Boas notícias
Duas notícias fizeram a tarde dos mercados ontem. A primeira delas foi a anúncio de que o governo vai quitar, este mês, sua dívida total com o FMI. A segunda foi o comunicado do Federal Reserve (o banco central norte-americano), que confirmou as expectativas e elevou os juros em 0,25 ponto, além de ter sinalizado que o aperto monetário está perto do fim. Os juros dos Treasuries caíram, os papéis da dívida brasileira subiram e o risco Brasil recuou. Aqui, a Bovespa fechou em pontuação máxima recorde, na véspera da decisão do Copom sobre os juros. E o dólar fechou em alta pela quinta sessão consecutiva.


Dólar
Depois de recuar 0,66% ao longo do dia, o dólar inverteu o movimento no final dos negócios e fechou em alta de 0,26%, vendida a R$ 2,266. Para analistas, esta é apenas uma reação ''pontual'' do mercado, pois os bancos já vinham corrigindo suas posições, que ficaram muito ''vendidas'' em novembro.

Tendência
''A notícia (de antecipação ao FMI) cria uma tendência, o que é natural, já que os bancos estavam muito vendidos. Mas não foi tão impactante assim'', avaliou Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros. Para Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, vários fatores têm influenciado a cotação da moeda norte-americana nos últimos dias, como os rumores de uma reforma na política econômica do país, ajustes de posições no câmbio e as atuações do Banco Central.

Expectativa
Vogeler admite, entretanto, que a notícia de antecipação dos pagamentos ao FMI, no primeiro momento, pode gerar no mercado a expectativa de que o BC será mais agressivo em suas atuações. Ontem, a autoridade monetária vendeu os 12,5 mil contratos -equivalentes a mais de US$ 600 milhões- de ''swap cambial reverso''. Além disso, atuou no câmbio à vista e comprou dólares por até R$ 2,261.

Bovespa
A mudança no teor do comunicado do Federal Reserve (Fed, BC norte-americano) sinalizou que o ciclo de alta nos juros dos Estados Unidos pode ''realmente'' estar chegando ao fim, o que animou os investidores. Com isso, a Bolsa de Valores de São Paulo ampliou os ganhos no final da tarde e fechou com alta de 1,36%, atingindo o recorde de 33.419 pontos. No horário do fechamento dos negócios no mercado acionário paulista, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subia 0,14%. A Bolsa eletrônica Nasdaq avançava 0,41%.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Sadia PN (5,34%), BRT Operadora PN (4,22%) e BRT ON (4,11%). As maiores baixas foram Contax ON (-3,08%), VCP PN (-1,44%) e Bradesco PN (-0,79%).

Juros e Fed
O Fed aumentou ontem os juros dos EUA de 4% para 4,25%, conforme o previsto. A novidade ficou por conta do comunicado da instituição. Na nota, o Fed não usou o termo ''política acomodatícia'', que vinha empregando para justificar a manutenção de uma política de alta de juros iniciada em junho do ano passado. Desta vez, o banco diz que o ''comitê julga que algum ajuste comedido dos juros ainda pode ser necessário''.

Sinais
Na interpretação de João Marcus Marinho Nunes, economista-chefe da Ágora Senior, essa alteração no documento do Fed pode indicar a proximidade do fim das altas dos juros nos EUA. O economista espera também um corte mais agressivo na taxa básica brasileira (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que termina hoje. Na avaliação dele, a Selic cairá 0,75 ponto percentual, de 18,5% para 17,75% ao ano.


Das agências Estado e Folhapress

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