Ambiente favorável
A dois dias da decisão do Copom sobre o tamanho do corte da Selic, o mercado continua dividido entre uma redução de 0,50 e 0,75 ponto porcentual nesta semana. Mas no médio e longo prazos, os DIs fecharam próximos das mínimas, embutindo um crescente otimismo quanto a cortes maiores nos juros ao longo do ano. Esse ambiente favorável também se refletiu na Bovespa, que no dia do vencimento de opções em ações fechou na pontuação máxima e bateu o quinto recorde deste ano. O dólar ficou praticamente estável, em ligeira baixa, com fraca liquidez devido ao feriado nos EUA.

Juros
A corrente mais otimista do mercado, que aposta em um corte de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic, ganhou reforço. As taxas futuras caíram com força e a maior parte dos contratos encerrou ontem mínimas. Esse ajuste de posição, segundo operadores, ainda está concentrado no DI mais líquido, com vencimento em janeiro/07, que ontem rompeu o piso de 16%. O DI mais curto, com vencimento em fevereiro/06, continua expressando a divisão do mercado: esse contrato indica 55% de chance de o corte da Selic ser de 0,5 ponto e 45% de o corte ser de 0,75 ponto porcentual.

Estatística
Os números sobre atividade econômica disponíveis até aqui justificam as apostas na aceleração do ritmo de corte de juros. Na semana passada, o dado sobre produção industrial de novembro foi de apenas 0,60% ante outubro, encostado no piso das previsões, que era de 0,57% (mediana de 1% e teto de 1,60%). Em relação a novembro do ano passado, o crescimento também foi de 0,60%, abaixo do piso das previsões, que era de 1% (mediana de 1,75% e teto de 2,80%).

Pesquisa
Por causa da avaliação de que a economia está, de fato, muito enfraquecida, dos 60 analistas consultados pela Agência Estado, 39 esperam redução de 0,75 ponto, 1 prevê recuo de 1 ponto e 20 economistas acreditam que o Copom vai reduzir a Selic em 0,50 ponto. A dúvida persiste porque não se tem disponíveis números sobre o desempenho econômico em dezembro - quando pode ter havido alguma retomada. E porque janeiro pode ser um mês de indicadores mais salgados de inflação. O mercado tem dúvidas, portanto, se o BC aguardará números mais atualizados ou se acelerará o ritmo de corte. A reunião do Copom é realizada hoje e amanhã.

Dólar
O dólar fechou ontem com leve baixa de 0,08%, vendido a R$ 2,274, depois de oscilar ao longo do dia entre alta de 0,52% e queda de 0,30%. Segundo analistas, os ingressos de recursos no mercado seguraram a cotação do dólar. Além disso, eles avaliam que o dia foi de poucos negócios, por conta do feriado nos EUA, em homenagem a Martin Luther King.


Bovespa
O fluxo de capital externo e o vencimento de opções deram as cartas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O destaque, nos dois casos, foram as ações da Petrobras. A ações da estatal protagonizaram o exercício ao mesmo tempo em que foram as mais procuradas pelos estrangeiros. A bolsa teve um pregão bastante positivo, operou no azul durante quase toda a sessão e encerrou os negócios na máxima pontuação do dia, atingindo o quinto recorde deste ano.

Índice
O Índice Bovespa fechou em alta de 1,77%, com 36.533 pontos. Operou entre a máxima de 36.534 pontos (1,77%) e a mínima de 35.891 pontos (-0,02%). Com esse resultado, a bolsa passou a acumular valorização de 9,20% este ano. O movimento financeiro ficou em R$ 2,372 bilhões, sendo R$ 1,015 bilhão referentes ao vencimento de opções em ações.

Estrangeiros
O feriado ontem nos EUA, em homenagem ao líder dos direitos civis Martin Luther King Jr., não impediu que o investidor estrangeiro participasse com vontade nos negócios da bolsa paulista. ''Os gringos foram destaque'', comentou um operador. Aliás, o capital externo tem sido destaque desde o início do ano, que já acumula ingresso líquido de cerca de R$ 1 bilhão este mês. Até quarta-feira (11), o saldo de investimento estrangeiro em janeiro estava em R$ 930 milhões. E no dia 12 teriam entrado mais cerca de R$ 100 milhões.


Petrobras e Vale
Petrobras PN foi o papel mais negociado ontem na bolsa, com R$ 224 milhões. Em segundo, aparece Vale PNA, com R$ 119 milhões. De acordo com a Bovespa, o exercício total de papéis das duas empresas movimentou R$ 1.015.110.845,00. Desse volume, R$ 1.003.843.245,00 representaram opções de compra e R$ 11.267.600,00 opções de venda.


Outros destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, apenas cinco fecharam no negativo. As maiores altas foram Cesp PN (15,02%), Cemig ON (5,62%) e Cemig PN (5,47%). As maiores baixas foram Embraer PN (-2,78%), Arcelor ON (-0,54%) e Embratel Par PN (-0,31%).


Bônus perpétuo
O Banco do Brasil concluiu na sexta-feira uma captação de bônus perpétuos no valor de US$ 500 milhões, com taxa de retorno ao investidor de 7,95% ao ano. Esse tipo de papel não tem um prazo de vencimento e o pagamento dos juros será feito trimestralmente. A operação foi liderada pelo BB Securities e pelo Citigroup. Para o Banco do Brasil, as características da operação foram positivas, já que a taxa de retorno ao investidor ficou abaixo da esperada e a demanda foi elevada.

'Espetacular'
''Todas (as nossas captações) foram bem sucedidas, mas nenhuma foi tão espetacular como essa', comemora Augusto Braúna, diretor da Área Internacional. O banco esperava que a taxa ficasse entre 8,25% e 8,5% e que a demanda ficasse em torno de US$ 2 bilhões - e foi de US$ 4,25 bilhões. A expectativa da instituição financeira era de que a captação ficasse entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões.

Investidores
A maior parte (53,7%) dos 237 investidores que participaram da captação é proveniente da Ásia. Os investidores europeus ficaram em segundo lugar, com 26,5% do papéis. Já os localizados nos EUA compraram 13,4% dos bônus. O restante (6,4%) ficou com investidores do Brasil. O banco comemorou ainda o fato da taxa paga aos investidores ter ficado abaixo de outras operações similares feitas pelo Bradesco, Unibanco e Santander.

Das agências Estado e Folhapress

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