundo operadores, a aposta de que o Copom manteria o ritmo de corte de juros em 0,5 ponto porcentual ganhou força. Ao final do pregão viva-voz, o contrato com vencimento em fevereiro/06 tinha taxa de 17,37%, o que significava uma probabilidade de cerca de 64,50% de a Selic em 17,50% e de 35,5% de a queda ser para 17,25%.
IGP-10
O entusiasmo que se viu no início da semana - motivado pelos números negativos de atividade econômica e pelas especulações de que haveria pressão política sobre a decisão do Copom - foi abafado pelos números de inflação divulgados ontem. O principal indicador foi o IGP-10 de janeiro, que subiu 0,84%, ante aumento de 0,06% em dezembro. O resultado interferiu diretamente no humor do mercado, embora o próprio coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, acreditasse que esse número não seria fator de influência para o Banco Central, em sua decisão sobre o rumo da taxa Selic, por representar ''um momento, uma situação passageira'' no cenário de inflação.
IPC da Fipe
O IPC da Fipe também mostrou elevação e contribuiu para a preocupação do mercado. A taxa ficou em 0,59% na segunda quadrissemana de janeiro, maior do que o apurado na primeira prévia do mês, quando a alta foi de 0,46%. O índice ficou dentro da margem prevista pelos analistas, de 0,48% a 0,61%, mas mais perto do teto e acima da mediana, que era de 0,55%.
Bovespa
Os mercados de ações desabaram no mundo todo - a Bovespa não escapou desse cenário e operou o tempo inteiro no negativo. O Índice Bovespa fechou em baixa de 0,87%, com 35.805 pontos. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular alta de 7,02% em janeiro. O volume financeiro ficou em R$ 1,758 bilhão.
Efeito dominó
O dia amanheceu prometendo uma jornada difícil para a bolsa. Na terça-feira à noite, saíram os balanços da Yahoo e da Intel, considerados bastante negativos pelos analistas. Com isso, a bolsa do Japão deu início ao efeito dominó de queda dos mercados, que se estendeu da Ásia para a Europa e, em seguida, para as Américas. A continuidade da alta dos preços do petróleo, na manhã de ontem, só ajudou a ampliar a piora no cenário internacional. Às 18h20, em Nova York, o Dow Jones operava em baixa de 0,48%, o Nasdaq caía 1,03% e o S&P 500 recuava 0,51%.
Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Telemig Par PN (5,41%), Braskem PNA (4,09%) e Sadia PN (2,56%). As maiores baixas foram CSN ON (-2,81%), Cemig ON (-2,76%) e Tele Leste Celular PN (-2,51%).
Tóquio
A bolsa de Tóquio encerrou os negócios mais cedo ontem, antes das 15h locais, depois de o sistema ter atingido seu limite máximo diário de 4 milhões de ordens. A bolsa alertou que as transações seriam suspensas se as ordens atingissem o limite e esse aviso assustou os investidores, que correram para vender ações, derrubando mais de 700 pontos do índice. O Nikkei fechou em baixa de 2,94%. Foi a maior queda em pontos desde maio de 2004. O motivo da corrida foram denúncias de fraudes envolvendo a empresa de internet Livedoor, chefiada pelo ''geek'' - termo usado para designar viciados em tecnologia - Takafumi Horie, 33, que tem status de celebridade no Japão. Também teve efeito devastador o balanço financeiro da Intel, divulgado na noite de terça-feira e que veio pior do que o esperado pelo mercado.
Das agências Estado e Folhapress





