MERCADO FINANCEIRO
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou os negócios de ontem com queda de 1,40%, aos 32.756 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa somou R$ 1,876 bilhões. Segundo analistas, o Ibovespa (índice das 55 ações mais negociadas na Bolsa) sofreu um movimento de ajustes e de realização de lucros, ao mesmo tempo que os investidores ficaram menos otimistas acerca dos rumos dos juros no Brasil e nos Estados Unidos na próxima semana.
Destaques
Entre as ações que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Net PN (3,67%), Telesp Celular Par PN (3,16%) e Embratel Par PN (2,58%). As maiores baixas foram Caemi PN (-4,13%), Bradespar PN (-3,97%) e Bradesco PN (-3,93%).
Risco
O risco-país brasileiro registrou alta de 0,32%, aos 317 pontos. Segundo analistas, os investidores trocaram o recente entusiasmo pela expectativa de fim de ciclo de alta de juros nos Estados Unidos pela cautela. O motivo foi a declaração do presidente do Fed (Federal Reserve, o BC americano), Alan Greenspan, sobre a neutralidade dos juros, que não foi bem recebida.
Fed
Greenspan disse que ''é impossível saber com algum grau de certeza quando as taxas de juros alcançaram a neutralidade, do ponto onde elas nem precisem desaquecer ou estimular toda a atividade econômica''. O presidente do Fed respondeu a uma série de respostas escritas feitas no Comitê Econômico do Congresso. O Fed aumentou as taxas de juros por 12 vezes desde 2004. Atualmente os juros estão em 4% ao ano, a maior taxa em quatro anos. O próximo encontro do BC americano ocorre no dia 13 de dezembro, um dia antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidirá sobre os juros no Brasil.
Selic
Carlos Henrique de Abreu, da corretora Socopa, afirma que, para os investidores, o BC não vai aumentar o ritmo do corte dos juros. Segundo ele, grande parte dos analistas espera por um corte na Selic que não passe de 0,5 ponto percentual. ''Pelo que se viu ontem (terça-feira) com o (Henrique) Meirelles e a entrevista do Lula hoje (ontem), o BC não vai se deixar levar pela queda do PIB (no terceiro trimestre) para acelerar a queda dos juros'', afirma.
Juros
A percepção de que a atividade econômica deverá apresentar recuperação no quarto trimestre, reafirmada ontem pelos dados da produção industrial de outubro, consolidou a correção da curva de juros iniciada terça-feira. Ontem, o contrato mais curto, com vencimento em janeiro/06, apresentou uma ligeira elevação, de 18,06% (terça) para 18,07% (ontem). Isso significa, segundo os cálculos de operadores, que a corrente dos que apostam que a Selic será reduzida para 18% na reunião do Copom na próxima semana - que já era majoritária - ganhou ainda corpo.
Dólar
Após três dias consecutivos de queda, o dólar comercial encerrou ontem em alta de 0,82%, vendido a R$ 2,195. A divisa norte-americana chegou a ser vendida a R$ 2,20, mas operou em baixa durante toda a manhã. Segundo analistas, trata-se de um movimento de ajuste em relação às quedas dos últimos dias. ''Não é uma reversão de tendência'', afirma Helio Osaki, analista do Banco Rendimento.
Leilão
Hoje, o BC voltou a atuar no mercado e realizou leilão de compra de dólares no mercado à vista e leilão de swap cambial reverso. No leilão de compra de dólares no mercado à vista, o BC aceitou sete propostas feitas por quatro bancos, segundo relato de operadores. A taxa de corte do leilão definida pela autoridade monetária foi de R$ 2,196. No leilão de ''swap cambial reverso'', operação que tem o efeito de uma compra de dólares no mercado futuro, o mercado comprou o equivalente a US$ 587,2 milhões em 12.300 dos 12.500 contratos que haviam sido ofertados.
Sem efeito
Para o analista da Novação Corretora, José Roberto Carreira, os leilões não tiveram efeito sobre a apreciação do dólar. ''O BC veio para mercado como ele
vem vindo todos os dias, não fez diferença'', disse. Segundo Carreira, o nível baixo do dólar nos últimos dias motivou investidores a comprarem moeda e provocou o ''efeito manada''.
Na Europa
A fraca abertura das bolsas norte-americanas influenciaram os principais mercados europeus. O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres fechou em queda de 0,18%. Na bolsa de Paris, o índice CAV-40 fechou em queda de 0,36%. O mercado de ações da Alemanha fechou com o índice Xetra-DAX em queda de 0,64%. Na bolsa de valores de Milão, o índice S&P-Mib fechou em baixa de 0,05%. A Bolsa de Madri fechou em queda de 0,31%. Somente Lisboa operou na contramão e subiu 0,51%, sustentado pelos ganhos das principais blue chips, disseram traders.
Asiáticas
Os principais mercados acionários da Ásia encerraram o dia em alta, com a Bolsa da Indonésia figurando como o principal destaque da quarta-feira. O índice Jacarta Composto fechou em alta de 2,49%. Em Bangoc, o Thai set subiu 2,31%. Na Malásia, o KLSE Composto terminou o pregão com valorização de 0,59%. O PSE Composto, referencial da Bolsa das Filipinas, somou 4,27 pontos (0,20%), para terminar em 2.103,42 pontos. O índice Hang Seng, de Hong Kong, terminou a sessão volátil de quarta-feira com alta de 1%. Na China, o Shanghai Composto subiu 1,1%.
Tóquio
O índice Nikkei terminou o pregão em alta de 0,4%. O índice Topix, de todas as ações negociadas na primeira sessão, fechou em alta de 0,5%, nova máxima em cinco anos e meio. As ações da Mitsui Sumitomo Insurance fecharam em alta de 2,6% e da seguradora T&D Holdings ganharam 1,5%. O subíndice Topix para o setor bancário subiu pelo quinto dia consecutivo, já que os papéis de três dos quatro maiores bancos atingiram preço recorde de alta durante a sessão. Também em alta fecharam as fabricantes de produtos eletrônicos para consumo, como Sony (+1,4%) e Sharp (+1,7%). As ações da Pioneer subiram 3%.
Das agências Estado e Folhapress





